Ora aí está. O sempre inclusivo e meiguinho mundo da bluegosfera já vomitou outra designação que vai ter mais lastro do que um cometa: o papalvo. O papalvo, no contexto Portista, é aquele que ousou acreditar que Pinto da Costa (NGP) está mesmo com vontade de mudar as coisas e de as devolver a su sitio. O significado da palavra é, literalmente, aquele que é facilmente ludibriado; sujeito ingénuo, simplório ou pacóvio.
Há agora uma nova casta de Portistas, os superiormente inteligentes. Esta casta não se deixa enganar pela palha servida pelo NGP! Não, para esta superior casta, o NGP é um salafrário, um ladrão, alguém cujo único fito é acalmar o povo para poder continuar a mamar na mama do Clube. Para eles, o discurso do NGP é "para boi dormir" e está "ultrapassado".
Esta superior casta também adoraria ver Pinto da Costa pregado num cruz, não sem antes levar umas boas chibatadas pelos crimes da sua "gestão recente". Já não adianta o Presidente reconhecer que esteve mal e querer encontrar um novo rumo, nunca deveria ter estado mal para começar! Agora é tarde, agora acabou, agora só "sangue novo" poderá devolver o FC Porto ao seu legítimo lugar.
Essa casta superiora está também ciente de todos os problemas, todos os erros, todos os faux pas. No entanto, têm um problema, vivem no Olimpo e o Olimpo não tem uma estrada para a Terra. Não são capazes de se agregar numa lista, não têm liderança, e em comum têm apenas a frase "é obvio que o problema é X" onde X é uma variável, muitas vezes aleatória, mas 90% das vezes arrancada directamente da bolha, do rascord, ou da lixeira da manhã. Para além da frase, comungam do lema "não sei para onde vou, só sei que não vou por aí".
A crítica é sempre mais fácil do que a solução. Aliás, não há nada mais simples e "coerente" do que estar sempre contra! É fácil negar que o próximo concorrente possa ser comissionista porque ele não existe, é fácil negar que o próximo concorrente possa ser aldrabão porque ele não existe, é muito fácil acreditar numa hipotética alternativa porque ela, ao não existir, poderá ser sempre tudo o que for sonhado, por cada um, na sua visão particular de Portismo.
No entanto, exceptuando os corajosos e corajosas que interpelam a SAD nas Assembleias - e tenho a honra de conhecer alguns deles e delas pessoalmente - também é muito confortável dizer tudo sentadinho o seu cantinho. Afinal, não se pode ser responsabilizado por uma ideia que não se tem ou uma alternativa que não se apresenta!
Mas nada tema a casta inteligente, nós, os papalvos, quando ganharmos títulos, festejá-los-emos convosco. O papalvo tende a ser inclusivo. Afinal, de maneiras diferentes, queremos todos o mesmo, não é verdade? Só que uns gostam mais de Joe Satriani do que outros, pronto!
