Mais um dia passa, mais uma cabal demonstração de que o inimigo "interno" incomoda mais do que o externo. A resposta às declarações de Vítor Baía parece da escola primária, de menino a fazer birrinha e a dizer "tu és cócó". O Presidente também se engana em números e datas, não é por aí.
Poderia ser, sim, por outro lado: poderia ser por perguntar onde estava o sócio Vítor Baía aquando da Assembleia Geral, se ele precisa do follow spot para brilhar e se ele acha que o "momento certo" é quando tudo for pelo ar. Também, já agora, e sem fazer ataques ad hominem, que não é o meu estilo fazer, perguntar às "glórias do passado" se sempre puseram o Clube à frente de tudo o resto.
É legítimo procurar uma vida melhor e melhores contratos. É legítimo querer assegura uma vida, numa carreira tendencialmente curta e cheia de vicissitudes possíveis e prováveis. O que não se pode querer é Sol na eira e chuva no nabal. O FC Porto precisa de contenção na política de compra e venda e não necessariamente de a mudar. A espinha dorsal da "Mística" também veio de contratar grandes jogadores - que não grandes nomes - com o dinheiro de vendas. Só foi possível contratar Jackson, Danilo, Deco, Lisandro, Lucho, etc, etc porque se abriu o caminho com outros. Deveria ter ficado uma coluna de Capitães. Sem sombra de dúvida. Agora querer que a equipa B seja uma A, santa paciência!
Há muito Portismo, e às vezes com sotaque, na Casa do Dragão. É preciso preservá-lo. Como em tudo na Mãe Natureza, demora o seu tempo a expandir-se e florescer. Mas, no Presente, estamos à deriva. No meu entender, é preciso ir buscar um ou dois Capitães. Que joguem. Que sejam. Que vibrem. Para fazer a transição. Mas há muito Porto a pulsar nas veias das camadas jovens. E até com sotaque. Há muito por onde ir buscar.
Os "Guardiões da Mística" são os novos "cinco violinos". São os dos tempo cor de sépia lindo, onde cada jogo era um hino, cada jogada uma ode. Pelamordasanta! Não me lixem! Ninguém vos tira o lugar na História. Não sejam é sobranceiros. Apropriadamente motivados, já podemos ter dois capitães agora: o Danilo pela sua raça e o André pela linhagem. Não é, contudo, com dois dias de casa que se ganha autoridade e ascendente para o comando. É com tempo e casa. Mas de certeza que não é a olhar para trás, maravilhados no Museu, que traremos novos títulos para este.
E pronto, como seria de esperar, o porreirismo de Peseiro chegou às primeiras páginas dos jornais. Como não haveria de chegar? Um treinador que admite ainda não sentir ainda o que é o FC Porto, que os seus jogadores também não, que são frágeis donzelas que devem ser protegidos, que o Maicon é fraco... Não poderia ser senão aproveitado por quem nos quer prejudicar. Será mentira? Discutível. Será uma avaliação honesta? Certamente. É o local apropriado para ter essa reflexão, o espaço público? CERTAMENTE QUE NÃO!
Lopetegui era estupidamente fechado com a imprensa nacional e os adeptos. Peseiro tem língua solta. Havia um tempo em que o FC Porto era uma muralha. Está na hora de retornar ao que de bom se teve. Porque roupa suja não se lava na rua.
Há muita coisa a mudar, e urgentemente. Aproveitar o que serve, mudar o que não serve. Porque o futuro é já agora. E o FC Porto tem de estar à frente de qualquer ego.





