Confesso que esperei um volte-face nos rumores que apontavam que Rafa Soares fosse emprestado, uma vez mais, pelo FC Porto. Ainda ontem o escrevi, acreditei que Layún fosse relocalizado e que a palavra dada não fosse retirada.
Não estou feliz. Bem sei que não é pelo facto do Presidente ter dito - porquê? para quê? desnecessário - que Rafa teria lugar no plantel que esteve haveria de necessariamente ter. A palavra do Presidente deve ser encarada dentro de contextos que podem mudar. No entanto, o pouco que se vê nesta parte do defeso, é francamente desanimador e indicia a continuação de uma política, no mínimo, desfasada do seu tempo.
Este ano, com os empréstimos dos jogadores vindos da equipa B (Xicão Ramos, Rafa Soares e, num outro nível, Gonçalo Paciência), sobra, até ver, apenas Victor Garcia, de quem também se fala que poderá ter um empréstimo para jogar na Primeira Liga. E sobra, também, um indiscutível André Silva, já integrado no plantel principal o ano passado, cuja qualidade faz com que seja, espero eu, de manter sem contemplações.
Então, que sobra de uma equipa campeã nacional, que tenha continuidade para a A? Nada. Ao contrário da sábia política dos nossos rivais, não há qualquer integração de nenhum jogador - ou talvez apenas de um - campeão nacional, que venceu mais de 40 jogos seguidos! Que exemplo se está a dar aos atletas? Que horizonte?
No sportem são integrados num sistema que os absorve dentro daquilo que é a desculpa orçamental, mas o facto é que dois dos três sectores estão abundantemente preenchidos com jogadores "da casa". No ficaben, idem aspas aspas. O FC Porto, por seu turno - sendo que é quem está em pior situação orçamental - continua a tapar as vagas com matéria prima vinda de fora.
E agora pergunto: Qual é, realmente, a motivação de um atleta da equipa B ao olhar para esta situação da equipa principal? Poderá mesmo continuar a sonhar com a A? Nesta entrevista, Rafa Soares fala de que trabalha há 10 anos para cumprir um sonho. É este o alcance daqueles que se formam nas nossas academias? Ser emprestado ad aeternum para ver a sua vaga preenchida por um talento estrangeiro caro que poderá, inclusivé, ser de menor qualidade?
Sou favorável a que haja uma triagem entre as integrações no plantel e os empréstimos de rodagem. Faz sentido. No entanto, rodar e re-rodar jogadores para que se gaste dinheiro em dois jogadores para a mesma posição, é de uma falta de noção da realidade que só nos pode deixar preocupados.
Não bastam camisolas de Viena e anúncios bonitos. Tem de haver uma efectiva alteração de política desportiva. Um louco é aquele que, agindo sempre da mesma forma, espera resultados diferentes. E eu sou, por estes dias, um Portista muito preocupado.
Obviamente, não incluo neste lote Leonardo Ruiz. Depois de uma época brilhante nos sub-19, o rendimento na equipa B teve muito aquém das expectativas. Se não se chega a acordo para o valor da sua renovação, é livre de procurar outro rumo. Estivesse eu tão descansado com o rumo da equipa A como estou com o detalhe dado ao rumo da Formação. No entanto, não deixo de dizer:
Formação, PARA QUÊ?


