terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Duas Cartinhas e Umas Notazinhas

Meu caro André Viana,
Que o meu caríssimo senhor seja hispanofóbico, já todos tínhamos percebido no assunto Adrián. Que um responsável de jornal ache um jogador pleno de velocidade e técnica "risível" é extraordinário. Aliás, mostra o quanto vocês estão no FC Quaresma - As notas do jogo do Penafiel mostram-no bem. Eu sei que todos vocês gostavam de uma equipa à Bilbao, todos da casa. Mas tal não é possível ou prudente. Tello já marcou algumas vezes, vai marcar mais. Tem coisas para aprender? Certamente! Ainda não tem a fibra do Quaresma? Tem menos oito anos de idade. O senhor, como muitos outros, acham que a única função de um jogador de futebol é marcar golos. Não é. E não, Brahimi não é assim tão essencial. Aliás, o FC Porto continua a aplicar a mesma chapa com e sem o dito argelino.  Com a garra e a luta de Quaresma, sim, mas também com muita da velocidade e técnica de Tello, que já serviu muito bem Jackson muitas e variadas vezes. Se ele tirou o pé? Tirou. Se eu gostei? Não. Se eu acho natural que a reacção a um batatal e chuva intensa seja a de algum medo sobre a integridade física? Certamente. Vamos pô-lo a si a jogar à chuva e ao frio, a ver se gosta. Aliás, pela mesma bitola, fosse Brahimi mesmo espanhol e, depois do jogo do benfas, teria levado uma esfrega. Porque vós, meu bravo cavaleiro, estais cá para a mui nobre cruzada contra o invasor hispânico, não é verdade? Sinceramente. Já basta de estupidez.

Meu caro Dr. Cutty Sark,
Quero aqui agradecer-lhe publicamente  a sua arrogância e petulância. Eu admiro-o, sabe? Gosto da sua transparência! Gosto tanto da forma como você se cola ao Dr Mãozinhas, deixando este, mais estratega e hipócrita, algo incomodado. Você gostaria de ver aqui os inferiores do Norte nas distritais. Com que então o FC Porto não joga nada e este ano não vai levar nada? Compreendo que o sr Dr ignore que este FC Porto tem o segundo melhor ataque do século. Afinal, o senhor deve ser o paineleiro mais desinformado da História! Você não quer saber de nada! Tem os seus deliria ethilicus e vive rodeado na sua pequena bolhinha de fantasia. Só tem razão numa coisa: atirar à cara de Manuel Serrão que o próprio disse que Lopetegui era "quando muito, um treinador para a equipe B". Equipe, como o sr Dr diz. É bom lembrar ao Serrão que ele já não está na Noite Da Má Língua e que estas frases vem morder o seu próprio rabo. Mas, se me permite, deixe-me explicar-lhe uma coisa: Você ganhou ao FC Porto porque Lopetegui rodou a equipa imenso, não pôs os seus melhores jogadores no 11 e jogou em 4x4x2. Você empatou - e devia ter perdido! - em Alvalade com uma primeira parte do pior que vi do FC Porto e com um sistema e 11 completamente novos. Meu caro amigo, você, inclusive, jogou contra um treinador que nem percebia nada do que estava aqui a fazer, o que significava ridicularizar o seu zbordem. Mais! Os superiores azares de Marcano não se vão repetir, Jackson não vai estar desacertado com a baliza e, principalmente, não vão os jogadores do FC Porto estar a pensar no jogo da Champions da quarta-feira seguinte. Devo até dizer-lhe que, quando nos enfrentarmos, vocês já estarão animicamente em baixo e, provavelmente, com um treinador novo, ou então, ter-nos-ão dado uma superior alegria - que eu duvido, porque vocês sentirão o colinho também. Só há uma equipa com quem o benfas joga encolhidinho - nós. Meu caro amigo, para terminar, vou ter todo o prazer de estar lá quando o mandarmos para o posição de nem sequer possibilidades ter de ir ao Play Off da Champions League. O senhor, o seu Tanaka, o seu Mini Messi, e o seu choradinho, vão sentir, com toda a força, o Fogo do Dragão. Espero que Lopetegui o tenha visto a falar ontem. Era uma boa lição sobre "O que significa ganhar ao zbordem". Passar bem.

Uma breve nota para falar de um assunto que, para mim, é relevante. Aparentemente, El Comandante já não vai para o Sevilla porque prefere ficar no Al Rayyan para que lhe paguem os salários em atraso. Isso mesmo, salários em atraso. Meu caro Comandante, és o meu jogador preferido de sempre do FC Porto, o que mais apreciei ver jogar pelo talento e postura, mas partiste-me o coração há um ano atrás. Não sei se foste atrás de dinheiro, mas aqui tinhas uma casa, uma família de adeptos que te deixava liderar. Agora, um dia espero-te ver como técnico por cá. Mas, tal como Villas-Boas, terás que esperar a tua vez. E tu, Silvestre, que contavas e bem para Lopetegui, que poderias até ter sido Capitão da nossa equipa e jogar, finalmente, num colectivo que tirasse de ti o bom rendimento, foste atrás de miragens para Inglaterra, jogar no muito inferior West Bromich Albion. Lesionaste-te. Feio. E agora vais para o Parma. Uma equipa longe, muito longe, do FC Porto que te apreciava. Deviam ter perguntado a Capucho, Falcao ou muitos outros jogadores Portistas: Depois de sair desta casa, dificilmente voltam a ser tão felizes.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

História e Contemporaneidade


Sempre tive amigos e amigas mais velhos. Desde pequeno que me fascinam as histórias que se contam, e granjeio um profundíssimo respeito pela capacidade de luta e reacção de cada uma delas. A sabedoria inerente de cada uma das histórias trazia consigo uma endurance daquilo que se foi repetindo, sem o fervor da novidade e sem a ânsia daquilo que se desconhece. Sou profundamente grato a toda a lição de vida de cada uma delas, em áreas tão dispares como a Arte, a Cultura, a Filosofia ou a Ciência. Também no Desporto, fui sempre um ávido ouvinte das histórias do meu tio-avô "Garrincha", cujo verdadeiro nome nunca cheguei a conhecer, e o seu Portismo contra-corrente, assim como das histórias do meu primo Zito, o maior dos responsáveis pelo meu Portismo, com os seus álbuns de cromos de tudo o que era o FC Porto dos anos 80. Presentemente, o fantástico blog Memória Portista faz-me perder vários minutos a conhecer o legado Portista e a luta que sempre significou mas, mais importante do que todos os outros, a prezada amizade do senhor Vila Pouca, do Dragão Até à Morte, é uma que por um lado me enche de gratidão e por outra de admiração. O que mais admiro no senhor Vila Pouca é que nunca ouvi sair da boca dele a frase "No meu tempo é que era bom". As histórias que bebo nos minutos que ele me presenteia antes dos jogos são fascinantes porque fazem uma admirável - e rara - ponte perfeita entre a Memória, o Legado, e a Contemporaneidade. E por tal lhe agradeço, e por tal o admiro.

Serve esta introdução para falar do meu profundíssimo desgosto e tristeza ao ouvir ontem à noite, no Play Off, o grande Capitão Rodolfo Reis. No final da emissão, Rodolfo foi absolutamente demolidor. Olhos na câmara, o histórico Capitão discorreu maravilhosamente na defesa do seu clube do Coração e da forma ignóbil como os seus foram tratados na Gala da FPF e teve também uma palavra que eu subscrevo em absoluto para Vitor Baía, a mostrar o quanto este se vendeu àqueles que tão mal o trataram no seu tempo. Rodolfo diz, e bem, que se fosse hoje não defenderia Baía com o mesmo afinco. Onde a porca torce o rabo é em todo o resto da emissão. Que Manuel Fernandes ache que o FC Porto joga mau futebol, é-me totalmente indiferente. Diz Manuel Fernandes que nós jogamos muito pastosamente, sem eficácia, que não há futebol directo. Para Manuel Fernandes, futebol bom era o "vamos-prá-frente-que-logo-se-vê", sem o apoio e a ligação total que temos hoje em dia, que, para ele é "mau futebol", Mas com isso estou bem, e com a natural fuinhice de Simões, que naturalmente aproveita o autocarro para se mostrar "confuso". Estou mal e triste foi ouvir o Capitão dizer que concorda! Que o FC Porto não tem raça! Que não tem Capitão! Depois do jogo de sábado! Diz ele que nós gostamos de jogar de jogar de luvinhas, muito rendilhadamente e sem força. Meu caro Capitão Rodolfo, que tristeza me causa a sua opinião. Especialmente depois de ele ter tecido longas loas ao futebol "magnífico" e "apoiadíssimo" do benfas e dos seus jogadores. Fica patente o seguinte: Para Rodolfo Reis o Futebol Clube do Porto acabou com a demolição do Estádio das Antas. Tenho pena. 


O futebol do FC Porto, meu caro Capitão, é, segundo a insuspeita Travessa da Queimada, o segundo melhor ataque do século. Meu caro Capitão, o futebol "magnífico" do benfas, no sítio de todas as provas dos 9, na Europa, só não se demoliu contra uma equipa treinada por um treinador português, se calhar também com o "bom futebol directo" de tal agrado para Manuel Fernandes. Que o, digamos levemente, seu "atrito hispânico" lhe tolde a visão sobre o melhor futebol dos últimos anos, deixa-me de coração partido. Sobretudo, meu querido amigo, porque o Manuel Cajuda soube defender este FC Porto melhor do que o meu Capitão. E mais. Jogar naquelas condições sub-futebol com a garra, força e luta da generalidade dos jogadores é, para mim, Mística. Mistica essa que Rodolfo Reis achará que terminou algures em 2004, por ventura. Tenho pena que o FC Porto, para si, já nada signifique.

Deixe-me só relembrar-lhe que a equipa que você tanto admira agora devia ser o seu principal rival. Deixe-me dizer que o treinador que você tanto elogia é um escroque de ser humano, e a forma deselegante como ele ganha, é merecedora de, como diz o Papa, "um murro na cara" por parte de Leonel Pontes. Um absurdo. Uma tristeza. Tenho pena. Mas já entendi o pensamento de muitos Portistas. Que, para eles, o FC Porto não existe. Eu, por meu lado, acho que ele está a ficar muito bom. Opiniões.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Coisobol Aquático

Absolutamente inadmissível este jogo. Isto o que é, este lamaçal. Não é possível pensar em chamar "futebol" ao que se passou aqui hoje. De louvar a insistência dos nossos jogadores à procura do golo, naquilo que foi o possível. A história deste jogo conta-se em poucas linhas: obviamente uma das equipas habituadíssima a esta.. coisa... onde se "rolou" a bola. Além das dimensões absurdas do campo, a completa impossibilidade de jogar o nosso futebol deu uma luta muito mais de esforço físico do que futebol jogado. Marca-se um golo por pura "fura-fulhice" de Casemiro, que não está fora de jogo, e Herrera empurra, felizmente, certamente porque se lembra do jogo do Boavista em que Brahimi não chega à bola e ao golo, mais ou menos pela lama que ali estava junto da baliza. Um golo legal, admitido pelos próprios reporteres da SportTV, Lobo incluído. Ilusões de óptica dão parvoíce. E nem se atrevam os rubros, tão ostensivamente levados ao colo, de abrir a boca. Ganhem vergonha na cara antes de falar.  A insistência, sempre a insistência dá a Óliver - este rapaz é incapaz de jogar mal - um óptimo cruzamento, numa daquelas raras jogadas em que se conseguiu ter algum futebol corrido. Uma primeira parte de domínio total Portistas. 

Na segunda parte o Penafiel aproveitou o facto de S. Pedro ter transformado futebol em futebol
aquático e pressiona naquela porcaria a que eles chamam de campo. Um erro estúpido de Danilo dá um livre à entrada da área, e aí volta a tradicional oferta Portista aos adversários, o Dumb e o Dumber atrapalham-se e a eficácia contra o FC Porto tradicional faz a bola chegar a Rabiola e este aproveitar. O FC Porto reage, hoje contando com um bom Tello e a força pujante de Jackson, Lopetegui inteligentemente coloca o Marcano e depois o Evandro, e Jackson acaba por entregar uma bola na linha a Casemiro e este a Óliver que resolve o jogo. De resto, piscinas de crawl e de bruços, com um bocado tractor à mistura. Uma vitória natural da melhor equipa, onde o verdadeiro adversário foi a lama.

GOLOS

Óliver - O pequeno maestro insiste, luta, não há terreno nem impedimento para este rapaz. Toda a bola é jogável, não há luta demasiado grande, não há bola impossível de chegar. Controle absoluto, solidez impressionante, sabedoria de jogo e um GPS posicional irrepreensível. 19 anos. Impressionante. Será um dos melhores do mundo certamente.

Tello - Que jogaço. Merecia o golo que lhe foi negado. Foi a tudo. Tudo. Capacidade de luta, velocidade, força, reacção. Este Tello só tem de ser mais frequente. Se ele jogar sempre assim, vai ser imparável.

Jackson - Uma besta, no bom sentido. Força, raça, tremenda entrega. Um Capitão a ser Capitão pelo exemplo mais que pelo discurso. Absolutamente indispensável.

FALTAS

Falha defensiva na bola parada - Uma tradição. Ou se trata da defesa posicional ou se melhora esta marcação. Atrapalhações de posição dão nisto. Disparates sempre aproveitados por outros.

Relvado - Relvado? Lama! É inadmissível equipas de Primeira Liga nestas condições. Inadmissível. Um terror. Assim não se joga futebol. Joga-se coisobol.

Ai Não É Complicado?


De volta ao campeonato, hoje é dia de Penafiel. Um jogo muito complicado, sim. Eu sei que muitos adeptos dão tareia em Lopetegui por causa dele dizer que todos os jogos são complicados. Em primeiro lugar, defendo essa atitude porque não é sobranceira. Não põe os jogadores a pensar que os jogos estão no papo. Não estão. Em segundo lugar, neste futebol hiper-defensivo de 90% das equipas portuguesas, o jogo é de saca-rolhas. Destapar o sifão. Abrir o buraco. Nunca Lopetegui diz que somos inferiores ou sequer iguais ao Penafiel. Mas é preciso ver que uma equipa quer só pontuar e a outra quer ganhar. De volta o onze habitual, o melhor, o mais fluído, mas como Lopetegui diz, e bem, preocupa mais o estado da relva (lama?) do que qualquer sistema de jogo. E as dimensões do campo. Mas atenção, nada de subestimar o Penafiel, equipa a que o nosso rubro rival só conseguiu vencer expulsando ridiculamente Tony. E o seu treinador conhece bem a nossa casa. Rui Quinta está a recuperar a equipa e foi adjunto de Vitor Pereira.

Quiñones não joga. Evidentemente que tal já foi empoladito pela comunicação social e pelos adeptos rubros. Curiosamente, a saber, Quiñones saiu lesionado, justamente contra o benfas. E não jogou contra o Gil Vicente, Mas não importa. Mesmo que fosse por mera opção, Quiñones é um jogador emprestado pelo FC Porto. E eu defendo que emprestados não devem, de todo, jogar contra as equipas que lhes pagam o ordenado. É um absurdo tautológico e nem sequer faz sentido psicologicamente que um jogador que tenha ambições dentro do seu clube de formação e com o qual tenha contrato, seja obrigado a prejudicá-lo. Pode não o conseguir fazer. Mas o caso de Deyverson e Miguel Rosa, ao qual eles querem colar este para se safar não é o mesmo: estes não são emprestados. Ganhem vergonha na cara.

(agradeço a imagem à ©Tertúlia Portista) 

Convocados: Fabiano e Andrés Fernández; Maicon, Marcano, Quaresma, Jackson Martínez, Quintero, Danilo, Martins Indi, Evandro, Adrián López, Ricardo, Campaña, Alex Sandro, Óliver Torres, Casemiro, Tello e Herrera.

A minha equipa provável (4x3x3): Fabiano; Danilo, Maicon, Indi, Alex Sandro; Casemiro, Herrera, Óliver; Quaresma, Jackson, Tello;

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

FC Porto, O Lord Voldemort Português



Assiste-se, nos dias que correm, a uma coisa extraordinária. Uma táctica nova. Quando a história da fruta já colhe menos, eis que se muda de estratégia. A estratégia passa a ser "shhhhh, cala-te pode ser que ninguém dê por isso". Na semana passada - não tive estômago ou disponibilidade para ver o desta semana - no Grande Área, Manuel Cajuda contrariou, em directo, a paineleirice que queria apenas falar a correr do FC Porto, com dois soundbytes: O primeiro, que Yacine Brahimi era pedra fundamental no FC Porto e o segundo que o FC Porto não estava a jogar bem, que era uma grande desilusão e que ficava a anos-luz das invenções do grande mestre da chiclete. Cajuda corta a frase ao benfas de Paredes e diz; 

- "não, olha que até me está a surpreender. Tem o melhor ataque e a segunda melhor defesa. E só é a segunda melhor porque perdeu com o benfas". 

O benfas de Paredes tem uma paradinha misto entre implosão cerebral e fúria contida e diz:

-"Sim, mas sem Brahimi nota-se que não é a mesma cois" 
- "Não acho" , interrompe Cajuda, "tem plantel que chegue para suprir as difiul.."
- "Vamos avançar" , interrompe o moderador, "Cristiano Ronaldo..."

E assim vão as modas dos programas paineleiros nos dias que correm. Não se pode falar sobre Aquele-Que-Não-Pode-Ser-Nomeado, qual Voldemort no Harry Potter. Se tal acontecer, se se conseguir ir ignorando, falando do FC Porto de passagem, talvez se consiga convencer as pessoas de que o FC Porto nunca existiu. Que as vitórias são inexpressivas e o jogo fraco. Que não fazem senão ter um futebol sofrível. O curioso é que sim, chegam a convencer alguns dos nossos adeptos, que fará os adeptos dos outros clubes. Mas o interessante é que até à lavagem dos cestos é sempre vindima e que, jogo a jogo, vitória a vitória, se vai sempre construindo uma equipa, no meu entender entrosada e unida, onde o colectivo se sobrepõe ao individual. E onde a novel ideia de jogo já está a germinar e a dar o seu fruto, e inclusivamente possui já uma ramagem forte que permite a potencialização do individual também. Uma ideia de futuro. Como todas as ideias de futuro, fortemente incompreendida no presente. Porque há coisas que não são sopa instantânea. E toda a boa evolução é necessariamente lenta.

Nos programas de paineleirice, vêem-se as coisas pelo lado que interessa: o da hipnose colectiva. O senhor Nunes, no 4x4x3, diz que o benfas está a jogar o melhor futebol da temporada, análise feita com base no jogo com o Arouca, convenientemente ignorando o facto do Arouca também ter jogado com algumas segundas escolhas e estar a jogar como o benfas está habituado, ou seja 14 contra 10, desde o minuto 29. Esse é o grande benfas. O delírio continua, com o senhor Tovar a dizer que "Jesus construiu um benfas com uma forte dimensão europeia" sem se rir, e depois, no extraordinário tempo de  2:47 minutos que se falou do FC Porto a dizer que "hehehe, não, hehehe nenhum dos grandes foi beneficiado pela arbitragem".

Este é o futebol que temos, onde somos ignorados nos prémios da FPF (análise superiormente feita por Vila Pouca aqui) e, onde se demonstra, estatisticamente, na Football Talks, que a classificação devia estar invertida. Enfim, só resta fazer o nosso caminho. Mais, o FC Porto acaba de escrever um comunicado onde sublinha isso mesmo, que ninguém aqui anda a dormir. Pode-se ignorar muito, mas estamos cá e não fomos a lugar nenhum. E respondemos com vitórias ao faz-de-conta dos outros.

Subscrevo integralmente o que diz Pedro Marques Lopes, também legível no link do Dragão Até à Morte que pus acima, especialmente no caso do Quaresma, quase ipsis verbis do que tenho escrito no blog.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A Sacrossanta Fruta

Acho que não existe nenhuma adepto Portista que nunca tenha ouvido associado a si e aos seus a palavra fruta. Anos e anos de acusações de corrupção. O interessante é que, no meio de tudo isto, ficava subjacente a ideia de que não era prática corrente e modus operandi completamente transversal. Que fique desde já completamente claro que não subscrevo estas práticas para nenhum clube. No caso do FC Porto foi particularmente estúpida essa acusação isolada, uma vez que, no ano a que se reporta a questão, o FC Porto foi esmagador, o ano de todas as conquistas, o ano de Mourinho. Agora vem a luz uma notícia interessante (obrigado pelo link, Paulo Azevedo) que mostra que, afinal, o sacrossanto clube tem uma folha sujinha, sujinha. Como quem não tem vergonha, todo o mundo é seu, e estas notícias não passam de notas de rodapé, cá vamos cantando e rindo. Mas importante relevar que isto não vai passar em nenhum "Tempo Extra", nem nenhum outro programa paineleiro. E porquê? Por uma razão muito simples - não interessa que se saiba que o exemplar benfas é um clube cheio de expedientes manhosos para fazer as coisas simples, que nunca foi nada a nível Europeu desde que o futebol se profissionalizou a sério e que não tem capacidade ou estaleca para sequer se pensar nesse modo. Quando se chega ao ponto de ouvir, como ouvi na semana passada, da boca do senhor Nunes, que o "FC Porto tem a desvantagem de estar na Champions", está tudo dito. Desvantagem? Desculpe? Desvaloriza-se, por ser o FC Porto, uma questão que seria como a reinvenção da roda se fosse nalgum clube do Sul. Para outros, a excepção, para nós, absolutamente natural. Uns empolam finais perdidas, outros ombreiam com os grandes Europeus. 

E por falar em sacrossanto, que dizer de todo este palerma empolamento da questão do Eusébio na
manta dos Super Dragões no sábado? E a águia vitória, já agora? Eusébio da Silva Ferreira era um nome associado aos 3 Fs de Salazar: Fátima, Fado e Futebol, Em todos estes domínios, o Estado Novo exercia a sua influência, como bandeira propagandista do regime. As vergonhas que se passavam em jogos Calaboteiros e outros, tinham não só a conivência da imprensa mas o beneplácito governamental do Regime. Mas oh meu Deus, a heresia de ter desenhado o Eusébio. Meus amigos, na manta está, e bem, Eusébio, por ele ter sido um símbolo de mais de 50 anos de sistema. Sistema esse que se está a levantar de novo. É espantoso. Em três programas paineleiros, a saber o Play-Off, o Prolongamento e os Grandes Adeptos da Antena 1, se repetiu o mesmo discurso, sincronizado ao milímetro. Dizem os sacrossantos que nós temos direito à nossa criatividade, politicamente correcto Je Suis Charlie, mas que o Eusébio é que não. E isto é sintomático em relação ao cuidado com que se prepara toda esta paineleiragem. E de como a nossa Estrutura está passiva. Assim, não vamos lá.

Mas lindo, lindo foi ver o retorno da velha senhora ao ver o Dr Cutty Sark a defender o Mãozinhas acerca da honra do Eusébio. Apenas demonstra o quanto somos incómodos a esta gente que se acha superior e nos tenta inferiorizar constantemente, para que tudo retorne aos "bons velhos tempos" e eles possam ter o seu campeonatozinho na segunda circular. Não vai acontecer, senhores!

Kelvin foi para o Palmeiras por um ano. Acho muito bem. Nesta casa ele está associado a um momento muito feliz, mas que estou em crer que não o ajuda a evoluir como jogador, por algum deslumbramento ou expectativas altas, suas e dos adeptos. Espero que retorne um jogador mais maduro e de equipa, o talento está todo lá e o bom futebol nos seus pés. Um pouco mais de cabeça não fará mal nenhum,

Outra notícia que abalou o meu coração azul e branco foi saber que o Comandante pode ir para o Sevilha. Bem sei que temos Óliver, Evandro e Herrera, por ordem da minha preferência, para a posição 8. Mas o grande Comandante na sua posição natural era o icing on the cake nesta equipa - a voz forte de dignidade e respeito que vai faltando. E, afinal, parece que não está tão velho como isso! Podemos desviá-lo?

Vocês São Uma Vergonha




Tenho 36 anos. Sou adepto do FC Porto há cerca de 30. Tive o prazer de ver algumas das melhores conquistas do Nosso Grande Clube. Nunca tive senão orgulho de ser adepto Portista. Até ontem. O que ontem vi no Estádio do Dragão não lembra ao Diabo. Não acredito ainda sequer. Cada toque mal recebido por Adrián, cada passe falhado, um coro de insultos. Insultou-se mais Adrián Lopez do que a arbitragem horrível do coisinho. Insultou-se mais Adrián do que a forma hiper agressiva com que os jogadores da União da Madeira partiam para cima dos nossos. Vocês, do FC Quaresma, do FC Quintero, a quem, incidentalmente, e bem, perdoam a falta de entrosamento num 4x4x2 (ou o que raio foi aquilo!) e alguns passes falhados e cruzamentos em direcção a Vila Nova de Gaia, são uma vergonha. Mas eu cansei de falar de Adrián. Nem sequer é o meu jogador preferido deste FC Porto. O meu MVP é sempre Óliver. Um miúdo de 19 anos que é, literalmente, o pêndulo da equipa, o equilíbrio, a base. Sem este tudo fica desorganizado. Não sou do FC Adrián. Sou do FC Porto. Mas, não se esqueçam, vocês estão a insultar um jogador que já fez 3 posições, que se está a adaptar, que nunca foi um 9 puro, e principalmente, que é, supostamente!, da vossa equipa! Mas não me preocupa, porque aquele que realmente importa, o treinador, tem uma opinião bem diferente: "Adrian sem intensidade? Não concordo com essa opinião.  Não teve muita sorte no momento da finalização, mas jogou com velocidade e intensidade." E isso prova que para ele, Adrián - e bem - conta. E vocês, adeptos de pacotilha, tolerantes com quem já anda aqui há anos, intolerantes para quem veio de uma realidade diferente e precisava do vosso apoio e de tempo, são uma vergonha. E eu não vou mais falar sobre isto. Cansei.


Uma noite finalmente amena e agradável, não propriamente tropical, mas já não gelada, trouxe-me uma excelente surpresa - a magnífica companhia do João e da Ana Neves, adeptos premium do FC Porto, que dão o verdadeiro apoio e estão presentes em todas, daqueles que, esses sim, mereciam um Dragão de Ouro. Viu-se o regresso de Helton, de quem falarei mais adiante, e um onze muito próximo daquele que tinha alvorado, excepto que em 4x4x2 com a inclusão de Campaña. Este 4x4x2 atrapalhou os jogadores, a fazerem constantemente as mesmas posições e a atropelarem-se a cada 3 passes. A rever. Noite de 2 golos de belo efeito e de um penalti que veio como prémio de já-chega-de-cacetada-que-eu-já-tou-a-ganir, serviu para o que serve a Taça da Liga - fazer experiências ganhando. E incluir Ivo como opção válida. Pena que Gonçalo Paciência não tenha entrado. Teria favorecido todos.

GOLOS

Helton e a Capitania a sério - Não acho que tenha culpas no golo, que não merecia ter sofrido. Teve uma defesa superior à Helton. Teve um livre das coisas mais estúpidas de sempre, uma vez que Reyes toca a bola em atraso, felizmente sem consequências. Mas, especialmente, uma voz de comando a vir de dentro do campo foi uma coisa que me deliciou ouvir. Gritos, incentivos, direcções. É isso que falta no FC Porto este ano. Um Capitão a sério. Espero que Helton possa ficar ainda melhor, porque é certo que se sente que a confiança ainda não está lá, natural para quem tem o trauma de uma lesão daquelas. Mas vejo que vai a tempo. Ainda bem.

Quaresma e Quintero para a frente - Grandes ataques, intensidade e fome de jogo, assim é a reacção que se gosta de ver. Muitas vezes sem critério mas com boas tentativas, premiados justamente com um golo de belo efeito cada um.

Evandro todo o terreno -  O lamaçal de jogadores amalgamados no interior só foi ultrapassado pela sua verticalidade e sabedoria de leitura de jogo, com acutilância e força. Um bocado de ordem no meio caos. E, já agora, muito bom saber que há quem marque penaltys.

Óliver - Quando tudo se estava a desacertar mais ainda, a entrada de Óliver deu o natural pendor ofensivo e permitiu organizar menos mal.


FALTAS

A Salgalhada - 4x4x2, 4x3x3 elástico, coiso? Não faço ideia. Sei que, se durante o campeonato falta por vezes presença no meio campo, ontem houve um tudo-ao-molho-e-fé-em-Deus em que tudo subia e descia, que fazia aquele meio campo parecer um trânsito em hora de ponta. Campaña e Rúben anulam-se. Quintero e Evandro não esperam um pelo outro. Laterais pelo meio são um disparate.

Adrián a 9 -  No apoio em extremo esteve muito bem, fez umas tabelas bestiais e desmarcações bem conseguidas mas, curiosamente, sem que a bola lhe chegasse. A 9, Aboubakar e Jackson são os nossos pontas de lança. Nunca acreditei num falso 9 como 9. Muito menos sem apoio. Anulou aquilo que Adrián tem de melhor - a velocidade e jogo interior a partir da ala e a capacidade de jogo tabelado. Não ajudou à confiança. Mas ainda bem que conta para o treinador. Estou farto de falar sobre ele.

Adeptos - Já disse que a vossa tendenciosidade é uma vergonha? E a vossa xenofobia? E a vossa impaciência? Ok. Vocês são uma vergonha.