Confesso, ia escrever uma análise diferente. Confesso, irritou-me a mentalidade pequena das substituições de Lopetegui. Mas o senhor Jorge Simão fez-me o favor de me relembrar do anti-Portismo primário que anda nas cabeças de muita gente no futebol.
Com que então o senhor diz que qualquer equipa impõe o seu jogo no Dragão? Qual, caro amigo? O das simulações de lesões, com direito a maca e 5 minutos de assistência em campo, o do guarda-redes demorar tempos infindos a marcar os pontapés de baliza, dos jogadores demorarem tempos infindos a marcar tudo o que era cantos e livres, de propositadamente adiarem reposições de bola em jogo, é esse o domínio de que está falar?
Se sim, tem razão. Com um árbitro conivente e com falta de coragem para dar uns amarelos por simulação e gasto de tempo, tudo isso é possível, sim. Mas, mesmo assim, não chega. E a falta que o senhor fala, é a falta de jeito que os jogadores da minha equipa tiveram para matar o encontro?! Sim, concordo, apeteceu-me ir lá marcar eu os golos de baliza aberta que falharam. Só eu contei oito. E a si, quantos pareceu?
Já agora, senhor do importante domínio, quantas ocasiões de golo teve? Pois! Marcou por uma falha defensiva grave, e depois, fez mais o quê para assustar Iker Casillas? Pois!
E, por falar em guarda-redes, é claro que estava a achar estranho ele superar-se para lá de si, e de fazer este anti-jogo vergonhoso! Este é o senhor Marafona, aquele do ano passado da assistência para o Lima para golo e daquela vergonha que foi o jogo do ficaben no Moreirense, à espera de ir lá parar! Não foste, não é verdade? Pois, crentes há muitos, felizmente com uma fé num Deus mais certo! Com este currículo, de facto, a tua exibição é consentânea!
Mas, à parte destes dois caramelos, falemos então do jogo. Tivemos uma entrada frouxa, que trouxe o golo ao Paços, com uma falha de marcação do Indi de palmatória - e que me faz pensar que os M&Ms são bem melhores - que abriu espaço a um golo de oferta indefensável.
No entanto, ao contrário de outras ocasiões, vimos que a equipa se uniu e se superou, procurando o golo da igualdade que acabaria por chegar numa iniciativa de Corona - o MVP da partida - e que reporia um pouco do Karma do anti-jogo primário de que já falei. Depois do golo, não houve relaxamento e houve a incessante procura do golo seguinte, que só não chegou, por exemplo, em cima do intervalo, por manifesta azelhice de Herrera.
Herrera esse que tratou de redimir-se ao não dar por perdido um atraso mal medido de um jogador do Paços e roubando a bola que acabaria por provocar um penalty - Aleluia! - que o seu compatriota Layún não desperdiçaria e que traria a justiça ao marcador.
Daí até ao final, houve sim um aumento da procura de um Paços que estava sem pressa até então, por um resultado que a... vaginice... do nosso treinador acabou por tentar permitir ao fazer substituições para segurar o resultado, isto apesar de também pôr a jogar o Tello para fazer transições rápidas (que existiram e poderiam ter aberto o caminho a uma goleada de antologia, não fosse a eficácia dos nossos jogadores ainda estar a sair do aeroporto do Funchal a esta hora). Mas houve também a atabalhoada fome de fazer mais e de matar o jogo. E isso já não se via há muito. E houve a primeira reviravolta em dois anos.
Estamos no bom caminho e, assim, tenho a certeza que, com mais eficácia, poderemos dar alegrias aos adeptos e tranquilidade e crença num FC Porto à Porto. Ainda não estamos lá, mas o caminho é este.
Hambre, hambre, arriba, arriba, dame-lo, dame-lo, el queso - Jogão mexicano, este. Tecatito a lutar pelas bolas, a furar entre adversários, a abrir linhas de passe e a correr o que as pernas não lhe permitiram, Layún a ter a calma e o foco de fazer tudo bem e de dar o apoio defensivo que sabe e a clarividência ofensiva que tem, e Herrera, que, mesmo falhando passes clamorosos, inegavelmente faz com que esta equipa tenha o sentido positivo em direcção à baliza que tem de ter. Geniales, los três amigos!
Solidariedade e entrega - Não é todos os dias que se vê Yacine Brahimi a correr 50 metros para cortar uma bola. E isso aconteceu. O FC Porto, apesar de algumas perdas de bola parvas, nunca deixou de tentar pressionar e de recuperar a bola, procurando um futebol mais vertical e oportunidades de golo corrido, que existiram e que se falharam absurdamente! Mas o caminho, insisto, é este, e, seguindo-o, teremos em breve um FC Porto muito mais assustador para os adversários. A posse estéril parece ter os dias contados. Ainda bem.
Vaginices - Um sinónimo um pouco mais calunioso passou-me muitas vezes pela cabeça e pelo discurso, ontem, quando Lopetegui tirou André para pôr Danilo, todo aflito, mal Layún marca o golo. Temos, infelizmente, um treinador intranquilo. E isso passa pelos jogadores. Felizmente, não cola na atitude. Ainda bem, porque isto poderia ter corrido muito mal.
Deixar ficar a eficácia no aeroporto - Minha nossa Senhora, tanto golo cantado desperdiçado! Temos Aboubakar em crise de confiança, que tem de ser invertida urgentemente - quem o viu a chorar no fim, sabe que temos ali um miúdo (e não um velhote, como já se insinuou) que precisava de um bocadinho mais de ânimo do treinador - Tello a falhar golos fáceis, apesar de fazer o que mais nenhum poderia fazer por ele, e Herrera... a herrar na finalização. A boa notícia é que estou certo que a eficácia acabou de entrar no avião em direcção ao Porto.
Já agora, e para terminar um longo post, a conversa de que "só ganhamos de penalty" de Jesus só é possível vinda da parte de um dos mais reles sem-vergonha que já vi no futebol português. Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu.














