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quinta-feira, 10 de maio de 2018

O enterro do minuto 92

Tendo nascido em 1986, não tendo como tal passado pela origem do FCPorto como hoje o conhecemos, pelas mãos do Mestre Pedroto e do Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, não tenho qualquer problema em considerar que este titulo foi o mais saboroso que já experienciei como adepto.

Assistia ao pré-match do jogo da consagração no Porto Canal quando o Rui Cerqueira falava da forma como este titulo estava a ser celebrado, confessando que tinha sentido em anos anteriores que havia "fadiga" de tanta celebração entre os adeptos, duma forma generalizada. Recuei ao ano de 2013 e recordo-me que, pese embora a magia indescritível do golo do Kelvin, é verdade que a celebração do titulo em si não foi de arromba, que o treinador de então nem era sequer um bem-amado, e que foi muito mais engraçado olhar para o lado e gozar com "a cabeça do lampião que continua(va) a inchar" . De certa forma isso será algo normal, haver uma certa acomodação face à fartura. Qualquer treinador serviria para dar continuidade ao trabalho da estrutura, não era? Polvos à parte, o que se seguiu provou-nos que o auto-convencimento pode ter resultados trágicos a médio/longo prazo.

Partimos para esta temporada com muitas duvidas, muita incerteza quanto à capacidade dum plantel constituído maioritariamente por jogadores que não conheciam o sabor da vitoria com as nossas cores, que pareciam terminar cada época a ter medo da própria sombra, um treinador com um currículo pobre em títulos e experiência de clubes grandes (e com um histórico de relações conflituosas em quase todos os clubes que treinou), um clube intervencionado financeiramente pela UEFA após anos de fugas para a frente, desinvestimento, plantel desequilibrado, venda das joias da coroa, etc, etc.

Fui o primeiro a torcer o nariz à escolha de Sérgio Conceição como homem do leme, antecipando nova época desastrosa, como é alias apanágio da minha doentia incapacidade cronica para ter algum optimismo. E este meu pessimismo imbecil teimou em não partir, e voltou ao de cima em força após a derrota copiosa com o Liverpool, o empate em Moreira de Cónegos e especialmente após as derrotas em Paços e Belém. É para mim importante partilha-lo: eu fui o primeiro a não acreditar e a atirar a toalha ao chão. E então este título deve ser sobretudo bem esfregado nas fuças deste idiota que vos escreve, não porque tenha duvidado (isso parece-me perfeitamente normal), mas por ter repetidamente atirado a toalha ao chão, prevendo hecatombes bíblicas a cada percalço dos nossos rapazes.

Partilho agora convosco uma pequena história, carregada de simbolismo para mim. No dia 14 de Abril à noite, estava aqui este imbecil com insónias, filho e mulher a dormir serenamente, porque na cabeça não paravam de passar imagens duma derrota ou empate comprometedores no dia seguinte na Luz. Até que ainda meio atordoado ouço a minha mulher gravidérrima dizer-me "Z, rebentaram as aguas e estou com contracções". De manhã, a família passou a ser de 4; mais um rapaz, mais um dragão no Mundo. Não é agora a parte em que vos digo que isso me encheu de esperança para o clássico na Luz, porque nada se alterou. Mas devo confessar-vos que mal tive certeza de que a bola do Herrera tinha batido na rede, se apoderou de mim a confiança que aqueles desgraçados andaram a carregar durante toda a época, de que desta vez não ia haver coisíssima nenhuma que nos impedisse de sermos felizes de novo. Vale o que vale, mas conseguem imaginar a historia que vou ter para contar ao meu mais novo quando ele me perguntar quem é aquele feioso cujo poster está no quarto do Pai, numero 16 nas costas e braçadeira de capitão?

Este título é, acima de tudo, de Sérgio Conceição, e espero que isso fique bem claro na cabeça de todos. Não estou de acordo quando se diz que ele herdou uma equipa de tostões: isso é factualmente falso. Herdou sim uma equipa despedaçada moralmente, e seguramente com menos opções validas (teoricamente) do que os rivais. Ao treinador foi pedido, não que montasse uma equipa recheada de jogadores desconhecidos vindos directamente de equipas pequenas (como em /2002/2003), mas sim que pegasse num grupo de jogadores que já levavam 3 ou 4 anos de Porto sem um único motivo de celebração, aproveitamento de jogadores emprestados com qualidade (como Ricardo e Aboubakar), e proscritos (Marega, Reyes ou Hernâni), e deles fazer um grupo com estofo de campeão. Reparem, que quando digo que a qualidade global da equipa não era tão ma como quiseram fazer parecer (basta para isso comparar posição por posição os nossos jogadores com os dos principais rivais), isso não invalida que a nível de opções não tenha sido um plantel curto. Relembro que a dada altura, tínhamos apenas dois laterais, sendo que um deles tem ainda idade de júnior, que ficamos sem Danilo uma boa parte da segunda metade do campeonato, sem Aboubakar, Soares, Marega, Ricardo, Telles, Marcano, Corona em determinadas alturas, e sempre houve soluções, sem me lembrar de haver uma queixa por parte de Sérgio. O grande mérito de Sérgio foi a injecção duma crença sem limites nos jogadores, a construção dum grupo solido, blindado, em que todos foram sempre tratados de igual forma, um grupo que soube a cada momento perceber e proteger as suas fraquezas e que potenciou ao máximo as suas forças. Um modelo de jogo que, embora não consensual (pessoalmente não é o meu preferido), foi reduzindo adversários a pó e criou um dos ataques mais concretizadores da historia do clube.  É também a Sérgio que devemos a simbiose perfeita que uniu jogadores e adeptos desde o primeiro dia, união essa personificada na roda do final de cada jogo. Sérgio trouxe a um grupo derrotado, vergado a 4 épocas a seco, uma injecção de adrenalina, confiança, estofo, liderança, que fazem dele o grande obreiro por detrás deste titulo, e fez com que pela primeira vez em muitos anos volte a haver unanimidade quanto à continuidade dum treinador no clube.

É igualmente um título dos jogadores, de todos os jogadores, da sua solidariedade, dum espírito de dragão há muito arredado das nossas bandas. Dum grupo que se fortaleceu a cada Santa Maria da Feira ou Vila das Aves, que soube ir buscar forças depois de Paços e fundamentalmente Belém; um conjunto que não esmoreceu mesmo quando estávamos atrás e tivemos de ir a Luz buscar este campeonato, mesmo que idiotas como eu o dessem como perdido. Dos heróis prováveis, como Brahimi ou Casillas, aos improváveis Marega e Herrera. Um conjunto que depois de tantas temporadas amargas, de "bateres no fundo" consecutivos, trabalhou muito mais do que qualquer outro para ser feliz. A todos eles a minha vénia. Todos.

Finalmente, é um titulo dos adeptos. Dos que conseguiram estar sempre lá e dos que tiveram de acompanhar à distância; de quem sofreu 4 anos de péssimas escolhas e falta de organização; de quem esteve lá naquelas noites frias de empates com Rios Aves, Boavistas, derrotas com Benficas, Sportings e Tondelas; de quem esteve no Jamor naquela injusta derrota na final da Taça. Para quem passou por Paulo Fonseca, Lopetegui e NES. Para quem passou por palminhas, "mucha ilusión" e um treinador sem alma. Derrotas e empates humilhantes e um Dragão despido e sem chama. Para quem sempre acreditou e para quem tombou ao primeiro murro. Para as noites mal dormidas, e as imagens repetidas até à exaustão das festas dos rivais. Desde o inicio desta época que dissemos ao que vinhamos, os adeptos: queriamos o Porto campeao. E foi assim em todo o lado: no Dragão, no Mónaco (único jogo que pude presenciar ao vivo e a cores), mas principalmente em Liverpool, em Belém e na partida para a Luz. Não um mar, mas uma muralha azul, sempre a proteger os jogadores, a levá-los em ombros até à meta.

Para mim este título marca também (e duma vez por todas) o adeus ao minuto 92 do Kelvin. Esse momento é agora uma doce recordação do passado, um momento maravilhoso que marcou o fim dum ciclo. Os 4 anos que se seguiram foram uma amostra do amolecimento, descompressão, baixar da guarda que a arrogância pode gerar. Um banho de humildade de que, sejamos honestos, todos estávamos a necessitar. Que nunca mais julguemos ser possível conquistar títulos sem trabalho, sem competência. Que nunca mais um titulo deixe de ser celebrado com a força, comunhão, garra com que este foi celebrado. 

Que o futuro esteja a ser preparado desde há meses. Que se blinde quem tem de se blindar sem entrar em loucuras. Que não se pense que poderemos alguma vez voltar às más decisões dum passado recente. Se a torneira tiver de se manter fechada, mantendo assim a viabilidade do nosso clube, que assim seja. 

E pelo amor da santa, havendo algo prioritário, que isso seja manter Sérgio Conceição ao leme do nosso navio.

Agosto está aí à porta e há uma Supertaça para ganhar.

Um abraço a todos, de terras do Sul de França,

Z



P.S.: treinem os filhas das putas dos penalties!!!! PORRA! 









quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Análise RB Leipzig 3-2 FC Porto - Das Opções Técnicas


Tenho lido as análises daqueles que se antecipam sempre a mim nas suas crónicas ao jogo, e muito me espanta que não comecem pelo principal. A análise à substituição de Casillas não se pode cingir à capacidade técnica, embora também possa. Deve ser vista de uma forma profunda, porque pode - embora não deva! - ser um triste ponto de inflexão nesta equipa.

Ponto primeiro. José Sá é o menos culpado de tudo isto. Nem sequer vou analisar o seu jogo. Era, lamentavelmente, o esperado. Sá não tinha feito qualquer jogo na primeira liga e foi lançado contra a mais mortal equipa do nosso grupo. José Sá cometeu um erro?  Estava nervoso, estava sem ritmo. Era o mais provável.  Sérgio arriscou com Sérgio Oliveira e venceu. Contra as probabilidades. Desta vez perdeu.

Não vou destacar as qualidades técnicas de Casillas - é um dos melhores guarda-redes entre os postes DA HISTÓRIA DO FUTEBOL. E isso tem de bastar.  Falo do principal, daquilo que é o mais complicado. Iker Casillas é o de facto líder deste grupo. Já aqui falei várias vezes da braçadeira. Mas uma coisa é certa, com e sem ela, é evidente que se nota e muito as suas orientações, a sua voz de comando, o seu gravitas que dá confiança e rumo à equipa.

Sérgio Conceição resolveu retirar isso à equipa por opção técnica! Os jogadores pareciam umas baratas tontas, sem saber o que fazer? Pois, naturalmente! Sem liderato, qualquer equipa se torna banal! A única coisa que justificaria a saída de Casillas seria uma lesão! E digo já, não acredito que Casillas tenha desrespeitado SC, uma vez que a experiência assim o dita. Se não é lesão, é uma jogada tosca de poder que saiu completamente furada.

Vai Sérgio a tempo de a rectificar? Sem sombra de dúvida! Sábado, Casillas na baliza. E pronto, siga. Qualquer outra coisa, é teimosia. 

Mas nem só dessa opção surge a perplexidade. A substituição de Ricardo Pereira por Layún foi outra furada. Layún fez um jogo pavoroso e nervoso. Continuo sem perceber a opção.

Naturalmente, não basta estes erros para justificar a derrota. O Leipzig é uma equipa forte, rápida e bem trabalhada que engoliu literalmente o nosso meio campo - e não, não é no meio de um jogo frenético que Óliver iria fazer grande coisa, embora se tenha notado naturalmente uma melhoria, ainda que ligeira - e fez do ataque aquilo que quis.  E depois, porquê tirar um Brahimi que estava a lutar bravamente com tudo o que tinha,  por Corona,  e deixar em campo Marega que, claramente, não estava fresco? Estas opções técnicas! Difícil de entender!

Se o nosso plantel não é vasto, chega de golpes de asa! Os melhores têm de jogar, e cada coisa a seu tempo. Esta saiu mal, Sérgio. Vais a tempo de a rectificar. Nada está perdido neste grupo de doidos, onde um Besiktas poderoso - quem diria! - foi o único a ganhar sempre. Ganhar grupo? Sem dúvida. Powerplays? Esquece!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A Renovação do Grande Capitão


A notícia da renovação de Iker Casillas só pode encher o nosso Coração Azul e Branco de alegria. É, afinal, uma lenda viva do futebol mundial que se sente bem cá em casa, que não se importa de reduzir, certamente, o ordenado que recebe para ostentar o Brasão Abençoado, que quer GANHAR pelo Futebol Clube do Porto.

Casillas não é só um jogador em fim de carreira com uma reforma dourada, como noutras paragens. As defesas fantásticas que fez contra os nossos rivais - quem poderá esquecer aquele milagre contra o Sporting? - são disso prova, de que DESPORTIVAMENTE é uma enorme mais-valia.

Mas importa deixar claro o seguinte: está na hora do Futebol Clube do Porto tratar Casillas como aquilo que ele verdadeiramente é: o Grande Capitão da nossa equipa!

Por muito que se respeite - e eu respeito - os exemplos recentes de Marcano e de Herrera, por muito que se respeite a senioridade no plantel, a verdade é que toda e qualquer palavra dada por Casillas é sorvida pelo plantel como uma lei. É um Capitão natural, liderou o maior clube do mundo e uma selecção campeã europeia e mundial e já não faz sentido fazer de conta que não é Iker a pessoa mais respeitada e admirada no FC Porto.

Já o disse antes, qual seria o árbitro que não vacilaria - pelo menos! - se Iker viesse defender o grupo como Capitão? Não daria uma dose ainda maior de autoridade que ele tivesse a braçadeira no braço? Qual é o jogador deste plantel capaz de não ouvir uma "sugestão" mais veemente do Iker? Mas alguém imagina que, no intervalo dos jogos, seja outra pessoa que não Casillas a dar ordens ao povo? Está na hora dar o merecido destaque à lenda que temos entre nós!

Por fim, a marca. Qualquer que seja a verba negociada, tem de ser aproveitada. Casillas é uma figura de proa do futebol mundial. De uma vez por todas, deve ser a nossa principal cara, o nosso porta estandarte. Chega deste "chove não molha".

Braçadeira e destaque que reconheça o líder Casillas impõe-se. Não faz sentido que seja de outra maneira.


O Colectivo Ultras 95 faz hoje 22 anos! Parabéns, pessoal! O vosso contributo inestimável, em todo o lado em que o FC Porto joga - muitas vezes (a maioria) - em grande sacrifício, não é, de todo, esquecido!  O meu muito obrigado pela vossa dedicação e Amor Azul e Branco! Vocês são um excelente exemplo a seguir! A festa é no sábado.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Próximo #Colinho

Esta notícia de hoje é um escândalo! Uma coisa é o empréstimo de jogadores - contemplados com regras próprias, em que um jogador emprestado não pode jogar contra o clube de origem. Outra coisa são parcerias entre clubes da mesma competição! Qual é o garante de competitividade numa situação destas? Não vai o clube mais pequeno obviamente ser parcial em relação ao maior que, na prática, efectivamente o patrocina?

Depois da "suavidade" de um Belenenses que, de repente, tem os ordenados pagos por magia, depois da próximidade entre bieirinha e guardanapo, depois de toda a escandaleira que é o comportamento dos candeeiros do Norte - e por falar nisso, isto também tem tudo a ver com o que se fala no post  - que até festejam empates que os fazem descer na classificação só porque deram jeito aos amigos, enquanto contra estes se joga com uma suavidade de uma almofada de penas, depois do Setúbal e do seu abono de família, junta-se agora a esta pandilha o Paços! A brincar, a brincar, só aqui estão 30 pontos! 

A criatividade benfas nunca desilude . Quando o video-árbitro chega e os relatórios se tornam conhecidos, há sempre que fazer as coisas por outro lado. Duas vertentes mostram o terceiro mundismo da nossa Liga: por um lado, a forma triste e deplorável como os clube - nomeadamente os do Norte - se tornam subservientes do regime (e depois espantam-se como descem de divisão e perdem lugares europeus...), por outro lado, a forma ridícula como as instâncias competentes fecham os olhos a mais um atropelo à verdade desportiva, por beneficiar sempre o Polvo.

Quem quer que seja que treine o Futebol Clube do Porto na próxima época, tem de deixar bem claro este género de atropelos. É importante vincar bem que contra tudo e contra todos significa mesmo CONTRA TUDO E CONTRA TODOS!.

Fiquei muito feliz por saber do interesse de Iker Casillas em continuar no FC Porto. Esta época foi extraordinário e deu-nos mesmo pontos. Mas, dado o vencimento de Casillas - que, atenção, acho que tem retorno absoluto em termos de expansão da marca FC Porto e de merchandising e prestígio internacional - acho fundamental que Iker seja aproveitado totalmente. E como? Só se for assim.

Assim. Com a braçadeira do Capitão que efectivamente é. Não há ninguém que imponha mais respeito no campo do que Casillas, ele é o líder da equipa e precisa de ver essa liderança legitimada. Se o Capitão Casillas for falar com o árbitro vai ter, de certeza, muito mais respeito vindo deste do que Marcano ou mesmo Danilo, que fará Rúben Neves. Se no primeiro ano até fez sentido que não se desse a braçadeira por decreto,  neste ano fez menos, uma vez que me cheira que as habituais melhores segundas partes têm tudo a ver com a mensagem do Capitão ao intervalo e com três anos de casa é quase um desrespeito. Tenho a certeza que a equipa só vai beneficiar com isso. 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Telegrama: A Palavra de Capitão

Quando foi a última vez que um jogador do FC Porto e a cidade do Porto foram capa de um jornal de referência mundial? Não me cabe na cabeça que Iker Casillas  não seja Capitão no próximo ano. Não pode ser. É o mais experiente. É o mais influente. É o mais titulado. É para quem todos olham. É quem todos ouvem. É uma cara - orgulhosa - nossa para o Mundo. É alguém que se sente feliz aqui. Iker Casillas, o Capitão sem pasta. Primeiras páginas da Marca. Pode ver-se aqui. Do Porto para o Mundo.

terça-feira, 14 de março de 2017

Orgulho.

Orgulho. Esta é, sem dúvida alguma, a palavra que melhor define o que sinto. Orgulho de uma equipa que nunca desiste. Orgulho numa equipa que não se dá por vencida. Orgulho numa equipa que sabe ter Honra e Dignidade. Que vende caras as derrotas - a Juve só marcou de penalti. Orgulho de uma equipa solidária, unida, em que o todo vale definitivamente mais do que as partes. Orgulho na raça, na entrega, na paixão.

Não me vou estender muito na análise, até porque a equipa valeu como um todo. E conseguimos ser equilibrados numa eliminatória onde jogamos 112 minutos com 10 contra uma das melhores equipas do mundo, possivelmente a vencedora da próxima Champions League. Não tivemos mijo, nem vaca, nem coisa nenhuma. Tivemos Força e Solidez.

E digo-o sem rodeios: se continuarmos a jogar assim, seremos certamente Campeões. Porque essa é a nossa batalha, de ora em diante. Mas tentamos, por tudo, que não fosse. E é por isso que me mete nojo que estes media centralistas nos comparem aos coisinhos. Batemos-nos bem, contra circunstâncias muito adversas. E mostramos que somos muito bons. Provaremos isso dentro de campo.

Nota ainda para a vontade expressa por Casillas de continuar connosco. Para mim, é muito bom saber. Sempre quis que ficasse. Vamos para cima do Vitória de Setúbal. Domingo lá estarei.

PS; Uma nota muito especial aos adeptos que estiveram em Turim - foram enormes! Não duvido que a maioria da força da equipa tenha vindo do vosso apoio. Obrigado! Foram a nossa voz!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pragmatismo Karmico


Somos líderes, à condição. Temos um avançado-ponta de lança-coiso novo muito jeitoso. Iker Casillas é muito caro, o caraças! Mas, há que admitir, não foi o melhor jogo do Futebol Clube do Porto este ano. Nem lá perto. Só que, lá está, assim de repente, lembro-me de um FC Porto-verifique, treinado por um treinador cheio de azia, ontem, onde houve duas subidas à área, dois golos do mais maluquinho que poderia haver, e onde todos falaram de pragmatismo. Lá está, o Karma é fodido. Há mar e mar, há ir e voltar. E nós, ontem, cobramos o retorno. Com juros. Vamos a notas.


Soares - Soares é fixe, Soares é fixe, Soares é fixe e já venceu! Sim, era um catraio quando o meu pai - sportenguista, temos pena, pai! - foi para a varanda numa célebre noite eleitoral, como um tolinho, cantar esta música. Mas Soares é mesmo muito bom. Tem técnica (o segundo golo é à matador, para AS ver e tirar notas), tem um elevado sentido posicional e uma força e uma entrega como poucos. Uma excelente contratação com uma estreia de sonho, que só por si já valeu o seu preço! Mas o que achei mais extraordinário foi ter ouvido logo a seguir Tiquinho a dizer que "vai lutar mais". Homem, se isto é o teu meio... vamos lá a isso!

San Iker - Não escondi, não escondo nem esconderei que sinto um orgulho imenso por ter uma lenda deste calibre com o Brasão Abençoado no seu peito. E ontem, como com o benfas no ano passado ou contra a Roma e Chelsea, Iker fez aquele estilo de defesas só ao alcance de predestinados. Está longe de ser barato, mas isso não é, nem pode ser, tudo. Enquanto estiver nesta forma física, com estes reflexos, enquanto for o líder que é e sentir esta camisola como se viu que a sente, Iker Casillas deve ser o dono da baliza, o Capitão sem (ou com, foda-se!) braçadeira, a referência e o farol. Arrumamos com um concorrente directo, praticamente - salvo hecatombe - asseguramos a Champions, estamos na luta para o Campeonato. E muito foi por isto, que correu mundo inteiro. Como só lendas podem fazer. "San" Iker Casillas. Guarda-redes do Futebol Clube do Porto.

As substituições, ainda que tardias - Tarde que foi, a entrada de André André e de João Carlos Teixeira deram um pouco de equilíbrio ao meio campo quando este estava claramente a perder a batalha. E não pelos intervenientes, mas pelo número. André André foi agressivo e lutador, João Teixeira ajudou a esticar o jogo ao seu mínimo razoável. Nenhum dos dois foi extraordinário, mas foram mudanças importantes. Jota entrou bem, com tudo, e com a velocidade que se impunha. Mesmo assim, há muito a fazer e a rever, em jogos deste estilo. Já a seguir falaremos disso.


A anti-posse - Durante muito tempo, Vítor Pereira teve o estigma dos jogos sensaborões, das secas que dava nos jogos sem intensidade, muito feitos na base da troca de bola entre defesa e meio campo, na procura da largura e profundidade apoiada. Assim como Lopetegui era acusado de ter jogos que enervavam um santo por serem tão obsessivamente assentes na posse de bola que tiravam o sumo a tudo o resto, tinham poucas ocasiões de golo e eram assentes no rugby, para Lopetegui, a bola tinha que entrar baliza dentro, no pé do jogador. Ontem tivemos o inverso absoluto de tudo isso, em especial na segunda parte. A bola parecia queimar, o jogo era feito na base do pontapé para a frente, sem passar pelo meio, sem ter a calma e a paciência de percorrer colegas ou procurar espaços. Evidentemente, tivemos uns paupérrimos 39% de posse de bola, um número absolutamente indecoroso para uma equipa que se quer campeã. Uma equipa a vencer por 2-0 tem de saber segurar a bola, irritar osadversários, deixá-los pouco confiantes, apostar no erro para, incisivamente, matar o jogo. Não se percebe os nervos da segunda parte. E, se era óbvia a assimetria a meio campo, entre o nosso efectivo 4x2x4 e o 4x3x3 contrário, se o sportem estava a dominar, aí sim, um estilo "Estoril-primeiraparte" tinha feito sentido. E não só depois de um (indefensável) e moralizador golo de resposta. Acabar jogos com o credo na boca, com muita crença e vontade mas sem nenhum discernimento, resulta uma vez. Não resultará, de certeza, duas.

O Macron-man - Bem sei que o Tribunal d'O Jogo não acha isso, mas foi óbvia, para mim, a inclinação de campo verdinha, nas faltas, faltinhas e faltecas permitidas ao sportem e não permitidas ao FC Porto. Pareceu-me que houve, igualmente, penalti sobre Soares e que Marvin Zigelaar não deveria ter acabo aquele jogo. Se qualquer toque é marcado a uma equipa e não é a outra, se o amarelo voa para um lado e sai com muita inércia para outro, e o lado beneficiado é o que é patrocinado pela empresa para a qual se trabalha....não se pode falar de outra coisa senão inclinação.

O menino da lágrima reprise

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Lenda


Espero que a entrevista que Casillas deu ontem a Juca Magalhães, e que foi por este muito bem conduzida, tenha ajudado muitos adeptos a perceber quem temos connosco, talvez só até final do ano. Temos um dos melhores jogadores da História do futebol connosco. Uma lenda.

Iker Casillas foi cordato, moderado, inteligente, mas também sincero e frontal. Não houve rodeios, meios termos ou desculpas: veio ao FC Porto ganhar títulos. Veio para o FC Porto porque este é um Clube vencedor. Mas disse também sem rodeios tudo aquilo que muitos não querem ouvir. No meu entender, estes são os pontos-chave da importantíssima entrevista que deu:
  • Casillas não se desculpa com as arbitragens. Acho muito bem. Disse-o, sem complacências: uma equipa que se quer campeã tem de conseguir vencer um Tondela ou um Vitória de Setúbal sem vir apontar os erros de arbitragem como a principal causa da perda de pontos. Assume as responsabilidades óbvias da equipa neste estilo de situação. Já no jogo com o sportem a coisa é diferente: num jogo onde fomos superiores, fica claro que Casillas percebeu bem o tamanho do roubo que sofremos. A lembrar para a segunda volta. Assim como o roubo em Chaves que nos afastou injustamente da discussão pela Taça de Portugal.
  • Não veio aqui passar férias, o que é muito bom saber. Está obcecado com a ideia dos títulos e, como alguém que já ganhou tudo, quer voltar a sentir o sabor das vitórias. Acho lindamente. Prefiro alguém como fome e vontade do que alguém que está descontraído. Será, sem dúvida, um bom exemplo para o balneário.
  • Foi frontal e disse aquilo que muitos sabem mas talvez não queiram admitir: os nossos rivais têm equipas mais sólidas do que a nossa. Andar todos os anos a vender equipas inteiras, sem manter uma base consistente, é muito prejudicial. Passar a vida a começar do zero não beneficia nada nem ninguém. Só com uma "espinha dorsal", como classificou, por exemplo, o caso do sportem, será possível voltar a ser uma equipa dominadora. Que falta o espírito ganhador para levar as coisas ao limite, um ADN campeão. Estou de acordo.
  • Foi bastante evidente que, na perspectiva da equipa, as coisas pareciam estar bem até ao Natal do ano passado. Estávamos em primeiro, é um facto, e que as mudanças de treinador e a indefinição na equipa precipitaram o descalabro que se viu. A equipa ficou insegura e ansiosa. Foi bastante frustrante para os jogadores "a quatro jornadas do fim já não estar na discussão do campeonato".
  • Fiquei agradevelmente surpreendido em saber que Nuno Espírito Santo é um treinador exigente e que aquela imagem de santo que passa para fora não é igual dentro. Ainda bem. Dentro é que é importante. Se é duro, exigente e frontal, óptimo. Moleza não traz títulos.
  • Por fim, creio que ficou subentendido - pelo menos foi essa a ilacção que tirei - que sem títulos não faz sentido que Casillas por cá continue, o que eu compreendo. Mesmo assim é muito bom saber que a sua grande ambição é  "pôr o cachecol Azul e Branco" e festejar títulos junto com os adeptos.
Por mim, não saía mais. Sei que tem um salário elevado, mas a publicidade que dá ao Clube e a exposição que isso traz certamente compensa. Mais a mais, ficando, não faz sentido que a braçadeira não seja dele. Uma pessoa pode sonhar, e ver Iker Casillas pegar na Taça da Liga Dos Campeões pelo FC Porto seria, certamente, uma alegria que me daria. Mesmo assim, Iker Casillas ontem mostrou bem o seu estatuto e a sua postura: é uma lenda. E será, para sempre, lembrado na cabeça dos Portistas como tendo usado as nossas cores. E eu tenho o privilégio de o ver todas as semanas. E sei disso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Contra a Corrente

Aparentemente, O Jogo mostra hoje que poucos acham que a mudança de treinador é a solução. Acho curioso, e devo estar contra a corrente. É caso para me perguntar, e vos perguntar - e se alguém souber as respostas diga:
  • Qual é a ideia de jogo de Nuno Espírito Santo, que ele tanto fala nos prés e pós match?
  • Se o problema não é do treinador, de quem é? (E falo do problema imediato, não o de eleições que agora não mudaria nada nem coisa nenhuma)
  • Há falta de qualidade nas apostas? É uma equipa jovem? E quem é que não a estava a pedir constantemente, por esta altura, no ano passado?
Registo também, com agrado, a evolução da posição de muitos "notáveis": com o treinador anterior, nada menos do que a cabeça no cepo, e não quebrava recordes negativos uns atrás dos outros. Com este - "o Nuno" - nada senão tolerância e complacência. Esta dualidade de critérios é fantástica. Gosto muito, aliás, do corporativismo de certas figuras: onde antes tudo era horrível, agora é o treinador que "faz milagres", onde antes faltava mística, agora sobra a rodos. Isto apesar de estarmos praticamente à beira de deixar fugir o título em Dezembro. Tudo porque, claramente, NES é um "dos nossos" que, ou já jogou, ou já fez parte e assim tudo bem. Mesmo que fosse o grande Bicho, as minhas críticas seriam as mesmas. Tenho muito carinho pelas figuras, mas um bom jogador não tem de ser, necessariamente, um bom treinador

Deixo já clara a minha posição, caso seja preciso explicá-la ainda mais: acho que NES é um problema, o mais resolúvel a esta altura, e não esperaria mais do que os dois próximos e definidores jogos para tomar uma atitude. Se perdermos pontos com o Braga, já não há grande margem para lá de um milagre no campeonato, se perdermos o acesso à fase final da Champions... bom, já se sabe. Acredito nos jogadores, mas confesso, fiquei preocupado com o semblante carregado de Casillas ontem, no vídeo na sua página de Facebook. Diz ele que vão tentar dar a volta a isto - e esse verbo diz tudo.

Se não houver remédio, há que mudar bem cedo. Mas também está na hora de haver uma alternativa política à SAD vigente, porque as eleições não devem ser "gostas ou não de Pinto da Costa". As eleições devem ser entre a ideia X e a Y (E a Z, e por aí em diante...) para o futuro do Clube. 

E não me venham cá com os "medos" e as "guardas". Sei o suficiente do sentimento de quem vai a todo o lado apoiar o Clube, a expensas grandes e próprias para saber que elas e eles estão, no geral, tão felizes com isto como eu.

Uma alternativa tem de ter um nome respeitado, conhecido, com um gravitas aglutinador mais que suficiente para ser oponente do Presidente mais titulado da História. Não me passa pela cabeça que se proponha algum desconhecido cujo ponto alto de exposição pública seja o FC Porto.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Regresso do Sentir Tripeiro, Sem Apontadores

Via We Are All FC Porto
Mutatis, mutandis. Eis que tudo começa a abrir. Ás vezes é necessário um certo "choque" como toque de alarme para que a reacção aconteça, para que a letargia se abandone.

Hoje, o director para o futebol, Luis Gonçalves, expulso após o jogo com o Setúbal, falou em exclusivo ao JN sobre aquilo que nos preocupa a todos nós Portistas. Como se pode ver, Luís Gonçalves não pede favorecimentos, mas antes "que o árbitro passe despercebido no Dragão ”. 

Aprecio muito este passo dado por LG. Creio que dá força e ânimo à equipa, demonstra que a direcção está com eles e que aprova o seu rumo. Tal como em baixo, assim será no cimo, parafraseando Sir Isaac Newton. Era isto que vinha reclamando há vários meses. Ninguém quer histerias nem cenas ridículas como se vê por outras bandas, mas antes que deixe de haver a noção de que somos brandos e que, contra o FC Porto, tudo se possa fazer.

Cumprimento também os Super Dragões, na pessoa do seu líder, Fernando Madureira, por deixar claro que também os SD estão disponíveis para a recuperação do velho espírito das Antas, em que se sente a pressão - não violenta, sempre positiva, mas que se faz sentir - para que volte a ser um lugar temido e respeitado pelos adversários. Não há nada a fazer senão ter orgulho da nossa identidade guerreira e tripeira. Nada que façamos para ser "cordatos", "consensuais" ou "cavalheiros" vai ajudar a que nos vejam de outra forma. Terão sempre a sobranceria de se pensar superiores a nós. Somos os "andrades" e os "bimbos" , não é verdade? Pois seja! Se temos a fama, tenhamos o proveito da mesma!


E porque tudo é agrado, destaco também a forma desabrida como Iker Casillas tem chamado a sí a responsabilidade de comunicar aos adeptos o pulsar e o sentir do plantel. Continuo a dizer que não sei porque raio não é ele o Capitão mas, juntamente aqui com Danilo Pereira, é bom saber que sabem com o que (não) contam e que estão contra tudo e contra todos.

Para terminar, não posso deixar de sublinhar a forma clara como Rui Cerqueira tem falado e exposto bem tudo o que se passa de bom e de mau com o FC Porto, muito bem ladeado por Bernardino Barros e Cândido Costa. Aqui, na emissão de ontem do Universo Porto, está tudo. Rui Cerqueira não deixou de frisar que já acontecia antes tudo isto, mas que é necessário reagir como antes, e deu brilhantes exemplos da mesma.

Estou a começar a sentir o retorno do sentir tripeiro e isso agrada-me. Até porque "#" é só um apontador de pesquisa. Quero sentir o vibrar do Dragão amanhã e Domingo. Quero sentir o adversário sufocado e a tremer. Este é o FC Porto com que me identifico. Bem-vindo de volta! 

E muito importante: Fica provado que não tem de ser sempre o mesmo a falar!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Enfim, a Reacção.... Mas Não De Todo O Lado


Finalmente, chega a reacção a este estado de coisas. As páginas sobre o FC Porto da edição d'O Jogo de hoje, exemplarmente recolhidas pelo FCP Para Sempre aqui, demonstram bem o estado de coisas, mostram as evidências num compêndio negro que tem de terminar. 

É bom que se reclame e se reaja (mesmo que essa reacção possa não ser exactamente evidente ou visível à grande maioria) para que este estado de coisas não se mantenha. Dizem-me que existe, no entanto. Mas não custava nada dar a conhecê-la, nem que por indirectas ou enigmáticas mensagens...

Porque ninguém reclama favorecimento, ninguém reclama outra coisa senão o fim do acentuado desnível contra nós. Não vamos bramir feitos loucos, mas não nos podemos ficar. Não há mal nenhum em mostrar que não nos podem comer por lorpas e em reclamar tratamento idêntico. 

É do direito de qualquer equipa ter acesso igual a condições justas e equidistantes.

E que alguém reaja porque este aqui em baixo não o vai fazer! Algum dia teria de ser, o dia em que o FC Porto iria ter um treinador que não quisesse arder e imolar-se pelo Clube, como todos os anteriores à excepção de Peseiro. Nuno Espírito Santo não está para o fazer. Tem amigos em todos os quadrantes, tem boa imprensa, boa imagem e sabe que ela é importante para o que se seguirá ao FC Porto.

Este é o corolário, meus queridos assobiativos, às críticas a quem vos rendeu 15M por um treinador, a um treinador que era comparado a um qualquer macaco mas que vos rendeu os vossos últimos títulos de campeão, a um rapaz que não tinha estofo para vos aguentar e à vossa "exigência", e finalmente a alguém a quem vocês, mãos dadas com aqueles que vos desprezam, faziam trocadilhos com o nome, embora este tivesse sido vítima do mais escandaloso roubo que há memória! Não importa! 


Queriam mais, e mais e mais, não é? Como uma criança gulosa, gorda, farta, não querem só títulos, querem "futebol espectáculo", querem tudo e um cento.

Veja-se o caso que O Jogo aborda hoje de Casillas. Casillas está a ser o guarda-redes que menos golos sofre este ano em toda a Europa. Não chega, verdade? É caro e não sei quê! Mesmo apesar do inegável rendimento desportivo - por exemplo, contra o Roma na segunda mão - mesmo que seja um grande instrumento de prestígio e marketing, mesmo que seja - ou devesse ser - uma honra vê-lo a correr de bola na mão e a levar jogares do Setúbal na frente para mandar uma bola para o André Silva em contra-ataque. 

O que é bom é o flavour of the month, neste caso o Marega, que marca que se farta mas com um pequenino detalhe, o do Guimarães jogar sempre contra equipas de "futebol positivo" e nunca fechadas lá atrás, nos últimos metros. Mau é sempre quem temos por cá e neste caso o cepo é Depoitre. Quem é que o antecedeu nessa querida designação, mesmo? Ah, é verdade, foi o Marega!  Depoitre jogou bem contra o Guimarães, jogou bem contra o Tondela, embora à procura do seu espaço,  e marcou um golo contra o Gafanha! Não jogou mais. Culpa sua? Não creio.

Está na hora, sim, de estar com a equipa contra este estado de coisas. E esperar que quem tem de fazer mais, o faça, em prol de futebol a sério!

Sim, futebol a sério, porque cá estaremos para ver se o Paços de Ferreira, a quem, incidentemente, emprestamos os mui promissores Gleison, Leandro Silva e Ivo Rodrigues, vai fazer contra nós o "futebol positivo" que fez contra o fifica. Sim, porque, extraordinariamente, deve ser da "humildade " do treinador, contra o fifica toda a gente resolve abrir linhas, dar espaço, jogar olhos nos olhos e em toda a largura do campo! É uma alegria! Deve ser da cor, ou o carago! Ou então é só mais uma inclinação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Complicómetro e a Capitania


Está mais que visto que há muito a trabalhar no FC Porto. Há que criar rotinas, há que estudar quem é que fica melhor onde e parar de uma vez por todas com esta dança de cadeiras e há que ver como fazer a bola chegar de A a B criando desequilíbrios para que haja mais hipóteses de golo.

Isso é trabalho de treinador. Dizia há dias a um amigo que não acredito que os jogadores gostem de passar a vida a lateralizar. Se o fazem é porque lhes indicam que as jogadas têm de ser construídas em futebol apoiado. Mas não é verdade que tenham de ser sempre.

Seja Herrera, Óliver, Danilo, Rúben, Corona ou Brahimi quando há espaço para a verticalidade e o rasgo individual, este tem de acontecer. É vital que no jogo do FC Porto terminem, de uma vez por todas, os passes para o lado quando para a frente há muito e bom caminho. O colega está desmarcado? É para lá que tem de ir a bola. E, à chegada à área, o remate tem de ser muito mais frequente, porque é sempre preciso sorte para que a bola entre mas esta tem de ser tentada. De uma vez por todas, que termine no FC Porto esta ideia de que a bola tem de entrar baliza dentro. Uma vez mais, o trabalho é de treinador.

Temos material e potencial para tanto! Faço-vos um desafio, se calhar mais para quem tem maneiras mais... criativas de ver os jogos: ver os jogos das selecções, por exemplo  a tricolor mexicana e a rojita espanhola, onde o potencial de 4 dos nossos principais está bem exposto, e tirar de lá as devidas ilações.

Já vimos em todos os jogadores muito mais do que temos em frequência. Esse é um problema sério a ser corrigido. Há muito trabalho para desligar o complicómetro. Mas ele tem de ser feito. Não queremos o futebol à tolinho estilo jesuíta? Não. Mas também não queremos futebol de chutão para a frente e de passe curto e lento, medroso e sem intensidade. Esse é simples. O FC Porto precisa de mais!

Via Papa Pinto da Costa

É fácil de ver também, de uma vez por todas, que o FC Porto precisa de um Capitão. Precisa? Não! O FC Porto tem um Capitão. Um histórico do futebol, voz de comando e autoridade, habita no nosso balneário. Em sua vez, a braçadeira está com um excelente rapaz, mas sem brilho nem qualquer espírito de liderança. A segunda parte foi melhor? Pudera! Este vídeo, cujo som é irrelevante, dá bem para perceber quem tem maturidade, autoridade e experiência para liderar e o efeito que tal produz. Faz algum sentido que ele não seja Capitão?  

Faz algum sentido que alguém que é multi-titulado, que já esteve em mais de 150 jogos da Champions, que já ganhou o caneco mais vezes do que o FC Porto, esteja relegado à condição de jogador normal, por culpa de uma regra absurda de senioridade, quando esta representa, no máximo, três épocas? Faz algum sentido que alguém que é, obviamente, venerado no balneário, esteja atrás de um Herrera, Marcano ou André André na hora de falar? Aliás, a postura corporal desta imagem feliz demonstra bem quem fala e quem ouve! Faz algum sentido que essa autoridade óbvia não seja reconhecida na hierarquia do balneário? Claro que não!

Braçadeira para Iker JÁ! Para termos um Capitão A SÉRIO!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

As Selecções, O "Infiel" E Um Advice

 É um mal necessário, que também pode ser um bem com um certo travo amargo, mas a verdade é que, uma vez mais vamos parar pós ida a Alvaláxia para mais dois pavorosos jogos das selecções. E, desta vez - e acredito que a partir daqui - vão-nos levar o André Silva para além do Danilão. 

Se, por um lado, nos levam o nosso ponta de lança principal, que não é um gigante e que tem uma mobilidade maior, por outro lado também é, evidentemente, uma alegria merecida para o André e uma forma de valorizar ainda mais os nossos activos. Aceite-se, pronto, que se há-de fazer. Mas há sempre uma parte de nós que, naturalmente egoista, vai querer que faça pouco ou que esteja a aquecer o banco, especialmente no jogo particular

Por falar em selecções, Lopetegui decidiu não convocar Iker Casillas. Também aqui, se por um lado entendo, por outro lado mantenho a crítica que fiz a Del Bosque. Não custava nada deixá-lo competir uma última vez, ter uma condigna despedida e fazer o seu exit, stage left. Bem sei que almoçaram juntos no Porto e que o próprio Lopetegui admitiu que lhe quis explicar pessoalmente o porquê, mas não deixa de soar abrupto e algo insensível. É a vida e, uma vez mais, o meu lado Portista puro fica feliz que não haja viagens e desgaste.

Uma "novela" interessante é esta do suposto anti-Portismo de Diogo Jota, o novo reforço do FC Porto. Só se fala no que terá escrito no Facebook quando tinha 16 anos. Dá muito jeito aos MaisTabacos desta vida, porque, afinal, vale a pena escamotear que o FC Porto garante, pelo menos durante um ano, um extremo de elevada força física, velocidade, técnica e de potentíssimo remate exterior

Nesta parvoíce toda, o único argumento se calhar válido é o do preço da opção de compra, uma vez que passou despercebido, aparemente, a tudo o que é scouter de grandes quando estava no Paços de Ferreira. Também não vale a pena dizer que me parece algo estranho todo este frissom, uma vez que o irmão de Jota, André Silva, está nos júniores do FC Porto neste momento. 

E, se falarmos de fifiquismo, lembremos que já tivemos tantos e bons jogadores  e treinadores adeptos de outros clubes - um deles Campeão Europeu, por exemplo - que fizeram o seu trabalho exemplarmente, e isso nunca foi nenhum problema. Tivemos o "Ministro" Costinha, fervoroso adepto do sportem. Ou também, por exemplo, no alto da guerra Norte-sul, um jogador carinhosamente chamado Rui, irmão desta menina, que não podia ser tratado pelo sobrenome, por este estar carregado de rubor...

Além disso, não temos hoje a jogar com as nossas cores um homem que deve ter batido todos os recordes de insultos dados pelos adeptos Portistas, de seu nome Maxi Pereira?

Desde que haja profissionalismo, o resto é totalmente irrelevante! Suem pelo nossa camisola, não comemorem títulos de rivais nem os publicitem e pronto! Mais a mais, quantos já não passaram a ser Portistas depois de chegar ao FC Porto, como o Moutinho, por exemplo?

 Por fim, uma última palavra para dizer que é tão bom ler e ouvir os fãs do Leicester a dizer que podem ficar em primeiro lugar, que somos equipa de Liga Europa, e por aí em diante! Tudo isto é uma importante gasolina, que estou certo que Nuno Espírito Santo saberá usar para alimentar a nossa Garra e Vontade! 

And to the Foxes, a little advice: if you think it will be easy, read my lips: "Trust in the Virgin and don't run!!"

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Gasolina

Ontem, durante o jogo com a Inglaterra, aos 35 minutos, Bruno Alves fez uma entrada assassina à cabeça de um jogador inglês. Sim, eu sei, eu acho inadmissível. Deu vermelho directo, absolutamente incontestado por quem quer que fosse. Logo veio um senhor que gosta de beber pingas de café perguntar se "Estaria Bruno a pensar que ainda jogava no FC Porto, no início do século, com os árbitros desse tempo? Ou julgava que já tinha voltado a jogar no FCP, com os árbitros de hoje?". Não, senhor cromo, mas poderia pensar que joga no verifique dos últimos dez anos, inspirado pelo seu coleguinha Eliseu, uma vez que a este, aqui, nem falta marcada foi (pormenor nesta imagem via Papa Pinto da Costa). 

E é assim que somos vistos, estou cansado de o dizer. Arruaceiros, sujos e corruptos. Isto, apesar de Bruno Alves ter sido bem expulso e Eliseu ter tido muita paixão e não lhe ter acontecido nada. É este sentimento que Nuno Espírito Santo tem que aproveitar como gasolina para a próxima temporada: a percepção pública do que é o FC Porto e o jogo sujo, feio, porco, que a imprensa - até na imprensa generalista e dita séria - fazem sobre nós. Mas este é só um exemplo, muitos se seguirão. A lavagem cerebral continua e cabe a nós acordar as pessoas, especialmente os nossos!

Outra gasolina para o nosso plantel deve ser a forma como os nossos jogadores são, sistematicamente, subvalorizados por quase todos os media. Danilo Pereira, a par de Ricardo Carvalho, foi, sem sombra de dúvida, o melhor jogador do jogo de ontem. Pois a bolha resolve escrever na capa que "decididamente, Renato Sanches merece mais tempo". É uma pressão inaceitável e uma promoção ridícula. O predestinado fez dois míseros passes de rotura. Já Danilo fez duas posições, tapou, cortou, jogou e fez jogar, organizou... e chamou a atenção da imprensa internacional, nomeadamente o The Times, em que Tony Cascarino escreve "José Mourinho esteve em Wembley e deve ter percebido como Danilo encaixaria tão bem em Old Trafford. O Manchester United precisa urgentemente de um jogador como ele. Ele varre as jogadas de forma fantástica e é fisicamente intimidante"

Claro que toda a nação Portista só quer que Mourinho cumpra a sua palavra e não leve nenhum português - Portista! - para Manchester. Mas este tipo de destaque internacional só pode ter agradado ao nosso Danilo e fez subir, certamente, a cotação internacional do nosso trinco/central/tudo e mais alguma coisa. Mas só o jornal "O Jogo" reparou nisso. Não sendo os clubes do regime, não interessa nada. Assim como se viu o esforço que Pedro "MaisTabaco" Sousa referisse o menos possível o nome de Danilo, ontem, nos relato do jogo. Mentalidades pequenas devem ser a nossa gasolina.

Como gasolina também deve ser a diferença de tratamento dos nossos jogadores internacionais. Quando Jonas marcou um golo que nada decidiu, parecia que tinha mudado o destino da selecção do Brasil, com notícias e destaques repetidos ad nauseam. Já quando Miguel Layún, agora nosso por quatro anos e Capitão do México, faz esta fabulosa assistência para Chicharrito fazer o golo da vitória do México contra o Chile, não acontece nada! Ok, quem tem de os valorizar somos nós!

Encorajo, pois, os nossos adeptos a perceberem o real valor do nosso plantel. Nestas pausas de selecções, tentarei dar a conhecer, o melhor possível, o progresso de cada um.

Por último, o Porto Universal dá os parabéns a Iker Casillas e à sua mulher, Sara Carbonero, pelo nascimento do seu filho Lucas!


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Traição Aos Abnegados [ACTUALIZADO ONDE ESTÁ O WALLY]


Aquando do "grande derby que pararia Portugal", Fernando Santos resolveu poupar os jogadores das duas equipas para não melindrar os meninos, nos particulares então marcados. Atiraram com Danilo e André André para cima, e este último teve um desgaste tão grande que não voltou a recuperar. Resultado? O FC Porto reclamou desta opção suicida - e muito bem - e André André lesionou-se de tal forma que até hoje nunca mais recuperou como deveria.


Ontem à noite, nenhuma surpresa. O predestinado lá foi  convocado. Não esquecer, há 5M para receber extra caso o predestinado chegue às 25 internacionalizações. (Já agora, conta? Não tem de ser jogador do Bayern? E se já é jogador do Bayern, não é do benfica, certo? Então o benfas está como o Porto, só com um convocado, certo?) E, evidentemente, André André teve a recompensa do seu esforço. Ah, não, espera! Foi proscrito pelo predestinado! 

É uma dura lição para o André, que todos soubemos que se sacrificou em prol da honra de ajudar o seu país. André André estará, por estes dias, a sentir o mesmo que Baía já sentira antes, a selecção não é para Portistas. E Danilo está lá para as sobras de William Carvalho, e só porque este pode não estar a 100%. A selecção é mais um daqueles lugares fechados ao valor técnico e táctico Portista. E a próxima vez que alguém achar que o FC Porto foi "exagerado" ao reclamar desta utilização suicida do André, lembrem-se da falta que este fez, ao longo da época. E depois perguntem-se porque é que os Portistas não querem saber da selecção e digam que não somos "patriotas". Verei, sim, o Danilo se ele jogar. Verei, sim, Casillas. Verei, sim, Aboubakar. E verei os da Copa América. Tudo o resto, indiferente. E, já agora, já que não convocaram o André Silva, ficarei surpreendido se passarem a fase de grupos.

Meus caros, que queiram acreditar que o Renatinho tem só 18 aninhos, estejam à vontade. Mas o que é demais é moléstia. Dizer que é o "mais jovem de sempre" e não sei quê, é pura e simplesmente não ter vergonha na cara!


ADENDA: Então o Mitroglou custa VINTE E CINCO MILHÕES e ninguém diz nada?! Onde está a escandaleira? E o investimento brutal e exagerado do verifique? E o plantel milionário, de luxo? Só o Jiménez e o Mitroglou custam QUARENTA E CINCO MILHÕES!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Subestimações


O título dos nossos Bs não é um título menor ou irrelevante. É um título de uma relevância extraordinária. É com uma cultura de união, de grupo, e de vitória, como aquela que ficou bem patente em mais um Azul e Branco e mais uma excelente reportagem de Ricardo Amorim - para não variar - que se chega longe. É assim que se cimenta o Portismo de Futuro (*) e se cria laços de sangue azuis e brancos que levam à Identidade que procuramos. Mas a Identidade nova, refrescada, multi cultural, multi colorida que fará as bases do Porvir, cria-se com as conquistas e a entrega que se vê nestes rapazes, neste grupo.

É na mesma uma vitória cheia de lutas e sacrifício. Com quarenta jornadas na liderança. É na mesma uma vitória da superação das adversidades e a tradução de fileiras cerradas que, como diz bem Chicão Ramos, "são o resultado de nos conhecermos tão bem há tantos anos". Sim, é verdade, a maioria deste plantel da equipa B conhece-se desde que se conhecem a si mesmos. E isso não é irrelevante. Não é um "título menor", como não o foi o dos sub 19 no ano passado ou dos sub 17 e por aí fora. É a tradução da luta de quem ganha, contra tudo e contra todos. E que já têm uma noção importante: a que estão mesmo a lutar contra tudo e contra todos.
E isso não é, nem pode ser, nem certamente será, apenas uma questão de quanto custa o passe dos jogadores. É muito mais do que isso. Nesta altura, é fundamental que haja quem sinta a camisola. E estes miúdos já ganharam muito, já superaram muito, já viveram muito, vestidos de azul e branco. E isso é, a todos os títulos, essencial.


Fico também pasmado com a forma blasé e até, porque não dizê-lo, sobranceira, como se menoriza o facto de Iker Casillas ter prolongado o contrato até 2018 e querer, segundo palavras do próprio, terminar a carreira aqui. Casillas é um histórico da baliza, fez algumas asneiras este ano, que todos fazem, mas sendo parte do sector do nosso jogo que mais mudanças teve e que se viu mais descalço. Mesmo assim, nos jogos contra o nosso eterno rival, foi bem patente a fenomenal qualidade de Casillas e a mais valia que pode ser, desportivamente falando, se tiver à sua frente centrais constantes e laterais que saibam defender

À parte da questão desportiva, Iker Casillas tem milhões de seguidores em redes sociais, é mundialmente conhecido e poderia, fosse o FC Porto competente no seu marketing, ser um factor decisivo para a expansão da marca FC Porto mundo fora. O que não se traduz apenas em camisolas, traduz-se em parcerias, publicidade e exultação das qualidades do FC Porto e do Porto enquanto cidade e região. E o extraordinário - e AMADOR da parte do FC Porto - é que Casillas e a sua mulher já o fazem, por eles mesmos! Quer na utilização regular do Instagram, Twitter e Facebook, quer nos vídeos de Facebook e YouTube que este faz, o FC Porto, os seus jogos e o seu progresso, estão sempre constantes e presentes. Iker Casillas não é equiparável, nesse sentido, a nenhum outro jogador do plantel. E bons contratos publicitários não são coisa de somenos. Eu fico muito feliz, em todos os aspectos, com a sua continuidade. Tenho a certeza que, noutro clube mais a sul, Iker já seria um herói nacional.

Em vez de sermos velhos do Restelo, está na hora de exultar o que temos de bom e procurar potenciá-lo e protegê-lo em vez de o menorizar. Temos demasiadas coisas boas que já são menorizadas pelos media corruptos e propagandistas para ainda pregarmos mais um prego. Se não defendermos e gostarmos do que é nosso, ninguém mais o fará.

(*) Estou muito cansado dos "Aconteceu" e das efemérides. O FC Porto foi criado e teve sempre uma cultura de ser um Clube de olhos postos no futuro. Chega de estar sempre a lembrar as "velhas Glórias do Passado". Pontos de referência, sim. Saudosismo, nem pensar. Olhar para o Passado faz-nos ficar parados. E isso não é o FC Porto.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

(Des)Comunicações

Por vezes tenho uma certa pena do jornalismo desportivo, a sério que tenho. Deve ser muito complicado ter de encher páginas de jornais com o mínimo de qualidade para que estas possam ser compradas pelos leitores. Nesse sentido, não fico surpreendido com o facto do rol de "interesses" e "contactos" do FC Porto por jogadores cresça exponencialmente quando estamos na silly season e não há nada suficientemente picante para fazer disso notícia. Inventa-se, edifica-se, sabendo que, algum tempo depois, se vai dar o "negócio" como falhado. O problema é quando o feitiço se vira contra o feiticeiro.

Hoje de manhã eu, mais cedo do que a maioria, vi a capa do jornal d'O Jogo aqui reproduzida em cima. Sei que o interesse da Major League Soccer (concretamente, nesta altura, da equipa de Miami) é real, mas o interesse do guarda-redes, aparentemente, não. Como Casillas não é info-excluído, e sabe que o Departamento de Comunicação do FC Porto funciona lindamente, resolveu fazer um Facebook Mentions (aqui) onde, entre sorrisos, desmente completamente qualquer saída. Resultado: A maior parte das pessoas vê as capas dos jornais de manhã, e às 9, já Iker Casillas tinha desmentido O Jogo. Nada contra o jornal - acontece a todos os jornais desportivos - mas fica aqui o exemplo do que será toda a silly season e o quanto se deve dar uma importância... relativa... a tudo o que não seja oficial.

Por falar em descomunicações, o caso de Peseiro, hoje, é paradigmático. Peseiro tem razão em queixar-se da arbitragem, certamente. Mas deve ser advertido que a desculpabilização de todo e qualquer resultado com as arbitragens, não pode colher. Há que assumir o que é evidente. Esta semana, Capucho deu o exemplo no Varzim que treina. Uma atitude à Porto é esta: assumir os erros, ser claro com as falhas próprias e dos jogadores, e não estar sempre a culpar a situação nos terceiros. Claro que somos roubados, claro que é preciso falar nisso, mas fazer disso o centro não colhe. Há que assumir e responsabilizar-se - que faz - e os seus jogadores - que não faz. Ganhamos 7 campeonatos na última década, apesar de remarmos contra a maré. Como diria Mourinho "em condições normais vamos ser campeões. Em condições anormais... também vamos ser campeões!" Com a coragem a vencer o medo.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Claro Como Água


Pinto da Costa, o Nosso Grande Presidente, deu, ontem, uma entrevista no Porto Canal (resumo aqui, entrevista na sua totalidade aqui) que foi, quanto a mim, completamente esclarecedora.

Foi esclarecedora quanto à posição do FC Porto para o futuro - criar um plantel com raízes, parar com esta porta giratória dos últimos anos, ter jogadores da casa e trocar cirurgicamente.  Estamos todos, naturalmente, de acordo nisso. Alguns dizem que já deveria ter sido mais cedo. Concordo, mas águas passadas não movem moinhos. É bom sinal ouvir do NGP que estão a tratar-se de métodos alternativos de financiamento. É sinal de que o Clube passa a ser o centro. E ainda bem.

Foi muito bom ouvir o NGP dar um chega-pra-lá nas intenções do filho se candidatar à Presidência. Não que ache que isso seria viável, claro, mas nada melhor do que matar o mal à nascença. Concordei, evidentemente, com a explicação sobre o porquê de Antero Henrique estar na administração da SAD. Achei piada à farpa a Angelino Ferreira.

Achei que Miguel Guedes foi um excelente "entrevistador", que fez, directamente, as perguntas menos cómodas. Achei de bom tom a sinceridade quanto aos grandes nomes com que alguns sonham. Achei, mais do que tudo, que o NGP foi franco e, desta vez, nada evasivo. Gosto de ver que o NGP sabe responsabilizar e dar aos jogadores a noção de que têm de ser homenzinhos e preparar-se para tudo o que vão encontrar.  

Evidentemente, se o NGP - que esteve corrosivo à antiga na questão sobre a bolha e o freteiro - sabia que a bolha é o jornal do ficaben, ainda está por explicar o faux pas de convidá-lo para o Dragões de Ouro. Mas erros todos cometemos, e como dizia Confúcio "só erra verdadeiramente quem erra a segunda vez".

Mas, acima de tudo, adorei ouvir a sua admissão de que estavam a ser demasiado brandos na comunicação e que este ano iriam corrigir isso, o que é fundamental, e a questão da arbitragem também me sossegou. Dizer "ganhou a batalha, mas não a guerra" é um sinal de que estamos cá para equilibrar as coisas. Sim, queremos equilíbrio, não favorecimento. E aida bem que há consciência desse défice.

Por falar em défice, e em jeito de conclusão, achei NGP vintage a forma como ele falou da questão da extensão de contrato de Aboubakar. Não só expõe as mentiras dos media como melhora a única coisa que falta a Aboubakar - a confiança. E na questão de Peseiro, foi, naturalmente, inconclusivo, como não poderia deixar de ser. "Contamos com ele" é muito diferente de "ele será". Mas é elegante. Como também foi muito mais, desta vez, com Lopetegui.

É bom ver que o NGP está de regresso à sua melhor forma. Mas é excelente saber que ele incumbiu os dirigentes de cada departamento para falarem. Já não era sem tempo. Agora, ao trabalho, NGP.


NOTAS FINAIS

- Ia falar sobre o processo eleitoral mas não é necessário quando subscrevo tudo o que está aqui. Acrescento apenas algumas notas: não precisei da "coragem de Humberto Delegado", como li por aí, para fazer os riscos nos nomes que bem me apeteceu, não vi ninguém a olhar para mim com ar de controleiro e ainda tive tempo de emprestar a minha caneta ao vizinho do lado. Quanto às cruzes no boletim, devo relembrar que o Clube deu a hipótese de votar em cada candidato nominalmente, numa lista única. Poderia, pura e simplesmente, apresentar uma designação para a lista, num boletim com a mesma a concorrer a cada sector directivo. E assim será, se houver mais do que uma lista no futuro. Em qualquer eleição, as listas estão representadas por uma designação, e a sua composição está à entrada. Nos EUA há votações nominais, mas o boletim é gigante. Quanto às cabines de voto, estou de acordo que deveriam existir. Mas, sabendo que a eleição estava garantida, seria mesmo necessário tanto recurso?

- Se votaram 2400 pessoas, num dia de jogo em em que estavam 27000 na Dragão, estamos a falar de um universo de votantes de 8,9% dos presentes no jogo. Mesmo que fossem apenas metade desses adeptos associados habilitados a votar, estaríamos a falar de perto de 18% de votantes! E assim sendo, os votos nulos seriam apenas 3,74%! Das pessoas, cujo voto seria possível, a assistir ao jogo no Dragão! É essa a "forte onda de contestação"? A mim parece-me que a montanha pariu um rato. E eu pergunto: quem teria mais motivação para ir votar? Quem está a pensar que vem ai o Apocalipse ou quem apoia o NGP?

- E por falar nisso, talvez esteja na hora de apontar baterias para o verdadeiro inimigo: o ficaben e o sportem fizeram dois jogos absolutamente miseráveis. Mas os títulos são "meia hora à campeão" e coisas do género. Contra o Setúbal, ganhamos ambos os jogos, controlamos todo o jogo completamente, sem hipóteses. Está na hora de deixar de ir atrás do spinning dos media e começar a abrir os olhos - temos os nossos defeitos, mas quando há #colinho do outro lado, tudo simplifica bastante. Como as comissões de jogadores sérvios. Ou contratos de renovação. Ou empréstimos para pagar outros. Grandes "rolos compressores" que vão por aí.

Já agora, sabiam que Iker Casillas diz que vai ficar connosco mais duas épocas?

segunda-feira, 28 de março de 2016

Por Toda A Parte Porto, Menos Aqui


No espírito da verdadeira Universalidade deste espaço, na altura das selecções dou mais importância aos jogadores Portistas espalhados pelo mundo do que esta coisa da "selecção das quinas". Confesso que tenho visto bom futebol. Vi o México dizimar o Canadá com 3-0, num recital do trio mexicano do FC Porto (uma assistência do inevitável Layún e um belo golo de Corona, com uma bola previamente salva in extremis - onde é que eu já vi isso - por Herrera), vi Suk marcar um golo fenomenal, vi Brahimi marcar um golo "à Brahimi" tirando 4 da frente, mas também falhar um penalti, e, principalmente, vi Casillas tornar-se o jogador espanhol mais internacional de sempre, coroando o feito com três excepcionais defesas. O relatador dizia, a certa altura, que ele estava com a frescura e a agilidade de um jovem com menos dez anos.

Mas aqui, por Portugal, destaca-se, obviamente retirando do contexto de que Casillas falava enquanto jogador de selecção, que este já esteve mais longe de se retirar. Não me digam! Ah, que surpresa! Curiosamente, Casillas tem menos quase três anos do que Júlio César do ficaben. Mas isso não interessa, é mais uma campanha para abafar o valor internacional do plantel do FC Porto. Não me canso de dizer, este é um blog de Portistas para Portistas e, se quem deve fazer estes sublinhados não os faz, fá-los-ei eu de bom grado. É vital que os meus caros consórcios vão entendendo as manobras de publicidade e venda de glória de alguns e a tentativa de subjugação de outros.

E sim, também nos subs tivemos boas exibições Portistas, Gonçalo Paciência (da Académica, dizia o relator) marcou e deu a marcar, Francisco Ramos, Ricardo Pereira jogaram metade do jogo contra o México, José Sá e Rúben um pouco mais e o nosso menino Rúben Neves marcou um belo golo de cabeça a Raúl Gudiño (do União da Madeira, diz o relatador).

Já agora, meu menino Rúben, se me lês ou algum teu familiar ou amigo por ti, não fiques triste. Estás a fazer o teu caminho muito bem, solidamente, estruturadamente, com cabeça tronco e membros, sem seres catapultado para o fogo fátuo de uma "glória" fajuta e que dura o tempo de uma efeméride. O teu ex colega de quarto é agora o mais melhor grande do mundo, com um cabelo cheiroso - como muito bem faz notar o meu caro Vila Pouca - e um perfume de rosas a cada passo que dá. Lá porque teve direito a "invasões de campo" não faz dele um melhor 6 ou 8 que tu. Aliás, talvez não saibas - foi um pormenorzinho que "escapou" à entrevista ao "invasor" - o pequeno Diogo que veio abraçar o teu amigo como se do Papa Francisco se tratasse, é na verdade um jogador dos infantis do ficaben! Que giro, não é?

Mas sabes, Rúben, eu gosto disso e tu também deverias gostar. Assim as expectativas irrealistas e exageradas estão nas costas de outro e tu tens tempo para ser o Pilro ou Lucho que sempre ambicionaste ser. Porque, sabes, lá porque a Verdade Portista está hermeticamente selada pelos marketeers do sul, não a faz ser menos Verdade. E assim cresces melhor. Vá, força, contamos contigo. Só o tempo e o trabalho faz a verdadeira grandeza. Talento já tu tens. E ainda bem que tens tempo.