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terça-feira, 1 de março de 2016

Espaço Z: 1/4 Final Playoff FC Porto vs Avanca (2-0)

Missão cumprida! Primeira eliminatória resolvida, de forma relativamente fácil, sem ter de forçar muito, e podendo dar minutos de jogo a praticamente todos os jogadores (inclusive Rui Ferreira, elemento dos juniores e equipa B portista). Vou, pela primeira vez desde que escrevo sobre andebol, avaliar os dois jogos, sublinhando os aspectos que me pareceram destacar-se pela positiva ou pela negativa.
POSITIVO:

- Atitude Competitiva: apesar da diferença entre ambas as equipas, foi bom ver garra e determinação de parte a parte. Sabemos que defrontar a nossa invicta equipa é sempre uma motivação extra - principalmente quando do outro lado há 7 jogadores que já representaram as nossas cores -. mas poderia haver algum facilitismo do lado dos nossos rapazes. Acho que ficou evidente, principalmente no primeiro jogo (depois da miserável arbitragem da primeira parte, da qual falarei abaixo), que a malta não se cansou de conquistar campeonatos, e que aquele espírito de conquista se mantém inalterado. Só isso, é meio caminho andado para se vencer, jogo a jogo, mais um campeonato.

- Profundidade do Plantel - Sai Moreira, entra Areia. Sai Rui Silva, entra Miguel Martins. Sai Hugo Santos, entra Pitre. Sai Cuni, entra Gustavo. Num desporto jogado em constante vertigem, com muito contacto físico e muitas transições, é fundamental ter várias opções no banco para ir mantendo toda a gente fresca. O FC Porto é das poucas equipas em Portugal que se pode dar ao luxo de fazer duas equipas diferentes sem que se perca muita qualidade - excepto na posição do melhor jogador português, Gilberto Duarte (que felizmente parece feito de betão).

- Organização Ofensiva - Seria o aspecto menos positivo do jogo de Obradovic, e por vezes era relativamente fácil anular o nosso ataque organizado. Entra Ricardo Costa e tudo isso muda. A forma como a equipa consegue agora ultrapassar os diferentes sistemas defensivos é uma maravilha para quem gosta de andebol, principalmente pela simplicidade com que tudo se faz. Se virem com cuidado, os jogadores não fazem nada de muito especial, não precisam de fazer acrobacias (excepto nas ocasionais jogadas aéreas), mas conseguem quase sempre criar situações de 3x2, em todas as zonas ofensivas, inclusive quanto estamos com menos um jogador. Isto requer muito trabalho, a nível de movimentações, mas sobretudo a nível de tomada de decisão. E é aqui que fazemos a diferença, principalmente nos jogadores centrais: a percentagem de boas decisões de Rui Silva e Miguel Martins é assustadora. Depois, as características de remate dos laterais, e de finalização dos pontas (com Areia e Hugo Santos bem lá no topo), tornam este ataque demolidor. Para além de tudo isto, ajuda muito ter um jogador pivot com a capacidade física e de recepção de Alexis - que me tem deixado boquiaberto com a sua progressão. 

- As Inferioridades Numéricas - Na 1ª parte, em 6 minutos de inferioridade numérica (não foram 6 minutos seguidos), conseguimos um parcial de 6-1 a nosso favor, sendo que numa das fases em que estivemos com menos 1 jogador, conseguimos marcar por 2 vezes de contra-ataque (Daymaro, em dois roubos de bola), e passar definitivamente para a frente do marcador. No andebol, costumamos dizer que um período de inferioridade numérica terminar 0-0, é óptimo. Estando 2 minutos com menos 1 jogador, devemos tentar prolongar ao máximo o tempo de ataque, rematar só pela certa, para passarmos o menor tempo possível a defender. Tudo bem que o adversário não era o mais forte, mas já não é de agora que o FCPorto tem esta capacidade de sair por cima destes períodos mais complicados. No andebol acontecem com frequência e, nos tempos que correm, qualquer vantagem que deles pudermos obter será dourada.


NEGATIVO:

- A lesão de Quintana - Penso que ficámos bastante limitados com a lesão do nosso guarda-redes em forma de muro. Laurentino é muito bom, tem muitos anos de casa e adora jogar sob pressão. Contudo, desde a lesão ocular do ano passado, parece-me ter algumas dificuldades, especialmente no remate exterior. Estando num dia menos bom, não temos substituto à altura no banco. Perder o nosso melhor guarda-redes, nesta fase da competição, foi péssimo. Esperemos que apareça o melhor Laurentino nesta altura.

- A defesa 6x0 - tinha dito que para anular o Avanca, seria necessário ter muita atenção ao remate exterior. Pois... Só na primeira partida, o lateral-esquerdo cubano concretizou 11 golos. Ora bem, não adianta só ter dois muros de braços levantados a tapar a baliza, só porque a este nível já há rapazes que saltam muito, saltam bem e rematam com alguma força. É necessário sair um pouco da linha de 6 metros, colocar pressão, tocar no braço de remate, tentar desequilibrar o rematador. Não podemos ficar passivos nos 6 metros, à espera que a bola fique no bloco. Principalmente, quando o guarda-redes não estiver a conseguir parar as bolas de longe. A rever, porque vem aí uma equipa com bom poder de fogo.

- Arbitragem - aos 45 segundos, Alexis já tinha um cartão amarelo e já levava a 1ª exclusão. Aos 20 minutos, Alexis e Gilberto já tinham duas exclusões cada um (a 3ª, dá vermelho). Alexis rematou constantemente com 3 jogadores pendurados: Do outro lado, não se podia sequer soprar para as orelhas de Victor Alvarez. Trinca e Monteiro, uma das duplas mais tenebrosas do andebol português. Percebem pouco de andebol, mas sabem muito bem como "controlar" um jogo. Durante a primeira parte, foram os principais responsáveis por nunca termos conseguido disparar no marcador. Se isto foi assim contra o Avanca, que poucas hipóteses teria de passar a eliminatória, conseguem imaginar o que aí vem, na eliminatória contra o Benfica?


Em relação à meia final contra o Benfica, tenho de corrigir uma informação que passei erradamente: será disputada à melhor de 5 jogos, contrariamente ao que se passou em anos anteriores, e ao que vos tinha dito anteriormente.

Assim, teremos:

1º jogo - FC Porto vs Benfica - 19/03
2º jogo . Benfica vs Porto - 26/03
3º jogo - FC Porto vs Benfica - 16/04
4º jogo - Benfica vs FC Porto - 23/04
5º jogo - FC Porto vs Benfica - 30/04

É fundamental ganhar os dois jogos em casa, porque como já se viu, tudo será feito para não repetirmos a vitória no campeonato. Não espero as mesmas facilidades dos jogos da primeira fase, mas sinto que temos uma equipa perfeitamente ao alcance das águias. Espero que aquele Dragãozinho esteja a explodir nos jogos em nossa casa, porque é essa a nossa maior força.



Um abraço,

Z

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Espaço Z: Avanca 19-28 FC Porto


Viva, caros portistas.

Não posso deixar de começar esta nova aventura sem deixar um enorme agradecimento ao Jorge Vassalo. Sou um enorme fã deste "tasco", desde o seu primeiro dia, e sinto-me honrado pelo desafio que me foi proposto. Para quem não me conhece, sou o Z, do Blue Overlap, portista desde o berço e praticante de andebol desde que me conheço. Penso que toda este desafio teve origem nas habituais mensagens que trocamos em dias de jogo de andebol, e ao que parece a minha linguagem técnica conseguiu enganar o chefe desta casa, ao ponto de estar a escrever-vos estas linhas. Mais a sério, foi com uma enorme honra que recebi este convite e não podia deixar passar esta bela oportunidade: falar dum desporto que faz parte da minha vida, do clube de todos nós, num espaço de referência na nossa bluegosfera. 

O jogo da noite passada, opôs o F.C.Porto ao Avanca. Num campeonato bastante desequilibrado e nivelado por baixo, o Avanca situa-se no topo da 3ª linha de equipas, com um plantel superior a formações como Belenenses, Horta, ISMAI ou Fafe, mas ainda a alguma distância da 2ª linha de equipas, constituída essencialmente por Águas Santas e Madeira SAD. O F.C. Porto, juntamente com o Sporting, é o grande candidato ao título, e nestes potenciais candidatos podemos incluir o Benfica (este ano com um défice de qualidade face a anos anteriores) e o ABC (sobretudo quando joga em casa, e especialmente quando joga contra o Porto).

Não foi um bom jogo aquele a que pudemos assistir em Avanca. Muitos erros, muitas precipitações, alguma falta de discernimento aqui e ali. Obviamente, em nada ajudou o facto de se ter jogado num piso afectado pela humidade (acreditem  que é um pesadelo jogar em pisos assim). E notou-se muito cansaço nos nossos atletas. Muito cansaço. E isso notou-se especialmente em Gilberto Duarte.

O Porto entrou algo apático no jogo, preso na teia defensiva do Avanca, que procurava defender com 3 elementos subidos, retirando assim espaço ao temível jogo exterior portista. Ora, uma defesa desse tipo, deve atacar-se com velocidade, muito trabalho sem bola, porque se há mais espaço para explorar nas costas dos 3 defensores da frente. E no 1º tempo, só Cuni Morales (jogador que não aprecio de sobremaneira), naquele seu jeito trapalhão mas muito explosivo conseguiu furar com eficácia a defensiva contrária. 

Defensivamente, tudo decorreu dentro da normalidade, contra uma equipa bastante jovem, que vive especialmente dos remates exteriores de Vasco Santos (belo jogo) e de Miguel Baptista, dois dos inúmeros jogadores da casa formados no F.C.Porto. O nosso habitual esquema 6x0 foi mais do que suficiente para manter o jogo o mais longe possível da nossa baliza, e toda a zona central foi praticamente intransponível.

Na 2ª parte, a equipa manteve a sua toada defensiva, pecando bastante no ataque. Muitos remates precipitados, muitas falhas tecnicas, e... um enorme guarda-redes na baliza a manter as distâncias. Hugo Laurentino voltou a fazer uma monstruosa exibição. No andebol, mais do que noutros desportos, um guarda-redes do calibre de Laurentino ou Quintana, vale seguramente mais do que 50% da equipa. Nesse capítulo, estamos à vontade. À entrada para a 2ª metade da 2ª parte, foi Gilberto Duarte, até então desparecido do jogo, que assumiu a responsabilidade de controlar a reacção da equipa da casa, e recolocar o resultado nos 7 golos de diferença. 

Momento do Jogo: Aos 15 minutos, quando Ricardo Costa pôde refrescar a equipa, e principalmente quando colocou Rui Silva no lugar de Nuno Roque. A equipa cresceu, e aproveitando algumas precipitações do adversário, conseguiu distanciar-se no marcador, gerindo essa vantagem de 6,7 golos durante grande parte do jogo (com excepção dos 14/15 minutos da 2ª parte, em que o Avanca reduziu para 4 golos de diferença).

Destaque, pela negativa, para a baixa eficácia nos livres de 7 metros (3 golos em 7 remates) e para a quantidade absurda de falhas técnicas e de remates falhados que houve (embora se deva tambem destacar Luís Silva, o guarda redes contrário, pela belíssima exibição).

Resumindo, vitória clara do F.C.Porto, num campeonato em que tem, de longe, o melhor plantel, os melhores jogadores em todas as posições, e equipa para "limpar" esta fase regular com a maior das tranquilidades. Mesmo com jogos menos conseguidos, como o de hoje.

Segue-se uma importante paragem no campeonato, durante 15 dias (para se brincar ás Selecções), e recuperar pernas e braços para a duríssima 2ª volta da Liga dos Campeões, onde não podemos dar qualquer passo em falso.

Saudações Portistas,

Z