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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Meu Coração Volta a Bater


Estamos de volta à bola rolando sobre a relva, e volta a minha vontade de fazer posts. Desde já, começo por agradecer a quem visita este espaço, mas estou cada vez com mais vontade de falar dos meus e menos vontade de fazer dos outros. Certamente que os assuntos são graves, mas há muitas frentes de batalha - como o excelente Batalha 1893, no qual me revejo completamente - e blogs de indefectíveis amigos, como o caso do Vila Pouca, que nunca deixam de, fervorosamente, comentar todos os assuntos extra FC Porto com a mesma cadência e discurso que eu teria, por isso, ao lê-los, subscrevendo-os, sobra pouco espaço - e relevância - para fazer o mesmo de maneira aproximada.

Estou, sim, cheio de vontade de ver os meus miúdos de volta com o Lusitano de Évora. Em mais uma excelente conferência de imprensa, bem ao seu estilo, Sérgio Conceição também já disse tudo, mas aqui não me importo de repetir: a única forma de respeitar um adversário é tratá-lo como qualquer outro. Para os eborenses será, sem dúvida, o jogo da sua vida, e vão dar tudo o que têm para seguir em frente, e qualquer atitude que não seja a de encarar o jogo de igual competente forma poderá ser um desastre. A Taça de Portugal tem um contexto histórico importante, seria um título muito relevante no nosso palmarés, e deve ser encarada da forma séria com que todos os Portistas a vêem. Não duvido que assim seja.

Dadas as circunstâncias da chegada tardia das selecções por parte dos mexicanos - ver a conferência de imprensa - e de Maxi só ter chegado de tarde, avistam-se muitas alterações, mas acredito que jogarão aqueles que, fazendo parte das opções regulares, estão parados há quinze dias e precisam de rodagem. Uma péssima notícia é a de nova lesão de Soares, que nos retira novamente opções cruciais numa posição onde já não abundavam. No entanto, a renovação de Aboubakar, ainda para mais nos moldes em que ocorre, só pode encher um coração Portista de esperança e felicidade. Abou comprometido e motivado é uma máquina goleadora. 


Fernando Gomes confirmou-o hoje - cumprimos o fair play financeiro. Fizemo-lo, naturalmente, aproveitando toda a latitude dada pela UEFA. Soubemos preservar o grupo de trabalho e vender mais ou menos cirurgicamente - a venda de Rúben, ainda mais neste contexto agora vigente, seria cada vez mais discutível, mas no entanto é Totoloto à segunda feira - soubemos ainda mostrar que conseguimos ficar abaixo da linha. Não resolveu os problemas, longe disso, mas ajuda a melhorar a questão.

Onde eu não gostei do discurso, foi na parte em que Fernando Gomes parecia estar a apontar uma qualquer responsabilidade exógena inexistente para o estado a que as contas do FC Porto chegaram. Se Fernando Gomes foi o último a chegar, o Presidente do FC Porto está lá há tempo que chegue e sobre para que este discurso não faça sentido. Estar aqui no passa a culpa não ajuda nada, mas um pouco de assunção da responsabilidade própria não ficava mal. Fica a nota. Sigamos no bom caminho! 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Análise FC Porto 1-3 Besiktas - Ferida Exposta


Ainda bem que esperei umas horas até escrever estas linhas. 

Para já, quero começar por aplaudir de pé a frontalidade deste homem. Sim, a verdade é que a responsabilidade começa mesmo nele. Principalmente, na sua inexperiência. Sérgio nunca tinha estado nesta posição. Ponto. Mas é verdade que é lugar comum dizer-se que o FC Porto, nas competições europeias, deve povoar mais o meio campo, tendendo para 4x3x3 ou um 4x2x3x1, ao invés do 4x2x4 efectivo que se viu,  apesar de, na maioria das vezes, Brahimi - aquele que, juntamente com Marega, foi quem foi capaz de escapar à exibição paupérrima dos seus companheiros - ter dado algum apoio defensivo.

Essa assimetria do meio campo, e uma desinspirada noite de Óliver  - a quem, no estádio, me apeteceu rebentar - e mais ainda de Danilo, que está absolutamente irreconhecível, deram azo a que o Besiktas - que tal como previra, tinha a tarimba e a maturidade como armas contra a meninice dos nossos - pudesse fazer o jogo que queria, com particular destaque para o nosso corredor direito, em que Corona e Ricardo não se entenderam ou apoiaram minimamente.

Só que do nosso lado também houve oportunidades. A bola ao poste de Óliver, a corrida do mesmo, que Soares fez o favor de cortar, o remate com uma excelente defesa de Corona. Três golos claros. Porque, sim, é urgente mais golo a esta equipa. É urgente que, de uma vez por todas, as oportunidades claras sejam golos e não mais um passe, mais uma finta, mais um nervo. Futebol vive de golos. E lá porque Óliver foi quem mais bolas recuperou - 8, no total - isso não faz com que baste. Não basta.

Só que o pior estava para vir. Deu-se a ilusão que, no início, a troca de Óliver por André André tinha surtido efeito. Mentira. Ao trocar Corona por Ótávio, preencheu-se mais o meio campo. Só que lá se foi a pouca definição que havia. Há quem goste das corridas tolas que vimos na segunda parte? Whoopty-Doo. A verdade é que, chegados à áres, os remates eram à figura ou fora de postes. Tínhamos, efectivamente, piorado.

Não causou surpresa que o Besiktas tivesse ainda ampliado mais a vantagem. Porque ficou a nú a nossa ferida exposta. A falta de qualidade do nosso banco não é culpa do treinador. Urge ir buscar um Lucho. Se queremos jogar em 4x2x4, temos de ter um médio que tenha golo. Senão temos de mudar a táctica. Não se pode jogar contra equipas maduras e entrosadas da mesma forma que se joga contra um Moreirense desta vida.

Mas urge, mais do que tudo entender que é o que temos e que sem ovos não se fazem omeletes. Ponto. Para consumo interno talvez dê. Na Champions... sem alternativas credíveis ... é muito complicado. Quem de direito resolva. Ou aceite-se.


NOTA: Éa a quinta vez que uma equipa despede umn treinador nas vésperas de jogar contra o benfas. Coincidências, certamente...

Estou-me a borrifar se Aboubakar, esse Portista da Ribeira, com o sange azul e branco a correr-lhe nas veias, vai ou não para o balneário rir-se com os ex-colegas. É bonito? Não. É o futebol moderno? Com certeza.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

FC Porto 3-0 Moreirense - Vitória Àbomba Numa Tarde De Verão


Eita, oxénti, vixmaínha, Jesuís. Não, num é esse. Não, também não é o outro. É um terceiro, o figurado. Numa tarde de destilaria de 46 mil almas, em que todos suamos mais que uma sauna de gajos de Wall Street, fartei-me de lembrar do Asa Branca. Ou deste, que também é fixe, e tem uma cabeça falante. Quí brazêro, Qui fórnálha! Perguntei-me como raio se ia jogar nesta tosta. Sim, como a do Dave, o Bárbaro. E sim, o resultado não foi espectacular. Nem poderia.

Uma entrada confusa, especialmente para Marcano, Óliver, Brahimi e Corona, deu numa toada crescente a partir dos dez minutos, que durou até aos 2-0 de rajada. A partir daí, o subconsciente disse "eh, pá, ooou, já chega qu'sto já está"! Não estava, nem pouco mais ou menos, e o Moreirense tentou fazer o que lhe competia - aproveitar o espaço e o desacerto.

O segundo tempo, já sem um Brahimi condicionado (Sérgio, se eles não estão a 100% vamos não arriscar, ok? É que profundidade é coisa que não temos!) e com um Otávio no modo "próndéquieuvou meismo?" a coisa agudizou-se, aqui e ali com bons momentos - num dos quais o golo de Aboubakar que sentenciou o jogo e lhe deu o primeiro hat-trick - a verdade é que a segunda parte foi um reflexo do clima: lenta, pastosa e desligada.

Valeu neste jogo, isso sim, um Abou na sua versão Rei Bakar: a temporizar, a criar linhas de passe, a  procurar jogo, a marcar. E um Marega muito melhor do que lhe pintam, a centímetros de marcar. E um Alex Telles a varrer o corredor que era uma maravilha. Todos os outros, já vi fazer mais e melhor. Aqui e alí com bons momentos não chega.

Esperam-se melhores dias. Para a semana vem aí um adversário mais forte. E com um orçamento mais em conta. Há que ser o melhor FC Porto - aquele que já vimos este ano. Há que ter a certeza que vai ser muito complicado... e inclinado. No entanto, sem 40º à sombra.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Bons Sinais Num Bom Caminho


É necessário relevar que é um jogo de pré-época, mas não é possível desmentir que o trabalho feito, desde já, por Sérgio Conceição. O FC Porto joga, a esta altura, com uma alegria e um faro de golo absolutamente impressionantes. Nomeadamente quando comparados com o ano passado.

Soares e, em especial, Aboubakar, são dois tanques, duas metralhadoras de assalto, que deixam as defesas aos papeis, e as constantes trocas posicionais entre o meio campo e as alas, criam um dinamismo atacante muito bom. Sempre pautados pelo ritmo e a cadência da batuta do Maestrinho Óliver, a equipa dança da esquerda para a direita, sempre com uma visão na cabeça: procurar criar situações de golo 

Se, no início, Corona até se destacou - a primeira assistência para golo, o de Soares, é dele - o fulgor perdeu-se ao longo dos minutos e tornou em evidência o regresso do perfume magrebino de Brahimi. Já está a voltar - recorde-se que começou a pré-época mais tarde - e a aproveitar muito melhor o espaço, dada a liberdade orientada que Sérgio lhe dá. Sim, liberdade orientada, uma vez que, ao contrário do seu antecessor, Sérgio treina de facto as triangulações, o passe e corre, as desmarcações ofensivas. Mas voltando a Brahimi, a jogada do seu golo da primeira parte é linda! Óliver faz um passe extraordinário para Soares, este temporiza - não é, pois, corre-corre à maluca - e entrega de bandeja a Brahimi, que tem a inteligência de deitar o guarda-redes e colocar a bola no fundo das redes. Este golo e o de Hernâni são, para mim, exemplificativos da mudança de Sérgio. Mas já lá vamos.


O que se seguiu, o nosso Mister não gostou. Eu entendo, Mister. Eu vi-te a entrar no campo no jogo de homenagem ao Mágico, como se da final da Champions se tratasse. Aliás, tu e o Davids estavam a jogar outro jogo! Por isso, compreendo-te: contigo, descansar é no Batalha! Eu percebo que a equipa relaxou e baixou o ritmo, o que destacou um Danilo hesitante e meio perdido. Entenda-se: pediram-lhe sempre para ser um Fernando. Agora, pedem-lhe para ser um Vieira. Ou um Pirlo versão XL. O rapaz ainda está perdido. Chegou na semana passada. Vê-se que ficou tão tonto como a defesa do Portimonense. 

O relaxamento, de que o nosso Mister não gostou - aqui, "competir" é no Batalha! - levou ao golo de honra da equipa de Portimão - merecido, diga-se - e à tentativa de reacção do FC Porto. E, se no primeiro caso, Marcano não esteve bem, na segunda parte faz um duplo corte digno de um Capitão com um C muito grande!

A equipa foi para o balneário com as orelhas a arder - se calhar, até já no túnel! - e voltou de lá com novo meio campo refrescado, por um Herrera cada vez mais confortável nesta posição recuada e um André André a fazer jus ao apelido e a querer compensar a patetice de dois dias antes. Com eles, a equipa voltou a carburar à velocidade Sérgio - perto da Mach 1 - e a alegria rendeu mais dois golos, um deles uma insistência à André com uma excelente assistência, o outro uma assistência genial de Herrera - sim, esse Herrera! - para um Hernâni muito mais solto e velocista, que vai dar muito jeitinho o ano todo.


Não destaco ninguém, das múltiplas entradas seguintes, pela negativa. É certo que Sérgio Oliveira e Rafa voltaram a não jogar, e mesmo Mikel parece estar a perder tracção para outras soluções do plantel, como Herrera e André André, para render Danilo, dependendo dos jogos. Um destaque especial para uma soberba jogada defensiva de Layún, que vem, de certeza, mostrar ao Mister que as decisões que tem a fazer são difíceis, muito difíceis.

NOTA: O que aconteceu ontem na transmissão deste jogo por parte do Porto Canal é amador, ridículo e inadmissível! Se o nosso rival tem uma televisão em termos, paga, e de alta qualidade - porque é que o Porto Canal não tem HD em todo o lado?! - nós temos uma brincadeira! Não se concebe como o ponto fulcral da compra do Porto Canal pelo FC Porto não tenha sido assegurado! Ou melhor, compreende-se: Juca Magalhães só quer saber da parte generalista! 

Meu caro Juca: se há quem veja o resto do que mostra a grelha - alguns, poucos, com boa qualidade - é porque este é o canal do FC Porto! Sem esse, o Porto Canal era zero! Por isso, que isto nunca mais se passe, e que os responsáveis por esta vergonha sejam apurados e lidados em termos!

Livrem-se de voltar a fazer uma destas!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Traição Aos Abnegados [ACTUALIZADO ONDE ESTÁ O WALLY]


Aquando do "grande derby que pararia Portugal", Fernando Santos resolveu poupar os jogadores das duas equipas para não melindrar os meninos, nos particulares então marcados. Atiraram com Danilo e André André para cima, e este último teve um desgaste tão grande que não voltou a recuperar. Resultado? O FC Porto reclamou desta opção suicida - e muito bem - e André André lesionou-se de tal forma que até hoje nunca mais recuperou como deveria.


Ontem à noite, nenhuma surpresa. O predestinado lá foi  convocado. Não esquecer, há 5M para receber extra caso o predestinado chegue às 25 internacionalizações. (Já agora, conta? Não tem de ser jogador do Bayern? E se já é jogador do Bayern, não é do benfica, certo? Então o benfas está como o Porto, só com um convocado, certo?) E, evidentemente, André André teve a recompensa do seu esforço. Ah, não, espera! Foi proscrito pelo predestinado! 

É uma dura lição para o André, que todos soubemos que se sacrificou em prol da honra de ajudar o seu país. André André estará, por estes dias, a sentir o mesmo que Baía já sentira antes, a selecção não é para Portistas. E Danilo está lá para as sobras de William Carvalho, e só porque este pode não estar a 100%. A selecção é mais um daqueles lugares fechados ao valor técnico e táctico Portista. E a próxima vez que alguém achar que o FC Porto foi "exagerado" ao reclamar desta utilização suicida do André, lembrem-se da falta que este fez, ao longo da época. E depois perguntem-se porque é que os Portistas não querem saber da selecção e digam que não somos "patriotas". Verei, sim, o Danilo se ele jogar. Verei, sim, Casillas. Verei, sim, Aboubakar. E verei os da Copa América. Tudo o resto, indiferente. E, já agora, já que não convocaram o André Silva, ficarei surpreendido se passarem a fase de grupos.

Meus caros, que queiram acreditar que o Renatinho tem só 18 aninhos, estejam à vontade. Mas o que é demais é moléstia. Dizer que é o "mais jovem de sempre" e não sei quê, é pura e simplesmente não ter vergonha na cara!


ADENDA: Então o Mitroglou custa VINTE E CINCO MILHÕES e ninguém diz nada?! Onde está a escandaleira? E o investimento brutal e exagerado do verifique? E o plantel milionário, de luxo? Só o Jiménez e o Mitroglou custam QUARENTA E CINCO MILHÕES!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Claro Como Água


Pinto da Costa, o Nosso Grande Presidente, deu, ontem, uma entrevista no Porto Canal (resumo aqui, entrevista na sua totalidade aqui) que foi, quanto a mim, completamente esclarecedora.

Foi esclarecedora quanto à posição do FC Porto para o futuro - criar um plantel com raízes, parar com esta porta giratória dos últimos anos, ter jogadores da casa e trocar cirurgicamente.  Estamos todos, naturalmente, de acordo nisso. Alguns dizem que já deveria ter sido mais cedo. Concordo, mas águas passadas não movem moinhos. É bom sinal ouvir do NGP que estão a tratar-se de métodos alternativos de financiamento. É sinal de que o Clube passa a ser o centro. E ainda bem.

Foi muito bom ouvir o NGP dar um chega-pra-lá nas intenções do filho se candidatar à Presidência. Não que ache que isso seria viável, claro, mas nada melhor do que matar o mal à nascença. Concordei, evidentemente, com a explicação sobre o porquê de Antero Henrique estar na administração da SAD. Achei piada à farpa a Angelino Ferreira.

Achei que Miguel Guedes foi um excelente "entrevistador", que fez, directamente, as perguntas menos cómodas. Achei de bom tom a sinceridade quanto aos grandes nomes com que alguns sonham. Achei, mais do que tudo, que o NGP foi franco e, desta vez, nada evasivo. Gosto de ver que o NGP sabe responsabilizar e dar aos jogadores a noção de que têm de ser homenzinhos e preparar-se para tudo o que vão encontrar.  

Evidentemente, se o NGP - que esteve corrosivo à antiga na questão sobre a bolha e o freteiro - sabia que a bolha é o jornal do ficaben, ainda está por explicar o faux pas de convidá-lo para o Dragões de Ouro. Mas erros todos cometemos, e como dizia Confúcio "só erra verdadeiramente quem erra a segunda vez".

Mas, acima de tudo, adorei ouvir a sua admissão de que estavam a ser demasiado brandos na comunicação e que este ano iriam corrigir isso, o que é fundamental, e a questão da arbitragem também me sossegou. Dizer "ganhou a batalha, mas não a guerra" é um sinal de que estamos cá para equilibrar as coisas. Sim, queremos equilíbrio, não favorecimento. E aida bem que há consciência desse défice.

Por falar em défice, e em jeito de conclusão, achei NGP vintage a forma como ele falou da questão da extensão de contrato de Aboubakar. Não só expõe as mentiras dos media como melhora a única coisa que falta a Aboubakar - a confiança. E na questão de Peseiro, foi, naturalmente, inconclusivo, como não poderia deixar de ser. "Contamos com ele" é muito diferente de "ele será". Mas é elegante. Como também foi muito mais, desta vez, com Lopetegui.

É bom ver que o NGP está de regresso à sua melhor forma. Mas é excelente saber que ele incumbiu os dirigentes de cada departamento para falarem. Já não era sem tempo. Agora, ao trabalho, NGP.


NOTAS FINAIS

- Ia falar sobre o processo eleitoral mas não é necessário quando subscrevo tudo o que está aqui. Acrescento apenas algumas notas: não precisei da "coragem de Humberto Delegado", como li por aí, para fazer os riscos nos nomes que bem me apeteceu, não vi ninguém a olhar para mim com ar de controleiro e ainda tive tempo de emprestar a minha caneta ao vizinho do lado. Quanto às cruzes no boletim, devo relembrar que o Clube deu a hipótese de votar em cada candidato nominalmente, numa lista única. Poderia, pura e simplesmente, apresentar uma designação para a lista, num boletim com a mesma a concorrer a cada sector directivo. E assim será, se houver mais do que uma lista no futuro. Em qualquer eleição, as listas estão representadas por uma designação, e a sua composição está à entrada. Nos EUA há votações nominais, mas o boletim é gigante. Quanto às cabines de voto, estou de acordo que deveriam existir. Mas, sabendo que a eleição estava garantida, seria mesmo necessário tanto recurso?

- Se votaram 2400 pessoas, num dia de jogo em em que estavam 27000 na Dragão, estamos a falar de um universo de votantes de 8,9% dos presentes no jogo. Mesmo que fossem apenas metade desses adeptos associados habilitados a votar, estaríamos a falar de perto de 18% de votantes! E assim sendo, os votos nulos seriam apenas 3,74%! Das pessoas, cujo voto seria possível, a assistir ao jogo no Dragão! É essa a "forte onda de contestação"? A mim parece-me que a montanha pariu um rato. E eu pergunto: quem teria mais motivação para ir votar? Quem está a pensar que vem ai o Apocalipse ou quem apoia o NGP?

- E por falar nisso, talvez esteja na hora de apontar baterias para o verdadeiro inimigo: o ficaben e o sportem fizeram dois jogos absolutamente miseráveis. Mas os títulos são "meia hora à campeão" e coisas do género. Contra o Setúbal, ganhamos ambos os jogos, controlamos todo o jogo completamente, sem hipóteses. Está na hora de deixar de ir atrás do spinning dos media e começar a abrir os olhos - temos os nossos defeitos, mas quando há #colinho do outro lado, tudo simplifica bastante. Como as comissões de jogadores sérvios. Ou contratos de renovação. Ou empréstimos para pagar outros. Grandes "rolos compressores" que vão por aí.

Já agora, sabiam que Iker Casillas diz que vai ficar connosco mais duas épocas?

domingo, 16 de agosto de 2015

Análise FC Porto 3-0 Vitória Guimarães (1ª Jornada)


Foi um Dragão intenso e um Dragão seguro, esta equipa do FC Porto, nesta jornada inaugural. Sim, é verdade, eu sei o que escrevi. Nós não temos a vertigem de corre-corre de outros, não fazemos jogos de piscinas frenéticas. Nós temos controle quase absoluto do jogo e fazemos por ter as variações de flanco, de velocidade e de soluções que ganham jogos. Tanto que, num jogo em que, como sempre, se ouve adeptos a refilar por entradas "moles" - não são moles, é jogo controlado - aos 8 minutos já estamos a ganhar, tendo ai já desperdiçado um bom par de ocasiões.

Algumas diferenças vêem-se do meio campo do ano passado para este. A começar, a falta cirúrgica a matar o contra-ataque, coisa que no ano passado parecia não fazer parte das armas dos intervenientes. Tanto Maxi como Danilo Pereira deram o corpo ao manifesto, este último quase a abalroar os adversários com o seu imponente físico, uma espécie de parede quase intransponível. Depois, já fazemos jogo no corredor central. Não é o corredor mais disponível, as defesas vão ter tendência a mostrá-lo, mas dá já uma noção de incerteza total sobre onde irá o FC Porto tentar o ataque.E isso é fantástico.

O que eu não gostei foi da entrada do Vitória de Guimarães na segunda parte. Fomos surpreendidos com a reacção - não podemos ser! - mas também demonstra o valor do nosso adversário. Verão que o Vitória não vai fazer assim tão má figura este campeonato, se entrar nos jogos seguintes com a força que entrou na segunda parte. No entanto, mesmo aí, tivemos uma defesa sólida com Casillas a mostrar a sua classe em duas boas defesas e os nossos M&Ms em grande forma a cortar as bolas paradas com classe e determinação. Um aviso a mostrar que não jogamos sozinhos.


E, por falar em bolas paradas, que bom é saber que já há trabalho nesse departamento. Tivemos uma série de tentativas estudadas, ainda frustradas é certo, mas que indiciam um bom caminho. E tivemos contra-ataques! Não fosse ainda não estarem bem afinadas, as tabelas que foram tentadas também teriam sido mortais. Mostra que ainda não estamos lá, claro, mas que há grande potencial para um maior crescimento ofensivo. No entanto, a diferença nesse capítulo, quando comparada com o ano passado, é enorme!

Além dos destaques a seguir, quero dizer que já vimos um Tello melhor - a lesão afectou-o claramente - e que sei de fonte segura que Hernâni esteve no Dragão e está no Porto. Quanto ao nosso menino Rúben, espero que nenhuma oferta irrecusável o leve. Mas ele tem de jogar, com regularidade. Vamos ver o que a época nos reserva. A profusão de soluções de meio campo de qualidade é uma dor de cabeça para Lopetegui. Mas estou em crer que ela pode ser aliviada nos próximos dias.


Aboubakar - Aboubakar é fantástico. Estou cansado de ouvir a conversa de "não é Jackson, mas ninguém é". Este também não era Falcao, e Falcao não era Jardel e por aí em diante. São sabores diferentes, cambiantes da mesma qualidade. Ontem o nosso camaronês teve um Poker nos pés, e seria bem merecido. Mas não só. Bons pormenores de controle de bola, solidariedade nas tarefas defensivas, passes acutilantes e, no geral, uma entrega ao jogo absolutamente incrível. Lopetegui disse, com razão, que ter Osvaldo no banco não é um problema mas sim uma bênção. Temos a qualidade ofensiva que precisávamos e não me canso de me repetir: Gosto MUITO do Aboubakar.

Maxi - Fui dos primeiros a rejeitar a ideia de Maxi no FC Porto, mas também disse que haveria de me render às evidências se as houvesse. Maxi entregou-se a tudo. Ao ataque - duas assistências para golo! - à defesa, à organização, às tabelas, a ser um quarto homem no meio campo quando isso exigia e a travar o contra-ataque quando ele tentava dar mostras de acontecer. Muito bem. Esta feita a constatação, Maxi é um grande jogador raçudo. E ainda bem que está do nosso lado. É uma grande mais valia. Levou o seu baptismo de fogo com o amarelo da praxe. Bem-vindo, Maximiliano. O azul e branco puxa o amarelo e o vermelho dos cartões.

Meio Campo - Com a excepção de Herrera, o meio campo do FC Porto é, este ano, a sua fortaleza. Tínhamos Óliver no ano passado, mas agora temos Imbula e Danilo como muralha e retoma atacante - o primeiro ainda não na sua melhor forma - Evandro a baralhar as contas dos defesas adversários e André André como uma Formiga Atómica em rápida procura da bola, defensivamente e no ataque. A diferença de qualidade com este último em campo faz-me pensar que, em pouco tempo, a titularidade poderá ser sua. A ovação que teve à entrada também indica que ninguém dirá que não.

M&Ms - Maicon com a braçadeira é completamente diferente. Os seus chutões de desmarcação e de variação de flanco são cada vez mais importantes. Ainda que não saia com a bola controlada, passa por ele muita da surpresa ofensiva do FC Porto. E teve menos paragens cerebrais. Marcano é absolutamente imperial. Caramba! A forma como ele recuperou a bola depois do seu erro estúpido - vá lá, não aprendas isso com o teu companheiro! - foi absolutamente fantástica! Está com uma velocidade de pique geniais, chega às bolas todas e não há lance de cabeça que ele não corte. Temos uma defesa de betão!

Varela - Trinta e quê? Pois! O Drogba da Caparica está de volta! Nos seus melhores momentos, uma máquina. E solidário defensivamente também. Tem umas vareladas de vez em quando mas, quem não tem? Varela voltou com tudo e mostrou que aprendeu a lição. Bem coroado com um golo antes de ser substituído. Parabéns Silvestre e obrigado!

Lopetegui - Excelente leitura dos tempos do jogo, sempre interventivo e com a sabedoria costumeira nas substituições. Palavras para quê. Por muito que o insultem, é um treinador superior.


Herrera - Alguns poderão dizer que ele veio cansado da Gold Cup. Mentira. Só se foi do calor, porque Herrera foi muito pouco utilizado. O que se passar é que o verbo Herrar (cheers Jorge!) já não cabe no meio campo deste ano. A colocar urgentemente noutro sítio. Se é para galgar terreno, Imbula faz tão bem ou melhor. Teve dois ou três pormenores bons, mas os passes errados e as falhas de marcação foram qualquer coisa de absurdo. Meu caro amigo, se não atinas, vais de vela e não deixas saudades.

Fábio Veríssimo - Tanta falta de qualidade, minha nossa! Este caro amigo não marca penalties, não acerta nos amarelos, o desnorte é tal que nem sabe o que é a lei da vantagem. Mais do que #colinho, incompetência.

Entrada na segunda parte - Vamos acordar, povo! A entrada da segunda parte não pode voltar a acontecer. Dez minutos lentos e amorfos que poderiam ter dado consequências nefastas. A não repetir! Entrar na segunda parte como na primeira, ó faixabore!

E, já agora, é por isto que nos invejam: