Ontem aconteceu em Arouca, além de um belíssimo jogo de futebol, a demonstração cabal da forma como o apoio dos adeptos é fundamental, o que me deixou um sentimento agridoce. Se, por um lado, me soube bem ouvir o Hino alto e bom som na televisão, se me soube bem que não tivesse ouvido um só assobio sequer, fiquei pensativo ao perceber que houve mais apoio ao FC Porto em Arouca do que na sua própria casa.
Para mim há sempre que combater os princípios da hipnose colectiva que os media desportivos portugueses espalham. Se, por exemplo, hoje oiço dizer que o Arouca é "fraquinho", só o oiço dizer agora. Deve ser um Arouca diferente daquele que venceu o benfica. Porque esse, esse era espectacular!
Não me surpreende que a segunda circular coma a palha, afinal desde sempre que assim foi. E a verdadeira loucura é pensar que, de situações iguais e variáveis iguais, possam surgir resultados diferentes. Não surgem. São os mesmos. Nenhuma vitória do FC Porto é boa, e as boas são apenas normais, junto de adversários que, apenas e só contra nós, são "fracos" e "acessíveis".
Não se enganem, tivesse sido este jogo no Dragão e, depois da baixa de produção ofensiva após o primeiro golo, já haveria um coro de assobios brutal, porque o "exigente" adepto engole essa conversa de que cada jogo do FC Porto é um treino e que tem de ser ganho de goleada avassaladora, aos 6 minutos.
Não há vergonha? Ponham os olhos no Colectivo 95 e nos SuperDragões, como nunca desistiram e deixaram de apoiar a equipa. "Apoiar" é isso mesmo, servir de suporte e incentivo nos momentos menos bons, não pode ser um constante "julgamento" a cada minuto. Já temos inimigos que cheguem: o sistema, o Nomeações, a segunda circular, o preconceito, a injustiça. Não precisamos de que os adeptos deitem mais lenha na fogueira.
Vamos deixar de mostrar à equipa que é melhor, em termos de apoio e incentivo, jogar fora do que em casa.
É claro que, no meu entender, esse é um falso problema. Lá estarei, eu e muitos Portistas, no gelo como com o Setúbal, no frio com o Rio Ave ou no dilúvio contra o Boavista. No bom e no mau. Sempre. Mas os "exigentes" voltarão a criticar nos seus sofás, com a sua bebida quente e as suas pantufinhas. Não critico. São opções.
Peço apenas que no próximo dia 20 tenham bem presente que o inimigo está do outro lado, e que o silêncio que eu ouvi no Dragão não pode voltar a repetir-se, e que, aí sim, se deva assobiar e apupar intensamente a camisola certa - a vermelha.
E, já agora, curiosa e interessante a reacção à nota artística deste que bem sabe como se... fazem... as notas artísticas por aquelas bandas. Está na hora de acordar e saber em que lado estamos. Porque não podemos estar dos dois.







