domingo, 8 de maio de 2016

Campeões Contra A Tacanhez


O FC Porto B é Campeão Nacional da Ledman Ligapro. Antes de mais, parabéns rapazes! Foi, é, e ainda será, esta semana, um prazer ver-vos jogar, a vossa Paixão, a vossa entrega, o vosso Sentir e jogar à Porto. Hoje estiveram mais de 6 mil, num prémio mais do que justo para o fantástico trabalho que fizeram. É claro que, vamos acreditar que esta vai ser a média de assistências este ano, verdade? Claro, claro, os 516 de média são uma coisa do passado, certamente. Tenho a certeza que Paulo Miguel Castro se enganou totalmente ao dizer que "faz lembrar certos políticos, que aparecem para cortar a fita". A partir de agora, só assistências acima dos 3 mil. Mesmo assim, ainda não dava para compor minimamente o Dragão...

Adiante. Foi uma bela vitória sobre o ficaben B, que continua a ter sobre si o fantasma CNS. Mas tenho a certeza que o maior dos prémios que a maioria destes atletas deseja é o prazer de jogar na equipa A. Jogadores como Graça, Victor Garcia, Chicão Ramos, Tomás Podstawsky e, claro, José Sá, e estão mais que prontos para isso, ou para ganhar estaleca e rodagem numa equipa competitiva da Primeira Liga antes de ingressar na equipa principal do FC Porto. Mais do que qualquer outra coisa, a entrega, a querer e o Portismo de cada um destes jogadores é indubitável. Foram Campeões de uma forma muitíssimo justa, ao estar na frente do campeonato mais de 3/4 do tempo das absurdas 45 jornadas da prova.

Curiosamente, parece que, a julgar pela SIC, a única que falou da tarde de hoje, os Campeões foram o Desportivo de Chaves. Directos, entrevistas, 7 minutos de abertura. Nem uma só referência ao FC Porto B. Zero. É claro que isto de ter, pela primeira vez na História, uma equipa B como Campeã é uma coisa de somenos importância. Até porque parece que somos menos de 10% da população nacional. 

900 mil é, realmente, insignificante como audiência. Pelo menos, segundo o verifique Simões, que diz que sportem e benfas fazem 90% da população nacional interessada em futebol. E este é o pensamento dominante abaixo do Mondego. É assim como nos vêem, como um residual insignificante, e é por isso que fazem de tudo para nos afastar deste "campeonato de amiguinhos" que tanto desejam. 


E é por isso que há que perceber que se tem de ir à luta com as mesmas armas e que, lamentavelmente, não há espaço para sermos como uma equipa da Bundesliga ou da Premier League, longe do lodo pantanoso da contestação arbitral e de se fazer valer contra erros. Há que voltar a ser feio, porco e mau. Esta na altura de voltar a afrontar os poderes que como podem ver na imagem, estão mais do que instalados. Chega de tentar ser consensual e aceite. Nunca o seremos na vida. Não vale a pena tentar sequer. Como se vê na imagem acima, só poderemos passar por palermas, ao tentar fazê-lo.

Identidade, cultura de vitória, solidariedade, Irmandade, Um Por Todos, Todos Pelo FC Porto. Saber, sentir, perceber, absorver que estaremos sempre sós nesta luta desigual. Saber que cada Vitória será um feito Heróico, uma Odisseia e que é mil vezes mais difícil para nós do que para qualquer outro. Mas é bom saber que um dos nossos Capitães do próximo ano já sabe as nossas músicas, que um jogador raçudo mexicano nosso já se identifica com a nossa formação. Estamos no bom caminho. E o futuro apresenta-se num Azul e Branco Forte.

 
 
(As fotos de hoje foram tiradas por João "Golden Dragon" Santos,. Um dos 516 que esteve lá sempre).

sábado, 7 de maio de 2016

Análise Rio Ave 1-3 FC Porto Um Bom Jogo Em Fade-In


Quem visse apenas os 20 primeiros minutos do jogo do FC Porto, era capaz de falar numa qualidade ao nível do jogo com o Tondela. Lentos, complicativos, desligados, desleixados, desposicionados, apesar de sempre a tentar atacar, a dar muito espaço e a perder muitas bolas de uma forma infantil, assim se começou. Foi, aliás, de uma dessas perdas infantis, dos pés de Brahimi, que a bola acaba por sobrar para Hélder Postiga que, de zona frontal, remata com qualidade - embora me pareça que Helton estivesse adiantado - para um grande golo.

Ao contrário do que seria de esperar, neste já clássico "jogo de remontada", não se notou grande reacção Portista, apenas uma série de chegadas à área muito confusas. E foi numa dessas que aconteceu o Milagre que só se verá uma vez este milénio. André Silva é agarrado na área e Paixão marca o penalti, que Layún converte, como sempre bem, para devolver a justiça ao resultado. Não daria para, no primeiro tempo, fazer mais.

Fez-se depois no segundo. Sérgio Oliveira - para mim o melhor em campo - foi tentando, foi rematando, foi insistindo e, depois de um remate colocado defendido para canto, aos 56', marca quando a bola sobra em zona frontal, com uma bomba extraordinária. No início da segunda parte já se notava mais o fade-in de qualidade, a equipa ia crescendo em qualidade, em organização e vontade e, a partir do golo de Sérgio Oliveira, tomou autenticamente conta do jogo e não deixou o Rio Ave responder. 

Faço notar que o FC Porto teve, nesta segunda parte, uma solidez defensiva muito grande, com faltas a meio campo a cortar contra-ataques, muito empenho e entrega e muita solidariedade defensiva. Depois, foi só confirmar, já a terminar o encontro, a vantagem merecida, num ataque rápido, com Maxi a colocar pela direita a bola em Varela, que recebe magistralmente, e coloca a bola com força cruzado ao primeiro poste.

Um bom jogo, que cresceu do mau para o bom, roçando o muito bom, mas com a vontade à Porto e a união dos atletas. Estamos, a continuar assim, a bom ritmo para vencer a Taça de Portugal.


Sérgio Oliveira - Quanta raça hoje, a ser o autêntico MC do jogo, a controlar os tempos, a definir as jogadas, a fazer passes de rotura, a defender com vontade, a rematar com confiança. MVP do jogo, para mim conquistou lugar no plantel do próximo ano. Acho até que Sérgio Oliveira é dos tais jogadores que fazem a espinha dorsal do FC Porto, com toda a intensidade e espírito de sacrifício que é exigido a quem tem sangue azul e branco nas veias.

Bons sinais e esperança renovada - Numa equipa sem Danilo, Rúben foi agressivo como nunca o tinha visto, ganhou lances de cabeça e tentou até ao limite as recuperações, Marcano foi o patrão da defesa, com classe, a ganhar tudo de cabeça, a fazer as dobras e apoio a um Layún que hoje esteve muito melhor a defender do que a atacar, e ainda bem, porque um lateral tem de saber defender, e Miguel parece ter percebido que é menos extremo e mais lateral. Não ficamos pior. Maxi esteve por todo lado, como sempre, e faz boa parelha com um Varela que esteve num dia muito bom, a defender e a atacar, num dos seus melhores dias. O golo foi inteiramente merecido. Assim como o merecia André Silva, que tem, no entanto, que controlar essa ansiedade e procurar fazer o golo que tiver de ser, que não seja necessariamente bonito mas eficaz. No entanto, foi insuperável na entrega e na vontade. A tua hora chegará, puto!


Brahimi - Aqui e ali esteve bem, mas nota-se que já fez o check-out do Clube e que já está a jogar de favor. Muita qualidade naqueles pés, muito arejo naquela cabeça. Lento, complicativo, a segurar para lá do razoável a bola, foi mais a pedra na engrenagem do que a mudança de velocidade que se lhe exigia. Tenho pena. Depois da Taça, au revoir. Chidozie também esteve demasiado irascível, e se o jogo não fosse a feijões, e se houvesse mais "paixão" no jogo, Chidozie teria ido tomar banho mais cedo. Peseiro tem de lhe puxar as orelhas.

Correr atrás do prejuízo e entradas em fade-in - Não é exclusivo de Peseiro, mas pode acabar no consulado deste. Uma entrada forte faz um jogo forte, uma entrada fraca faz... o jogo que fizer. Foi um jogo em crescendo, que precisou da "pimenta" de um golo em contra para impulsionar esse crescendo. Hoje correu bem. Mas mais vale prevenir que remediar. Convém inverter esta tendência.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

(Des)Comunicações

Por vezes tenho uma certa pena do jornalismo desportivo, a sério que tenho. Deve ser muito complicado ter de encher páginas de jornais com o mínimo de qualidade para que estas possam ser compradas pelos leitores. Nesse sentido, não fico surpreendido com o facto do rol de "interesses" e "contactos" do FC Porto por jogadores cresça exponencialmente quando estamos na silly season e não há nada suficientemente picante para fazer disso notícia. Inventa-se, edifica-se, sabendo que, algum tempo depois, se vai dar o "negócio" como falhado. O problema é quando o feitiço se vira contra o feiticeiro.

Hoje de manhã eu, mais cedo do que a maioria, vi a capa do jornal d'O Jogo aqui reproduzida em cima. Sei que o interesse da Major League Soccer (concretamente, nesta altura, da equipa de Miami) é real, mas o interesse do guarda-redes, aparentemente, não. Como Casillas não é info-excluído, e sabe que o Departamento de Comunicação do FC Porto funciona lindamente, resolveu fazer um Facebook Mentions (aqui) onde, entre sorrisos, desmente completamente qualquer saída. Resultado: A maior parte das pessoas vê as capas dos jornais de manhã, e às 9, já Iker Casillas tinha desmentido O Jogo. Nada contra o jornal - acontece a todos os jornais desportivos - mas fica aqui o exemplo do que será toda a silly season e o quanto se deve dar uma importância... relativa... a tudo o que não seja oficial.

Por falar em descomunicações, o caso de Peseiro, hoje, é paradigmático. Peseiro tem razão em queixar-se da arbitragem, certamente. Mas deve ser advertido que a desculpabilização de todo e qualquer resultado com as arbitragens, não pode colher. Há que assumir o que é evidente. Esta semana, Capucho deu o exemplo no Varzim que treina. Uma atitude à Porto é esta: assumir os erros, ser claro com as falhas próprias e dos jogadores, e não estar sempre a culpar a situação nos terceiros. Claro que somos roubados, claro que é preciso falar nisso, mas fazer disso o centro não colhe. Há que assumir e responsabilizar-se - que faz - e os seus jogadores - que não faz. Ganhamos 7 campeonatos na última década, apesar de remarmos contra a maré. Como diria Mourinho "em condições normais vamos ser campeões. Em condições anormais... também vamos ser campeões!" Com a coragem a vencer o medo.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O Jogo Da Bancada


Acho impressionante a forma como o futebol português tem a capacidade de fazer ilusionismo, o misdirection e a cortina de fumo, o jogo dos espelhos e dos cumprimentos especiais.

O ex-líbris desta capacidade fenomenal está no Guardanapo. Ao mesmo tempo que diz que o verifique pode tramar-se na questão do jogo da mala, já nada diz do "jogo da bancada". O que é o "jogo da bancada"? É o jogo que o verifique mais gosta de jogar, aquele de fazer com que o verifique "jogue sempre em casa", onde quer que vá. 

Como os comícios partidários, com autocarros cheios de aparatchicks para fazer monte nos comícios, também o verifique é adepto de comprar uma bancada inteira para os seus poderem entrar e sentar-se em apoio à "onda vermelha".  A isso o senhor Guardanapo não desdenha.

Não desdenha, pois não, assim como não desdenharia que a final da Taça CTT fosse jogada nos Barreiros... pena que Pedro Proença não deixou. Continua a palhaçada alegremente repetida. É ficar a ver a banda a passar, verdade? Pois. Pode ser, no entanto, que o Marítimo se lembre de quem ganhou a Taça da Liga do ano passado. Pareciam, à altura, algo surpreendidos....

Há por aí muita diferença de tratamento nas notícias, consoante a cor: Se Pedro Guerra, director de conteúdos da bostatv, diz o que alegadamente se passou no balneário do Guimarães sobre o discurso de Sérgio Conceição, das duas uma: ou há escutas no balneário ou há algum informador entre os jogadores/equipa técnica. Seja como fôr, gosto muito da forma blasé como se pode fazer acusações de crimes ou, pelo menos, a julgar pelo Carmo e a Trindade quando se falou de um prémio especial aos jogadores para ganhar um jogo por parte do FC Porto - apesar de possível e não ilegal - uma grave ofensa. Como diz o Vila Pouca, imputáveis são só alguns. Provar, tá queto. E, assim sendo, não é difamação? Pois, só se fosse alguém do FC Porto a dizê-lo....

Também parece que, Matrioskas, só mesmo em Braga. Curioso. Bem se sabe do passado democrático e nada vermelho da Procuradora Geral Distrital da capital, mas é engraçado, parece que não se fizeram buscas na segunda circular! Não é nada com eles! Ainda bem que, como diz o ratazana tão bem dissecado pelo Miguel Lima, "não há nenhum indício de um clube grande pelo meio". Como no caso deste samba, também os verifiques dizem: "não é nada meu". Vamos então fazer mais umas quadras ao som deste samba? Borá lá.

E de quem é essa coca toda?
Não é nada meu.
E de quem é este chequezinho?
Não é nada meu.
E de quem é este voucherzinho?
Não é nada meu.
E de quem é este jogador dos outros?
Não é meu, mas também é meu.

De quem é toda esta bancada?
Não é nada meu.
E de quem é esta comissão?
Não é nada meu.
E de quem é esta empresa fantasma?
Não é nada meu.

Excelência eu não tenho nada,
Isso é tudo de amigos meus.

Para fechar o pagode com chave de ouro, só faltava o Bruno Paixão na Vila.... a ver se a anedota acaba este ano e no próximo ano falamos a sério.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Vontade, Querer E União: Os Ingredientes Do Sucesso [ADENDA KARMA]


Ontem, o Leicester, o underdog do campeonato inglês da Premier League, sagrou-se campeão. É a demonstração cabal de que os nomes, as estrelas, não fazem os campeões. O Leicester tem uma fracção do orçamento de um City, de um United ou de um Chelsea.

O que teve foi união, espírito de sacrifício e vontade. Num certo sentido, essa também é a matriz do que faz o FC Porto o FC Porto, desde sempre. Claro, fomos buscar talento aos trópicos e outros lugares, mas a área metropolitana do Porto sempre foi a raiz da identidade daquilo que faz a transposição da luta Nortenha para o futebol.

Não mudou o centralismo: está até cada vez pior. É por isso que faz falta recuperar o FC Porto enquanto símbolo de uma unidade Guerreira contra os poderes de um regime que nos quer fazer desaparecer a todo o custo. É por isso que "um por todos, todos pelo FC Porto" tem de ser um lema escrito no balneário, por muito ultra-moderno que seja. 

Acredito que este é o futuro do FC Porto, a substituição do orçamento pela raça, vontade e querer, até à última gota, até que as pernas se encham de cãibras, até que não sobre mais um átomo de energia para a vitória. Não temos de ser um colosso cheio de estrelas, temos de ser um dos grandes com gente humilde e trabalhadora, polvilhada com alguns craques mas cujo prazer seja jogar pelo FC Porto.

Acredito que essa será a grande novidade da próxima época. Não ficarei surpreendido, não ficarei senão agradado, se não vier o próximo craque que diga que fica muito feliz se jogar na Champions. Não. O campeonato é toda a prioridade. E as Taças. E Ser Porto. De uma vez por todas. Para nunca mais se perder o centro. E a razão de jogar. O Brasão Abençoado, no Início e No Fim.

Neste sentido importa também o ponto de vista de Simão Fernandes, sobre a união dos adeptos com o Clube, magistralmente exposto no comentário ao post de ontem reproduzido abaixo. (a formatação e destaques são meus)

"A minha opinião é simples e sucinta. 

Acho que nós portistas merecemos passar pela fase horrível pela qual passamos actualmente. Pode parecer quase masoquista da minha parte tirar esta ilação, mas estas aguas agitadas pelas quais navegamos foram, em boa parte provocadas por nós. 

Falando na situação desportiva apenas. Exigência sem coerência é isto que nós temos. A falta da adaptação à realidade desportiva e a falta de reconhecimento dos méritos dos nossos adversários é outro erro gritante. É verdade que eles são ajudados de forma vergonhosa (viva ao rico colinho) mas também é verdade que os tempos que eles tinham manducas e kikin fonseca, assim como fernando aguiar e beto ja la vai. ( não estou a incluir o sporting pois quero ver se este crescimento é continuo). 

Os campeonatos são para serem disputados até ao fim, os tempos dos 10 pontos de avanço já acabou a muito tempo e infelizmente nos ainda não aceitamos isto. Só por isso é que conseguimos mandar embora um treinador que perde uma jogo em 2 anos, só por isso é que conseguimos assobiar um treinador que com 16 jogadores novos faz mais de 80 pontos e não é campeão(se calhar era muito pesado para ser levado ao colo). Até o Jesualdo que fez milagres na transformação de jogadores e nos deu 3 titulos, foi assobiado

Aqueles espírito de luta e de sacrifício e de amor a camisola que pedimos ao jogadores? Desta forma não temos moral para cobrar. Nada serve, tudo é fraco. O que vale é que a teimosia de alguns (treinadores e dirigentes também) foi muitas vezes surda perante toda esta critica desmedida e nos deu titulos. Alguns não deram mais porque não os deixaram, outros porque nós não deixamos."

ADENDA: Podes enganar todas as pessoas algum tempo, algumas pessoas todo o tempo mas não todas as pessoas todo o tempo. Isto é só o começo.... e depois os corruptos somos nós! Pois!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Os Patinhos Feios E Os Gourmets

Ao longo da nossa história tivemos muitos patinhos feios no FC Porto. O que são "patinhos feios"? São jogadores que começam por ser criticados porque não jogam nada e depois acabam por sair em glória porque são os maiores. Ou então vão corridos e chegam a outros lados e jogam, e bem. 

No ano passado o expoente máximo desse "patinho feio" foi Adrián López. Não vou estar a falar muito, já falei sobre ele o suficiente. Foi vilipendiado todas as vezes que tocava na bola, todas as vezes que falhava um passe, todas as vezes que falhava um golo. Era o "senhor 11 milhões", caro e sem interesse. O senhor 11 milhões não foi vendido, e tivemos de o começar a pagar. Está no Villareal e, no jogo seguinte a marcar o golo da vitória ao Liverpool, faz isto. Desde os passes, os cruzamentos e um golo fantástico, esteve lá tudo. Era cepo? Não.

No início do ano, Aboubakar era extraordinário, não havia nada que não fizesse. Eu chamava-o de "Rei Bakar". Mas a confiança perdeu-se e a chama apagou-se. Nunca mais foi o mesmo.

Para mim, a maior pressão que amedronta os jogadores é a dos adeptos. Não compreendo, juro que não, qual é a lógica de insultar os seus e deixar os adversários à vontade. Os adeptos são examinadores? Os adeptos têm de ser convencidos? Mas ser adepto não é, literalmente, "gostar de"? 

A estrutura tem de mudar de atitude. O treinador tem de mudar de atitude, ou temos de mudar de treinador. Os jogadores têm de mudar. Mas, de uma vez por todas, depois de um Casemiro, um Danilo, um Lisandro, se calhar muitos outros que agora não me recordo, que passam de bestas a bestiais num ápice, está na hora de repensar o que significa ser adepto.


Nas outras equipas, do ficaben ao sportem, não se vê nada disto. Não se vê, por exemplo, esta pressão constante como a que sofreu esta época um dos nossos melhores jogadores, Hector Herrera. Mas passa pela cabeça de algum adepto do ficaben assobiar o Gaitán, nos jogos em que joga subpar? Ou ao Jonas? Ou ao Mitroglu? Ou ao Pizzi, em baixa notória de forma? E no sportem, o que aconteceu quando William esteve mal? Ou Adrien? Ou qualquer outro? Assobios de meia noite?

Hector Herrera foi insultado e assobiado a cada passe errado. Teve dois anos a jogar sem parar. No seu baixo de forma foi maltratado sem par, hoje carrega a equipa às costas, dentro do possível. Mas para a exigente massa assobiativa, é só sofrível, a unica coisa que fazem é assobiar menos.

Meus caros, estas birras de menino mimado, de quem se habituou a que a vitória é um dado adquirido, servem ao adversário, não ao FC Porto. Os treinadores adversários já contam convosco para pressionar os vossos!

Orgulhar-se-iam de que o FC Porto fosse conhecido como a casa que maltrata os seus? Que é uma pressão insustentável para os vossos? Sim, é que eu ouvi a claque do sportem, não ouvi foi os 45 mil restantes nas bancadas a contrariá-los, ou a puxar pela equipa. Se se dão ao trabalho de ir ao Dragão, como se justifica essa (ausência de) atitude?

Como disse ontem e, muito bem, Bernardino Barros, Villas Boas não servia, vendeu-se, Vítor Pereira não servia, era chato, Lopetegui não servia, não atacava, Jesualdo não servia, era chato. Neste momento, serve quem, para a nata goumet? Pep Guardiola? Diego Simeone? Não, este último, no FC Porto, era apupado do pior.

Mas o mais extraordinário é que, até nisso, o adepto é tendencioso: a uns permite todos os erros, má criadice, desresponsabilização, maus jogos em catadupa - é "dos nossos". A outros, é desde o primeiro minuto a malhar. Lopetegui foi assobiado desde o jogo da apresentação com o St. Ettiéne. Foi assobiado no jogo em que chegou ao primeiro lugar. José Peseiro não tem nada disso ao fim de oito derrotas.

E nada me move contra Peseiro, atenção. Tem toda a minha solidariedade! Teve uma mão péssima neste poker (plantel cansado, lesionado, despreparado, manco em posições defensivas) e fez o favor de vir quando, na minha opinião, mais ninguém quis. Estarei eternamente grato, como estive a José Couceiro, a Luís Castro e ao "Piccolo" Barros, pessoas que ainda hoje vejo de uma forma grata.

Mas o nosso treinador mais ganhador, José Mourinho, também não saiu a bem com os adeptos, por isso...

Está na hora de repensar o que significa ser adepto do FC Porto. Precisamos de uma frente unida e coesa desde o primeiro segundo. Ontem vi, pela primeira vez, todos os paineleiros Portistas, Rodolfo incluído, a defender o FC Porto com unhas e dentes. Assim é que tem de ser. Bem sei que a estrutura também tem de dar o sinal, e que este foi dado, após o jogo, pelo NGP. Quando alguém lidera, é mais fácil seguir.

Mas a pergunta impõe-se: o que significa, para si, ser adepto do FC Porto? Pense nisso. Para o ano precisamos de todos a remar para o mesmo lado.

domingo, 1 de maio de 2016

Os Meninos Do Coro E O Jogo Das Cadeiras


Não me passou, rigorosamente, nada pela cabeça que não ganhar ao sportem. Não me passou, sinceramente, pela cabeça o ficaben. Mas, ao fim de dez minutos, o filme estava visto daquilo que viria a acontecer. Explico.

Até entramos bem, apesar do primeiro remate de perigo ter sido do sportem. Criamos perigo no ataque mas somos fracos na finalização. Rompemos os muros mas chegamos ao fim e tivemos pólvora seca. E, como quem não marca, sofre, golo lá dentro. Do outro lado. Tivemos algum querer de alguns, e à custa destes, Danilo, Herrera, Sérgio, às vezes o Maxi, fomos seguindo em frente. Mas sempre com pólvora seca.

Foi aí que, apesar do penalti, percebi uma realidade simples: 3/4 deste onze não se identifica minimamente com a camisola que veste. Sim, já se sabia, mas tornou-se evidente. Quisemos ser tão grandes que nos perdemos no meio. A sorte é que o recém chegado Danilo, apesar de um ou dois erros infantis, se enfurece e puxa pela malta e o Capitão faz por merecer a braçadeira.

Mas, como a Chama só veio a espaços e do outro lado está uma equipa bem trabalhada, coesa e que sabe o que tem de fazer, outro golo lá dentro.

Intervalo.

"O Peseiro vai dar-lhes a injecção atrás da orelha", pensei eu. Só que não. Absurdamente, ridiculamente, estupidamente, voltou-se das cabines no modo "epá, isto já está, por isso, bora descansar." E eis então que se instala a anarquia completa. À excepção de Casillas e, se calhar, dos centrais, e mesmo assim tenho as minhas dúvidas, creio que todos os jogadores foram tudo. Defesas, médios, atacantes. À esquerda, à direita, ao centro. 

A tômbola automática ia ditando a posição, completamente inaudível para os outros, e aí a confusão foi rainha. E, pelo espaço aberto, o sportem aproveitou. E instalou-se. E comandou. E só não fez mais porque as bolas iam sendo salvas, uma, e outra, e outra vez in extremis por alguém.

Depois, houve alguém que insistiu em entrar na dança - o treinador. Toca a tirar um médio que se entregava e tentava ver por entre as sombras, por um que gosto muito mas que veio de lesão prolongadíssima, e sem a menor noção do que vinha fazer. Isto aos 60 minutos! E depois demorou 10 longos minutos e tirou uma nulidade cara. Mas fez entrar uma nulidade antiga. Que entrou na dança. Ora aqui, ora alí, mas sempre em parte nenhuma. Penalti por marcar claro a nosso favor, siga para bingo. E depois nervos. E ansiedade. E pólvora seca. E displicência. E, a seguir, jogada de mestre do treinador. Retirar o tampão do meio campo e metê-lo, outra vez, a central, porque o central saía para dar lugar a um atacante em quem se tinha investido jogos seguidos, mas que estava a aquecer o banco. Isto aos oitenta e cinco minutos


Tampão desatapado, confusão no meio, resultado? Pau! Outro golo. Um frango monumental de um Casillas que até estava a jogar benzito, mas que se sabe, que se sente, que o que quer mais fazer é pôr-se na alheta. Godspeed! Daí até final ouviram-se, outra vez, "olés", projectados pela acústica da pala da arquibancada - sim, nós somos amigos, não falte nada à claque adversária, por quem sois! - e os "Pinto da Costa, vai pró caralho" de quem se sentia superior. E bem.

Mas o mais preocupante veio depois. O preocupante é um treinador que, no fim de tudo isto, tem a lata de dizer que se merecia mais porque se jogou bem. Um treinador que, em três meses, acumula oito derrotas, cinco delas para o campeonato. E quem tem vinte e três golos sofridos, a grande maioria depois da sua chegada! Caro amigo, és uma joinha de um moço, boa pessoa e fofinho. Não percebes é nada disto cá de cima. Nem da luta, nem da História - nada.

E, para atar tudo com um lacinho, veio o Presidente. Acordou hoje para a realidade de que nos roubam. Acordou hoje para a falta de qualidade do plantel. Acordou hoje para a ausência de rumo. E ainda bem que fez questão de fugir à questão da continuidade do treinador, assim respondendo à pergunta! Era o que mais faltava, mais disto para o ano. Mas, meu caro Jorge Nuno, a responsabilidade é sua e dos seus. Nunca ouviu dizer que "tarde piaste?" Agora já foi, agora é tarde. Diz que sabe que falta qualidade no plantel. E antes, não soube porquê?

Remato com um reparo: é, para mim, genial que agora não se fale da rotatividade mais do que evidente antes e durante o jogo. Um crime - que o é - já não é para uns o que era para outros. Dá jeito. É fofinho, e maravilhoso.

NOTA FINAL: Artur Soares Dias marcou o penalti sobre o Brahimi por indicação do auxiliar. Artur Soares Dias não o queria marcar. Não marcou o outro. É esta a arbitragem que temos. Não é inédita em Artur Soares Dias. É o que temos. E que continuará, se ninguém disser nada.