
Como escrevo sobre futebol há relativamente pouco tempo, há pontes e ligações que ainda estou a aprender a fazer. Antes deste blog, via apenas jogos do FC Porto, com todo o interesse e fervor, mas não traçava o necessário nexo de causalidade entre as coisas.
Serve esta introdução para dizer que, uma vez mais - és sábio, amigo - o
Silva tem razão. Ás vezes sou demasiado arrastado pela espuma dos dias para ter a devida distância para relativizar. Talvez por esta minha mania de escrever todos os dias.
E onde tem o Silva razão? No facto simples de, tal a enxurrada de azia, menosprezo, spinning, aldrabice, exagero e manipulação a que somos votados todos os dias, a toda a hora, pela comunicação social, a não ser que estivéssemos a toda a hora de comunicado em comunicado, de resposta em resposta, não sairíamos daqui. Ainda ontem o Grande Área - desculpem os meus queridos leitores, deixei de ver - era um festival de rebaixamento de uns e engrandecimento de outros. Mexer em excrementos, só nos deixará a cheirar a eles.
E pur si muove, no capítulo do Nomeações é preciso fazer um pouco mais de pressão. Mas não esta rasteira e canalha do Lumiar. Uma incisiva, como sempre foi. Essa coisa de "temos de ser melhores, mesmo contra 14", embora verdade, não colhe. Não colhe porque não são essas as circunstâncias dos outros, e não podemos andar nós com uma exigência e os outros todos com outra. Chega. Há coisas sobre as quais há que falar. Mas com critério, sim.

Outra coisa interessante que tenho visto por aí escrito e dito é que "
temos a obrigação de ultrapassar os autocarros". Meus amigos, esta semana pude assistir a dois jogos: o derby de Manchester e o Astana-Atlético. Os dois tiveram autocarro (o City e o Astana quase não atacaram) e o resultado foi o mesmo - o
nulo. Imaginem um jogo de rugby em que uma das equipas só defendia. Ou um combate de MMA em que um dos lutadores só fugia do outro. É isso que temos cá pelo burgo, em 90% dos jogos. Mas é curioso, só connosco. Não vejo autocarros contra o ficaben e o not sporting lisbon. Nestes últimos vejo um esboço de tal, mas a verdade é que há atrevimento para uma ou outra incursão à área.
Contra nós, até os ditos grandes jogam fechado, fechadinho. E um treinador de futebol, um bom treinador de futebol, é natural que esteja mais à vontade em montar equipas que gostem e queiram jogar futebol. Num campeonato em que as equipas não estivessem mais interessadas na Matemática do Pontinho do que em jogar, Lopetegui seria reverenciado. Assim, é criticado pelos mesmos adeptos que pensam ter solução milagrosa para o anti-jogo.
Há uma, sim. A falta grosseira, o penalty, o anti-jogo primário, a Chico-espertice. Mas, chega-se à europa de futebol, desse, do verdadeiro, do apaixonante, do competitivo, e os resultados são os que se veem. Confesso, ia escrever sobre isso, mas o meu caro
Imbictopoema adiantou-se.

No entanto, Imbicto amigo, respondo-te à pergunta: Se fosse no FC Porto, nunca seria. Era uma impossibilidade em sí própria, aliás causa primária do grande mestre da táctica não treinar o Nosso Grande Clube: aqui não se joga só numa frente, aqui não se desiste de competições, aqui defende-se um prestígio internacional e exigir-se-ia ao Predestinado que cumprisse os pergaminhos - que tão bem Lopetegui cumpre. Também, por muito que aos "adeptos" seja indiferente, não se pode mandar um orçamento às malvas, sem consequências sérias. Portanto, faço até o favor de acreditar que, no fundo, no fundo, o próprio sabe que ninguém da estrutura Portista lhe permitiria o seu
modus operandi, portanto, nem ele se acha capaz de assumir as rédeas do Dragão.
Rui Vitória consegue - com a preciosa ajuda de Simeone - cumprir aquilo que Vieira sabia ser necessário: recuperar orçamentalmente da débâcle Jesuita através da Champions League. Só que com duas pechas: em primeiro lugar, acabou por ter de se reforçar mais do que gostaria e não vender os activos que precisava, pelo que os ganhos - menores que os nossos - não chegam para compensar o desastre, e segundo, porque está com o campeonato cada vez mais complicado e com um plantel muito, muito curto para fazer face às necessidades.
Por último, como especial reforço para os mais "exigentes" que vão na cartilha da "obrigação" e dos "grupos fáceis Portistas", dizer apenas, em jeito de nota final, que o Barça venceu o BATE por apenas 3-0 em casa, sendo até que o jogo só foi desbloqueado por um penalty forçado para o Barça, e que o Arsenal foi cilindrado pelo Bayern no Allianz por 5-1. Dejá vú? Pois. Arséne, está fácil de ver, se tivesses posto o Evandro e o Rúben logo na primeira parte, tinhas evitado essa vergonha! Ou então não, ou então é mesmo uma das melhores equipas do mundo, com um dos melhores treinadores do mundo e jogadores que já se conhecem de ginjeira, com um dos maiores orçamentos do mundo.

Mas que é isso para quem sabe exigir, não é verdade? Isso de apoiar e defender os nossos, como os
blues fazem, é para maricas. Os nossos inimigos agradecem. E assistem na Tribuna VIP. E alimentam-vos. Cuidado com as companhias. Eu sei onde está a minha equipa. E não abro mão de a defender. Mesmo que, por vezes, exagere. Mas, insisto, para este estado de "exigência" contribui também a nossa SAD. O
Norte o explicou melhor que eu.