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quinta-feira, 10 de maio de 2018

O enterro do minuto 92

Tendo nascido em 1986, não tendo como tal passado pela origem do FCPorto como hoje o conhecemos, pelas mãos do Mestre Pedroto e do Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, não tenho qualquer problema em considerar que este titulo foi o mais saboroso que já experienciei como adepto.

Assistia ao pré-match do jogo da consagração no Porto Canal quando o Rui Cerqueira falava da forma como este titulo estava a ser celebrado, confessando que tinha sentido em anos anteriores que havia "fadiga" de tanta celebração entre os adeptos, duma forma generalizada. Recuei ao ano de 2013 e recordo-me que, pese embora a magia indescritível do golo do Kelvin, é verdade que a celebração do titulo em si não foi de arromba, que o treinador de então nem era sequer um bem-amado, e que foi muito mais engraçado olhar para o lado e gozar com "a cabeça do lampião que continua(va) a inchar" . De certa forma isso será algo normal, haver uma certa acomodação face à fartura. Qualquer treinador serviria para dar continuidade ao trabalho da estrutura, não era? Polvos à parte, o que se seguiu provou-nos que o auto-convencimento pode ter resultados trágicos a médio/longo prazo.

Partimos para esta temporada com muitas duvidas, muita incerteza quanto à capacidade dum plantel constituído maioritariamente por jogadores que não conheciam o sabor da vitoria com as nossas cores, que pareciam terminar cada época a ter medo da própria sombra, um treinador com um currículo pobre em títulos e experiência de clubes grandes (e com um histórico de relações conflituosas em quase todos os clubes que treinou), um clube intervencionado financeiramente pela UEFA após anos de fugas para a frente, desinvestimento, plantel desequilibrado, venda das joias da coroa, etc, etc.

Fui o primeiro a torcer o nariz à escolha de Sérgio Conceição como homem do leme, antecipando nova época desastrosa, como é alias apanágio da minha doentia incapacidade cronica para ter algum optimismo. E este meu pessimismo imbecil teimou em não partir, e voltou ao de cima em força após a derrota copiosa com o Liverpool, o empate em Moreira de Cónegos e especialmente após as derrotas em Paços e Belém. É para mim importante partilha-lo: eu fui o primeiro a não acreditar e a atirar a toalha ao chão. E então este título deve ser sobretudo bem esfregado nas fuças deste idiota que vos escreve, não porque tenha duvidado (isso parece-me perfeitamente normal), mas por ter repetidamente atirado a toalha ao chão, prevendo hecatombes bíblicas a cada percalço dos nossos rapazes.

Partilho agora convosco uma pequena história, carregada de simbolismo para mim. No dia 14 de Abril à noite, estava aqui este imbecil com insónias, filho e mulher a dormir serenamente, porque na cabeça não paravam de passar imagens duma derrota ou empate comprometedores no dia seguinte na Luz. Até que ainda meio atordoado ouço a minha mulher gravidérrima dizer-me "Z, rebentaram as aguas e estou com contracções". De manhã, a família passou a ser de 4; mais um rapaz, mais um dragão no Mundo. Não é agora a parte em que vos digo que isso me encheu de esperança para o clássico na Luz, porque nada se alterou. Mas devo confessar-vos que mal tive certeza de que a bola do Herrera tinha batido na rede, se apoderou de mim a confiança que aqueles desgraçados andaram a carregar durante toda a época, de que desta vez não ia haver coisíssima nenhuma que nos impedisse de sermos felizes de novo. Vale o que vale, mas conseguem imaginar a historia que vou ter para contar ao meu mais novo quando ele me perguntar quem é aquele feioso cujo poster está no quarto do Pai, numero 16 nas costas e braçadeira de capitão?

Este título é, acima de tudo, de Sérgio Conceição, e espero que isso fique bem claro na cabeça de todos. Não estou de acordo quando se diz que ele herdou uma equipa de tostões: isso é factualmente falso. Herdou sim uma equipa despedaçada moralmente, e seguramente com menos opções validas (teoricamente) do que os rivais. Ao treinador foi pedido, não que montasse uma equipa recheada de jogadores desconhecidos vindos directamente de equipas pequenas (como em /2002/2003), mas sim que pegasse num grupo de jogadores que já levavam 3 ou 4 anos de Porto sem um único motivo de celebração, aproveitamento de jogadores emprestados com qualidade (como Ricardo e Aboubakar), e proscritos (Marega, Reyes ou Hernâni), e deles fazer um grupo com estofo de campeão. Reparem, que quando digo que a qualidade global da equipa não era tão ma como quiseram fazer parecer (basta para isso comparar posição por posição os nossos jogadores com os dos principais rivais), isso não invalida que a nível de opções não tenha sido um plantel curto. Relembro que a dada altura, tínhamos apenas dois laterais, sendo que um deles tem ainda idade de júnior, que ficamos sem Danilo uma boa parte da segunda metade do campeonato, sem Aboubakar, Soares, Marega, Ricardo, Telles, Marcano, Corona em determinadas alturas, e sempre houve soluções, sem me lembrar de haver uma queixa por parte de Sérgio. O grande mérito de Sérgio foi a injecção duma crença sem limites nos jogadores, a construção dum grupo solido, blindado, em que todos foram sempre tratados de igual forma, um grupo que soube a cada momento perceber e proteger as suas fraquezas e que potenciou ao máximo as suas forças. Um modelo de jogo que, embora não consensual (pessoalmente não é o meu preferido), foi reduzindo adversários a pó e criou um dos ataques mais concretizadores da historia do clube.  É também a Sérgio que devemos a simbiose perfeita que uniu jogadores e adeptos desde o primeiro dia, união essa personificada na roda do final de cada jogo. Sérgio trouxe a um grupo derrotado, vergado a 4 épocas a seco, uma injecção de adrenalina, confiança, estofo, liderança, que fazem dele o grande obreiro por detrás deste titulo, e fez com que pela primeira vez em muitos anos volte a haver unanimidade quanto à continuidade dum treinador no clube.

É igualmente um título dos jogadores, de todos os jogadores, da sua solidariedade, dum espírito de dragão há muito arredado das nossas bandas. Dum grupo que se fortaleceu a cada Santa Maria da Feira ou Vila das Aves, que soube ir buscar forças depois de Paços e fundamentalmente Belém; um conjunto que não esmoreceu mesmo quando estávamos atrás e tivemos de ir a Luz buscar este campeonato, mesmo que idiotas como eu o dessem como perdido. Dos heróis prováveis, como Brahimi ou Casillas, aos improváveis Marega e Herrera. Um conjunto que depois de tantas temporadas amargas, de "bateres no fundo" consecutivos, trabalhou muito mais do que qualquer outro para ser feliz. A todos eles a minha vénia. Todos.

Finalmente, é um titulo dos adeptos. Dos que conseguiram estar sempre lá e dos que tiveram de acompanhar à distância; de quem sofreu 4 anos de péssimas escolhas e falta de organização; de quem esteve lá naquelas noites frias de empates com Rios Aves, Boavistas, derrotas com Benficas, Sportings e Tondelas; de quem esteve no Jamor naquela injusta derrota na final da Taça. Para quem passou por Paulo Fonseca, Lopetegui e NES. Para quem passou por palminhas, "mucha ilusión" e um treinador sem alma. Derrotas e empates humilhantes e um Dragão despido e sem chama. Para quem sempre acreditou e para quem tombou ao primeiro murro. Para as noites mal dormidas, e as imagens repetidas até à exaustão das festas dos rivais. Desde o inicio desta época que dissemos ao que vinhamos, os adeptos: queriamos o Porto campeao. E foi assim em todo o lado: no Dragão, no Mónaco (único jogo que pude presenciar ao vivo e a cores), mas principalmente em Liverpool, em Belém e na partida para a Luz. Não um mar, mas uma muralha azul, sempre a proteger os jogadores, a levá-los em ombros até à meta.

Para mim este título marca também (e duma vez por todas) o adeus ao minuto 92 do Kelvin. Esse momento é agora uma doce recordação do passado, um momento maravilhoso que marcou o fim dum ciclo. Os 4 anos que se seguiram foram uma amostra do amolecimento, descompressão, baixar da guarda que a arrogância pode gerar. Um banho de humildade de que, sejamos honestos, todos estávamos a necessitar. Que nunca mais julguemos ser possível conquistar títulos sem trabalho, sem competência. Que nunca mais um titulo deixe de ser celebrado com a força, comunhão, garra com que este foi celebrado. 

Que o futuro esteja a ser preparado desde há meses. Que se blinde quem tem de se blindar sem entrar em loucuras. Que não se pense que poderemos alguma vez voltar às más decisões dum passado recente. Se a torneira tiver de se manter fechada, mantendo assim a viabilidade do nosso clube, que assim seja. 

E pelo amor da santa, havendo algo prioritário, que isso seja manter Sérgio Conceição ao leme do nosso navio.

Agosto está aí à porta e há uma Supertaça para ganhar.

Um abraço a todos, de terras do Sul de França,

Z



P.S.: treinem os filhas das putas dos penalties!!!! PORRA! 









domingo, 1 de outubro de 2017

Fazer Acreditar - Z

O Mónaco-Porto da última 3ª feira marcou o início duma nova era de portismo para mim: o primeiro jogo a que pude assisitir ao vivo como emigrante. Desde que a fase de qualificação ditou que a equipa da cidade onde vivo não participaria na fase de Grupos (o OGC Nice), dediquei todas as minhas energias para as rezas, vodu, danças da chuva e do sol (principalmente do sol, que aqui não chove), para assegurar que o Porto jogaria por perto (Juventus ou, idelmente, Mónaco). O meu indescritivel mijo, tipo aquele que costuma ter aquele indivíduo manquinho, que bebe muita água durante os jogos, e lá os vai ganhando sem saber (ao que parece com cada vez menor intensidade, e com maior propensão para umas quedas barulhentas), lá fez com que o Porto viesse jogar a uns quilómetros de minha casa. Foi quase como ir do Porto a Vila do Conde ver o jogo.


Primeiro jogo do Porto fora de portas, primeiro jogo de Champions ao vivo desde o BATE Borisov, primeira oportunidade de ver ao vivo a equipa deste ano. Oportunidade também de medir o pulso à nossa massa adepta, e de tentar perceber como se vive afinal o portismo a uns valentes quilómetros de Portugal.

Antes do jogo, ambiente morno pelo principado. Uma invasão ordeira de portistas de varios recantos de França, também do Luxemburgo, Bélgica e, claro està, Portugal. Gente que se levantou de madrugada, para fazer centenas de quilómetros, passar pelo exercício de paciência de tentar arranjar lugar para o carro no sobrelotado principado, apenas para ter de passar pela monumental dor de cabeça duma interminável fila de trânsito no final. Tudo por aqueles 90 minutos, ver aquele azul e branco no campo, pela partilha de portismo nas bancadas que só quem vai aos jogos fora de portas sente, misturado com aquela emoção de poder fazê-lo pela primeira vez em muito tempo, porque nem sempre a sorte dos sorteios bafeja os corações dos que estão longe. Muita malta nova de cachecol azul e branco ao pescoço, sem saber muito bem falar português, mas a saber de cor os nomes de jogadores, treinador, canções, o hino. Aquela prova saborosa (se é que provas havia a dar) de que ser um clube de dimensão internacional ultrapassa contagens e recontagens de sócios, ou propaladas melhores academias de formação do mundo; é chegar aqui, a França, e ver um tipo com uma camisola do Porto por amor a Lisandro Lopez, ou toalhas de praia com o nosso símbolo por causa dum tal Brahimi. É todos saberem aquela equipaça que em 2004 conquistou a Europa, mas também que foi viveiro de jogadores de topo que espalharam e espalham qualidade por esse Mundo fora, mesmo sem as máquinas de propaganda por detrás, e sem rastas no cabelo.

Ambiente pintado de azul e branco mas, ainda assim, sereno. Talvez ainda feridos pela derrota na primeira jornada de Champions, e pela chamada ao planeta Terra, penso que todos fomos ficando algo convencidos da treta do "plantel para consumo interno", que a nossa entrada em falso, a nossa notória ausência de opções e a nossa comunicação social nos foram impondo. Talvez todos estivéssemos convencidos de que se trataria apenas uma questão de saber qual a crueza dos números finais; afinal, tratava-se dum jogo na casa dum semi-finalista da Champions da época anterior, que mesmo tendo perdido jogadores, tem um plantel com bastantes mais opções do que o nosso. Ter, por exemplo, um Jovetic no banco, quase parece sacrilégio para quem em tantos jogos apenas teve Hernâni como opção directa de ataque. 

São também 4 anos de feridas profundas que tardam em sarar. 4 anos de promessas de melhor que se foram esfumando no ar, deixando quase sempre um aroma de conformismo e desolação, tantas foram as oportunidades de ouro desperdiçadas, tantos os tiros no pé que foram sendo dados. 

Não vos vou mentir, a escolha de Sérgio Conceição para nos comandar esta época não me caiu nada bem. Se foi principalmente pela falta de timoneiro que terminámos a época transacta com a sensação amarga de ter estado tão perto de escrever outro tipo de história, nunca a escolha de Conceição me pareceu a mais adequada para nos dar aquele impulso extra, que nos permitisse não claudicar contra os Vitórias de Setúbal desta vida em momentos decisivos. ou viver das vitórias morais e das grandes actuações dos nossos adeptos nos jogos da Champions. Se associarmos isso à forma calamitosa como a nossa época teve de ser preparada, ao que tudo indica porque não há dinheiro para absolutamente nada que não seja mais um guarda-redes, começa a pairar nas nossas cabeças aquela desconfortável sensação de déjà-vu. Olhamos para Maregas e Hernânis com estupefacção, e vemos fugir-nos das mãos as nossas pérolas. 

E a época começa... e as coisas começam a correr bem. "Se calhar não passamos em Braga", mas acabamos por passar com distinção. Vem a derrota com o Besiktas e logo nos passa pela cabeça que a equipa possa cair numa espiral depressiva, e que cheguemos a Novembro já a pedir que rolem cabeças. Ainda por cima "vem aí um Rio Ave que fez a vida negra a um dos rivais" mas lá acabamos por ganhar de forma assertiva. A seguir, uma goleada em casa, com outra equipa que há bem pouco tempo podia (e devia) ter saído da Luz com outro resultado. Com os patinhos-feios (sobretudo Marega e Herrera) a fazer pela vida. Sem Óliver. Com um Brahimi estrondoso, a driblar como Madjer, e a recuperar bolas como Fernando Reges. 

O que esperar no Mónaco? Sucumbir perante uma equipa que vem duma temporada de sonho e que tem registos ofensivos demolidores ou resistir? Ficar com a certeza de um Porto para consumo interno, ou uma equipa para lutar por mais? 

Na paragem para jantar algo antes do jogo, começam a chegar sinais preocupantes. Sérgio Oliveira no onze, com Oliver de fora, e a manutenção da aposta em Marega. Fiquei petrificado, perante o que mais me parecia uma Jesualdização ou Robsonização de Sérgio Conceição. Apostar num gajo que ainda não jogou esta época num jogo desta importância? "Estamos fodidos..." teimava em me dizer o meu sempre mais forte lado pessimista. Sérgio Conceição tinha prometido um Porto à altura dos seus pregaminhos na antevisão deste jogo. Teríamos mais um NES no banco, mais promessas de muita coisa, e desenhos em quadros, e não fazer um caralho dum remate à baliza porque vamos todos borrados para dentro de campo?

Começa o jogo, e nota-se que estamos ansiosos. A bola corre mais próximo da baliza lá do fundo, e umas perdas de bola deixam-nos alguns calafrios na espinha. Mas a equipa solta-se, e vai chegando à frente. Primeiro sem perigo; de repente com mais algum perigo. "Lá vamos nós para a merda dos lançamentos longos", pensei eu a revirar os olhos ao ver Alex Telles a dar passadas largas para efectuar o lançamento de linha lateral. Confusão. Aboubakaaaaar.... GOOOOOOLOOOOOOO!!! A bancada vem abaixo, abraça-se os amigos e também aqueles que estão à volta. Ficámos na frente, de forma natural face ao que fomos crescendo no jogo. Até ao intervalo, mais uns avisos, e zero sobressaltos lá atrás. Exibição de personalidade. "Carago, o gajo prometeu e, sem dúvida, cumpriu." Em 45 minutos Sérgio mostrou-nos que o Porto tinha realmente ido ao Mónaco para mostrar a sua fibra. Isto com Herrera, Marega e a "invenção" Sérgio Oliveira. Sem Óliver ou Corona. Com um Brahimi que, ao intervalo, levava mais dribles do que 5 ou 6 equipas da Champions juntas nessa noite. Isso e os rins dum desgraçado dum jogador adversário, que ficou estatelado lá perto da nossa área face a mais um momento de magia do Yacine. 


E agora, a ganhar 1-0, ficariamos fechadinhos cá atrás a defender o resultado? Conseguiríamos conter a natural reacção monegasca? Teríamos estofo para aguentar mais 45 minutos assim? Tivemos, oh se tivemos. Sérgio Oliveira faz um passe impossível, estilo "quarter-back", e só a sofreguidão impede Marega de marcar, só com o guarda-redes pela frente. E nem vos digo a maravilha que foi ver da bancada visitante o desenrolar da jogada do 0-2. A prova de que levávamos a lição muito bem estudada, sabendo exactamente onde "matar" o nosso adversário com o futebol mais simples do mundo. Drible de Brahimi, passe magistral a desmarcar Marega que, com espaço, fica sem ter de tentar fintar (porque não sabe), mas pode correr como um desalmado (fá-lo na perfeição) e ganhar facilmente vantagem sobre o defesa. Passe para o meio e... foi só encostar. Futebol de contra-ataque, simples e eficaz. Um drible, dois passes, para fazer a bola chegar da nossa área à baliza contrária. Simples, mas trabalhoso. Eficaz, mas bem trabalhado. Dando de barato que o último golo surgiu já numa fase de muito desacerto monegasco, fica a nota para a sede de mais golos que os nossos jogadores quiseram saciar. 

0-3 no Mónaco. Honestamente, quantos de nós imaginaram que fosse possível uma vitória tão clara frente a um adversário tão complicado, fora de portas? Arrisco-me a dizer que ninguém imaginou um cenário desses. Ninguém imaginou uma vitória ao nível daqueles fabulosos 0-5 em Bremen.
A não ser... Sérgio Conceição. Porque não foi do nada que surgiu esta colossal vitória europeia; viu-se ali trabalho de casa, a cada recuperação de bola e saída em transição, sempre com movimentações bem definidas pelos 4 da frente (Brahimi, Marega, Aboubakar e... Herrera), ou a cada vez que o jogo do Mónaco era conduzido para as faixas, surgindo cruzamentos que foram sendo sucessiva e serenamente cortados pelas nossas torres. A diferença entre o querer fazer, e o fazer. O prometer e o cumprir. Foi-me prometido um Porto à Porto, e foi isso que tive. E teria tido, mesmo que o resultado fosse outro, porque a forma como a equipa se vai movendo, e como se compensa quando há falhas (porque as há, e não são poucas) é de um grupo que está a ser preparado para poder quebrar, mas nunca, nunca, nunca torcer. Sérgio disse-o, e os jogadores acreditaram e sentiu-se que foram para dentro do campo com esse objectivo: ser Porto, sem ter de andar a propalá-lo com hashtags. E foda-se, se há coisa mais linda do que ver os extremos do plantel (em termos de qualidade de futebol), Yacine e Marega, a lutar com a mesma abnegação e orientação para o bem comum?

O primeiro passo para se ter sucesso num desporto colectivo é conhecer muito bem os nossos pontos fortes e, sobretudo, as fraquezas, para se conseguir camuflá-las ao máximo. Todos sabemos que Brahimi é um génio com a bola nos pés, e a malta deixa-o fazer os seus desequilíbrios a vontade. Mas se é Marega que fica sozinho, logo surgem inúmeras linhas de passe, para lhe retirar a pressão de ter de fazer o que não consegue: fintar. Nestes pontos simples, vê-se uma equipa que se conhece bem. Sabe até onde e como pode ir. Isto vale ouro. E o mérito tem de ser dado ao timoneiro. A cada jogo que passa, e percebendo cada vez mais o quão limitados estamos financeiramente e a nível de opções de plantel, dou cada vez mais mérito e sinto cada vez mais respeito por um indivíduo que: 

1- não foi a primeira opção e, sabendo-o, aceitou vir
2- teve de andar a juntar "restos" e, sabendo-o não virou a cara
3- nesse contexto, e com a desconfiança da grande maioria dos sócios e adeptos do clube (eu inclusive) conseguiu esta senda de resultados favoráveis, e recolocar de novo a equipa e o público muito próximos.

Sem lugares comuns, sem discursos vazios, sem arrogâncias. Com trabalho e serenidade.

Escrevo isto ainda antes de irmos a Alvalade. Não tenho ilusões: estaremos perante o adversário mais duro de roer no seu reduto nos últimos anos, temos um historial altamente desfavorável e somos o alvo a abater como líderes isolados. Mas eu acho que é mesmo disto que o Sérgio gosta. E estou profundamente convicto de que cada centímetro de cada jogador do Porto irá entrar em campo em Alvalade com o espírito certo, que o jogo foi bem preparado, e que não haverá lugar a vitórias morais, ou a jogar para festejar empates. Nunca o senti nas épocas anteriores, e devo ao Sérgio senti-lo agora. Pode correr mal? Obviamente que sim. Mas em Alvalade, mais do que nunca, acredito naqueles rapazes. E se correr mal? Foda-se, continuo a acreditar. 

Acho que, mesmo com todas as limitações do mundo, há 4 anos que não estávamos tão próximo de começar a reerguer-nos como nesta época.  

Um abraço a todos,

Z


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

FC Porto 4-0 Estoril - Maregol Ao Compasso do Maestro, Apesar Do Ladrão Miguel


Ambiente excelente no meu reencontro com amigos - na verdade, nem por isso! Como é, minha gente? Talvez por ser quarta-feira.. - e com a emoção de voltar a fazer aquela curva ventosa antes da minha porta de entrada. No meio de um mar de gente claramente não a habitué, lá me sentei, entusiasmado para ver o jogo, com alguns nervos.

Nervos, esses, que também tinham eco na equipa. O FC Porto entrou algo perdido em campo, visivelmente ansioso, a tentar fazer o seu jogo, mas a falhar na "hora da verdade". Quer dizer, a falhar, ou talvez não! Do outro lado estava uma equipa que, aposto, será uma das cinco primeiras desta época. 

O Estoril é uma equipa invejavelmente organizada, com uma subida e descida em bloco impressionantes e com uma velocidade de trocas de bola em zona de finalização e basculização de jogo impressionantes. Não fosse termos na baliza um monstro chamado Iker Casillas e, pelo menos duas, tinham morado lá dentro. Pedro Emanuel fez o jogo que lhe foi possível. Mas isso não lhe retira mérito algum! Bem pelo contrário!

Havia também outro porquê. Aboubakar falhava todas as oportunidades que lhe eram apresentadas, com Alex Telles- - mais um bom jogo, seguro - à cabeça, e as que metia, eram anuladas. Notava-se a frustração e ansiedade na cara do Vincent. Abou é assim, sinusoidal. Habituemos-nos. No entanto, nem só de golos vive um ponta de lança e em tudo o resto Abou esteve espectacular - nas tabelas, na criação de linhas de passe, no apoio defensivo e  na recepção - excepto na área. 


Quem tenha estranhado a falta da pressão sufocante na primeira meia hora, encontra rapidamente a resposta. Estávamos a jogar, a essa altura, com dez. Soares entrou lesionado, saiu pior. Nada da explosão nem das corridas. Nunca deveria ter entrado. Mas antes de culparmos Sérgio Conceição ou o Dr. Pulga, convém lembrar que Soares é, com certeza,  daqueles perigosos que diz sempre que está porreiro, mesmo quando está todo rebentado. Fica de aviso. Que seja pouco tempo, que precisamos dele. Sim, porque Rui Pedro tem de estar é a jogar na B e nem sempre Marega será Maregol

Só que ontem foi. É injusto dizer que Marega teve sorte. Marega acreditou e foi buscar e aproveitar o erro adversário com eficácia, isso sim. E depois, não valeu só por isso! Marcou outra vez mas, principalmente, foi capaz de segurar a bola, de roubar bola, de defender, de subir, de procurar a linha e de fazer bons cruzamentos! É muito bom ver que os jogadores valem bem mais do que achamos. Como os meus colegas e amigos do A Culpa é do Cavani. É verdade, saiu um episódio novo, um bónus. A ouvir aqui.

Juntamente com isso, ontem foi uma noite de Yacine Brahimi brilhar. Não esteve tão bem defensivamente como Corona, mas vai ser uma dor de cabeça para os adversários. Principalmente, quando virem que as faltas sobre ele são mesmo faltas! Brahimi com liberdade é um perigo à solta. E não só para si, como a criar espaços para colegas e a fazer passes para ocasião!


Mas a noite foi do grande mestre disto tudo, o Maestrinho Óliver. Para termos ideia do crime que foi cometido sobre Óliver no ano passado, este acabou o ano com três golos - um de ressalto - e três assistências. Três! Ontem, Óliver fez duas. Num só jogo. A diferença não está em Óliver nem no que ele é capaz de fazer, mas sim em como é utilizado. Ao contrário do outro coisinho, Sérgio Conceição sabe da importância absolutamente basilar de Óliver. De tal maneira que é indiscutível para SC, marcando inclusivamente cantos e livres. O resto é o Óli que (quase) todos apreciamos: intenso, com uma leitura prodigiosa do jogo, e neste momento, também agressivo na recuperação de bola e rápido no apoio defensivo. A Óli só falta golo. Esperemos que venha depressa. Entretanto, deleitemos-nos com o seu futebol. Óliver Torres será, com certeza, um cometa de lastro brilhante que passará por cá pouco tempo. E será um orgulho ter vestido o Manto Sagrado.

Finalmente, outro que merece todas as loas é o nosso Capitão. Marcano esteve soberbo. Soberbo! Na defesa, impecável, nos tempos de jogo, excelente. Já teve toda a praxe de capitães - já levou um soco na cara e já jogou lixado, marcou um golo que o imbecil de quem falarei a seguir não queria validar e soube pôr o gelo no jogo quando isso o exigiu. Ivan Marcano. O Capitão do FC Porto. Um verdadeiro Smooth Operator. E mai nada!


Este idiota deste grandessíssimo filho de trinta putas - como diz um amigo meu - é o paradigma do verdadeiro inimigo que teremos de enfrentar. Mais do que Paixão, Capela e Mota, este asno é tudo o que está errado na arbitragem. Tendencioso, maldoso, propositado e provocador, Hugo Miguel só conseguia ver faltas a favor do FC Porto se não fossem perigosas para o Estoril, ficou claramente com Brahimi atravessado e foi absolutamente nojento na sua dualidade de critérios, sendo o ex-líbris o amarelo patético a Danilo, o ignorar um violento pontapé nas "jóias de família" de Hernâni e este vómito que vemos em cima. Sim, é verdade. Soares estava de lágrimas e este grandessíssimo cabrão de merda estava a mandá-lo levantar-se! Não esquecemos o "veneno" e o que andas a semear vai ser a colheita da tua desgraça! Não é falta de qualidade - é absoluto ataque. Não é possível permitir isto!

Por último, uma palavra a Sérgio Conceição: obrigado! Obrigado por nos devolveres a alegria em ver o FC Porto, a esperança e os golos. Bem sei que havia muita gente a rezar que fosse a erecção mictória mas não é! Com a tua direcção, o FC Porto está sempre mais perto da vitória! E o milagre que fazes neste plantel não pode ser ignorada! Força, estamos contigo! 

Venha o Tondela. Temos umas continhas para ajustar com o senhor Surreal.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Enfim, a Reacção.... Mas Não De Todo O Lado


Finalmente, chega a reacção a este estado de coisas. As páginas sobre o FC Porto da edição d'O Jogo de hoje, exemplarmente recolhidas pelo FCP Para Sempre aqui, demonstram bem o estado de coisas, mostram as evidências num compêndio negro que tem de terminar. 

É bom que se reclame e se reaja (mesmo que essa reacção possa não ser exactamente evidente ou visível à grande maioria) para que este estado de coisas não se mantenha. Dizem-me que existe, no entanto. Mas não custava nada dar a conhecê-la, nem que por indirectas ou enigmáticas mensagens...

Porque ninguém reclama favorecimento, ninguém reclama outra coisa senão o fim do acentuado desnível contra nós. Não vamos bramir feitos loucos, mas não nos podemos ficar. Não há mal nenhum em mostrar que não nos podem comer por lorpas e em reclamar tratamento idêntico. 

É do direito de qualquer equipa ter acesso igual a condições justas e equidistantes.

E que alguém reaja porque este aqui em baixo não o vai fazer! Algum dia teria de ser, o dia em que o FC Porto iria ter um treinador que não quisesse arder e imolar-se pelo Clube, como todos os anteriores à excepção de Peseiro. Nuno Espírito Santo não está para o fazer. Tem amigos em todos os quadrantes, tem boa imprensa, boa imagem e sabe que ela é importante para o que se seguirá ao FC Porto.

Este é o corolário, meus queridos assobiativos, às críticas a quem vos rendeu 15M por um treinador, a um treinador que era comparado a um qualquer macaco mas que vos rendeu os vossos últimos títulos de campeão, a um rapaz que não tinha estofo para vos aguentar e à vossa "exigência", e finalmente a alguém a quem vocês, mãos dadas com aqueles que vos desprezam, faziam trocadilhos com o nome, embora este tivesse sido vítima do mais escandaloso roubo que há memória! Não importa! 


Queriam mais, e mais e mais, não é? Como uma criança gulosa, gorda, farta, não querem só títulos, querem "futebol espectáculo", querem tudo e um cento.

Veja-se o caso que O Jogo aborda hoje de Casillas. Casillas está a ser o guarda-redes que menos golos sofre este ano em toda a Europa. Não chega, verdade? É caro e não sei quê! Mesmo apesar do inegável rendimento desportivo - por exemplo, contra o Roma na segunda mão - mesmo que seja um grande instrumento de prestígio e marketing, mesmo que seja - ou devesse ser - uma honra vê-lo a correr de bola na mão e a levar jogares do Setúbal na frente para mandar uma bola para o André Silva em contra-ataque. 

O que é bom é o flavour of the month, neste caso o Marega, que marca que se farta mas com um pequenino detalhe, o do Guimarães jogar sempre contra equipas de "futebol positivo" e nunca fechadas lá atrás, nos últimos metros. Mau é sempre quem temos por cá e neste caso o cepo é Depoitre. Quem é que o antecedeu nessa querida designação, mesmo? Ah, é verdade, foi o Marega!  Depoitre jogou bem contra o Guimarães, jogou bem contra o Tondela, embora à procura do seu espaço,  e marcou um golo contra o Gafanha! Não jogou mais. Culpa sua? Não creio.

Está na hora, sim, de estar com a equipa contra este estado de coisas. E esperar que quem tem de fazer mais, o faça, em prol de futebol a sério!

Sim, futebol a sério, porque cá estaremos para ver se o Paços de Ferreira, a quem, incidentemente, emprestamos os mui promissores Gleison, Leandro Silva e Ivo Rodrigues, vai fazer contra nós o "futebol positivo" que fez contra o fifica. Sim, porque, extraordinariamente, deve ser da "humildade " do treinador, contra o fifica toda a gente resolve abrir linhas, dar espaço, jogar olhos nos olhos e em toda a largura do campo! É uma alegria! Deve ser da cor, ou o carago! Ou então é só mais uma inclinação.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Antevisão CD Feirense - FC Porto (Taça CTT) e Algumas Notas


Agora que a Taça CTT (da liga? da bjeKa? Whatever!) já se foi (curiosamente o sportem parece que também está com um pé fora...) e que tudo se encaminha para que seja ganha pelo de sempre, pela enésima vez, é altura de pôr a jogar os valores da equipa B e dar andamento àqueles que o mister precisa de mudar o chip (Imbula, aimtokintuiu) e pôr a render. Vai ser um jogo que verei com alegria, tenho orgulho na minha equipa B e acho que vai fazer boa (melhor?) figura.

Helton e Raúl Gudiño (guarda-redes); Maicon, Rúben Neves, Varela, Sérgio Oliveira, José Angel, André Silva, Imbula, Suk, Víctor García, Maurício, Pité, Francisco Ramos, Rodrigo, Gleison, Chidozie e Omar Govea.

(4x2x3x1):  Helton; Victor Garcia, Mauricio, Chidozie, Angel; Imbula, Ruben Neves; Varela, Francisco Ramos, Gleison; André Silva;

O caríssimo proto-candidato Baía já veio dar uns esclarecimentos que, na verdade, não são novidade para ninguém. No entanto, no seu imenso panteísmo, não deixou de dar, novamente, (mais) um tiro no pé. Mas isto é ele a ser ele próprio.

Meu caro Vítor, meu ídolo de juventude, deixa-me explicar-te uma coisinha: se achas que o FC Porto está com uma estrutura (não toda, pelos vistos) doente, era agora que deverias formar uma lista, para as próximas eleições, para debater assuntos que - penso eu - devam ser urgentes, porque te preocupas tanto com eles. Ou não. Ou sim. Não sei. Tu é que sabes.

Ser Presidente não é só ser eleito quando essa eleição é provável. É ter ideias e um projecto, uma obstinação e uma vontade abnegada de pôr o FC Porto à frente de tudo, porque passará (ou ia) a ser a tua vida, entendes? O próprio presidente-adepto lá de baixo perdeu as primeiras eleições, entendes? Se recuas agora, estás a prestar um mau serviço à tua alternativa. Mas ela nunca existiu, verdade? É só uma forma de dizeres "Primeiras!", nem que seja quatro (ou oito...) anos antes!

Marega e José Sá já falaram como jogadores do FC Porto, e o Presidente já explicou o negócio. Parece que foram pedidos expressos do mister Peseiro. Que ele saiba extrair o melhor destes atletas, em prol do FC Porto.