Vamos despachar os clichés de uma vez. O que importa são os três pontos, para a história fica o resultado e não a exibição e a Ópera é no S. João. É pena que é tudo mentira.
O que importava ontem era o boost de confiança depois de uma derrota róbada (Silva®), ter um jogo que agregasse adeptos, uma goleada tranquila que ensinasse a quem tivesse a veleidade de dizer que vinha "ao Dragão para ganhar", que pensasse duas vezes.
Nada disso aconteceu. A nossa defesa é miserável e parece que estamos a perder aquilo que vimos quando chegou Peseiro. Já se foram os processos simples, a pressão na área, o tiro rápido - foi Sol de pouca dura.
Houve muita gente na área, sim - a passar a bola uns aos outros, com medo daquele espaço em frente chamado baliza. E, defensivamente, é constrangedor ver a forma como somos comidos, como o União ganhou metros com bola aos nossos defesas, no contra-ataque, como tudo isto está tão, tão, tão mau. Em seis minutos, uma equipazinha como o União foi capaz de nos meter enfiar golos lá dentro, sempre da mesma maneira, pelo lado esquerdo, onde mora um defesa (?) esquerdo que não é capaz de tirar uma bola.
Ainda há quem ache que merecíamos ser campeões? Pois. Vamos ver se este pesadelo acaba. Oito jogos de sofrimento a caminho. Vamos a notas.
Hector Miguel - Voltou o Super-Herrera, felizmente cada vez mais presente desde que pôs o seu talismã no braço. Rápido, intenso, batalhador e consciente, é pena que seja quando está perto da porta da saída que esteja a ficar no ponto. Que continue assim até ao fim.
Aqueles que tentaram - Sérgio Oliveira fez quase tudo bem, tentou o remate exterior, abriu espaço entre linhas, foi esclarecido no ataque. Não foi por ele que deixamos de ser aquilo que deveríamos. Brahimi também tentou e tentou e tentou. Não posso concordar com quem diz que se agarrou demais à bola, não tinha era a quem passar a bola. Se há alguém ansioso por fazer tabelas é Brahimi. Mas, principalmente, Maxi foi alguém que batalhou até ao fim, até ao limite das forças e ainda fez uma superior assistência para golo. Ele sabe o que tem de fazer. É fundamental que todos percebam também.
O passador - Não tenho memória de uma defesa do FC Porto tão má. E não estou a falar de centrais, estou a falar da defesa. O meus parabéns ao Rúben pelos seus 19 anos, mas não se pode ser tão macio para não fazer faltas e pressão a meio campo. Não se pode permitir que se galguem metros na lateral ou que se esteja sem marcação na nossa área. Casillas não pode fazer nada sem linha defensiva a cobri-lo. E o que é preciso para alguém pôr o pé?
Não chega, gente! - Nem só de golos vive um homem, e o que Corona e Aboubakar foram uma sombra daquilo que já os vimos fazer. O primeiro ainda entrou com vontade, mas perdeu-se sempre no 1x1, não foi capaz de segurar uma bala, receber um passe, fazer um passe de rotura. Já Aboubakar parecia que estava a jogar no tempo da transmissão televisiva, sempre com um delay de 4 ou 5 segundos em relação ao tempo da acção. Muito fraquinho. Assim, não vamos lá.
Peseiro - Sempre soubemos que o estilo de jogo de Peseiro é balanceado para o ataque e, como tal, permeável a golos. Mas o que se está a passar é muito mau. Nem contundência atacante, nem domínio com posse de bola, nada. Estamos no pior de dois mundos. Com uma defesa cheia de buracos - por favor não me venham com a treta de que teve de mudar peças, teve uma semana inteira para os trabalhar - e um ataque trapalhão e medroso, a continuar neste passo não estou a ver caminho para ele no próximo ano.
Já agora, para terminar, noutros tempos a imagem aqui em baixo forraria o balneário Portista, para se lembrarem do estado das coisas neste Portugal, e o quanto somos amados por todos. Este discurso, de quem lhes tinha espetado 2 batatas, cheio de peito e moral - apesar de errado, na prática, os golos não foram sequer desse lado - seria um combustível para ganhar vegonha na cara. Penoso, muito penoso. E muito triste.












