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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Antevisão Dinamo de Kiev - FC Porto (1ª Jornada Fase de Grupos)


Voltamos então a entrar directamente naquele que é o nosso palco natural enquanto equipa. É na Champions League que o modelo de jogo de Lopetegui melhor respira, é aqui que ele cresce e ganha asas. Julen Lopetegui concebe o futebol como eu: um jogo onde cada um dos adversários tem um único fito - ganhar. Nesse sentido, o nosso modelo de posse e controle de bola, com um meio campo forte e soluções de profundidade e criação de fora para dentro expõe-se com alegria.

Na Champions League não há Matemática do Pontinho, há apenas suor e entrega. Na Champions League não há batatais, árbitros afectos ou campos inclinados - há futebol. Assim sendo, os jogos de casa são de apoio aos nossos - e não assobiativos - e os jogos fora são de raça, luta e querer.

Sabemos que o Dínamo de Kiev é, tradicionalmente, de boas memórias, mas não nos enganemos: amanhã é amanhã e ponto final, parágrafo. Aqui a estatística conta zero, e o habitat natural do adversário, mais fresco mas felizmente ainda não frio, será por eles aproveitado.

Espero um Futebol Clube do Porto mais musculado e de transporte no meio campo do que no caso do Arouca, e aposto num onze tradicional. Casillas será, junto com Xavi Hernandez, o jogador com mais presenças de sempre da Champions League, e com a camisola do nosso  Futebol Clube do Porto. Nestes palcos, estou certo que o nosso guardião fará uma diferença decisiva.

Muito se tem falado da não convocatória de Varela. Acho que as nossas soluções de ala estão encontradas e que não se deve fazer uma tempestade num copo de água, vide o caso de Rúben Neves. 

Sei que teremos um Clássico no domingo mas, ao contrário de certo paineleiro, não desejo que os nossos jogadores tirem o pé neste jogo. Uma vitória aqui seria meio caminho andado de um apuramento, um passo decisivo no bom sentido. Estar na fase final da Champions League é um feito que quero que comece a ser tido como normal, pelo nosso prestígio e pela saúde das nossas contas.

Lamento que o nosso melhor central tenha sido arredado pela segunda vez em 3 jogos de Champions e que o nosso treinador que tantos desprezam não possa estar com a sua imponência no banco. Mas tenho a certeza que Rui "Piccollo" Barros fará um excelente trabalho, ao ser a Mística viva do FC Porto condensada na área do treinador.

Da conferência de imprensa, nada de especial, a não ser uma pergunta inconveniente sobre... Sara Carbonero. O lado mais "cor-de-rosa" da vida de Casillas a chaga-lo até nas conferências de imprensa da Champions.


Helton, Casillas e João Costa (guarda-redes); Maxi Pereira, Martins Indi, Maicon, Rúben Neves, Brahimi, Aboubakar, Dani Osvaldo, Tello, Evandro, Herrera, Jesús Corona, André André, Miguel Layún, Danilo, Alberto Bueno, Imbula e Cissokho


(4x3x3): Casillas; Maxi, Maicon, Indi, Cissokho; Danilo, Imbula, Herrera; Brahimi, Aboubakar, Corona;

domingo, 16 de agosto de 2015

Análise FC Porto 3-0 Vitória Guimarães (1ª Jornada)


Foi um Dragão intenso e um Dragão seguro, esta equipa do FC Porto, nesta jornada inaugural. Sim, é verdade, eu sei o que escrevi. Nós não temos a vertigem de corre-corre de outros, não fazemos jogos de piscinas frenéticas. Nós temos controle quase absoluto do jogo e fazemos por ter as variações de flanco, de velocidade e de soluções que ganham jogos. Tanto que, num jogo em que, como sempre, se ouve adeptos a refilar por entradas "moles" - não são moles, é jogo controlado - aos 8 minutos já estamos a ganhar, tendo ai já desperdiçado um bom par de ocasiões.

Algumas diferenças vêem-se do meio campo do ano passado para este. A começar, a falta cirúrgica a matar o contra-ataque, coisa que no ano passado parecia não fazer parte das armas dos intervenientes. Tanto Maxi como Danilo Pereira deram o corpo ao manifesto, este último quase a abalroar os adversários com o seu imponente físico, uma espécie de parede quase intransponível. Depois, já fazemos jogo no corredor central. Não é o corredor mais disponível, as defesas vão ter tendência a mostrá-lo, mas dá já uma noção de incerteza total sobre onde irá o FC Porto tentar o ataque.E isso é fantástico.

O que eu não gostei foi da entrada do Vitória de Guimarães na segunda parte. Fomos surpreendidos com a reacção - não podemos ser! - mas também demonstra o valor do nosso adversário. Verão que o Vitória não vai fazer assim tão má figura este campeonato, se entrar nos jogos seguintes com a força que entrou na segunda parte. No entanto, mesmo aí, tivemos uma defesa sólida com Casillas a mostrar a sua classe em duas boas defesas e os nossos M&Ms em grande forma a cortar as bolas paradas com classe e determinação. Um aviso a mostrar que não jogamos sozinhos.


E, por falar em bolas paradas, que bom é saber que já há trabalho nesse departamento. Tivemos uma série de tentativas estudadas, ainda frustradas é certo, mas que indiciam um bom caminho. E tivemos contra-ataques! Não fosse ainda não estarem bem afinadas, as tabelas que foram tentadas também teriam sido mortais. Mostra que ainda não estamos lá, claro, mas que há grande potencial para um maior crescimento ofensivo. No entanto, a diferença nesse capítulo, quando comparada com o ano passado, é enorme!

Além dos destaques a seguir, quero dizer que já vimos um Tello melhor - a lesão afectou-o claramente - e que sei de fonte segura que Hernâni esteve no Dragão e está no Porto. Quanto ao nosso menino Rúben, espero que nenhuma oferta irrecusável o leve. Mas ele tem de jogar, com regularidade. Vamos ver o que a época nos reserva. A profusão de soluções de meio campo de qualidade é uma dor de cabeça para Lopetegui. Mas estou em crer que ela pode ser aliviada nos próximos dias.


Aboubakar - Aboubakar é fantástico. Estou cansado de ouvir a conversa de "não é Jackson, mas ninguém é". Este também não era Falcao, e Falcao não era Jardel e por aí em diante. São sabores diferentes, cambiantes da mesma qualidade. Ontem o nosso camaronês teve um Poker nos pés, e seria bem merecido. Mas não só. Bons pormenores de controle de bola, solidariedade nas tarefas defensivas, passes acutilantes e, no geral, uma entrega ao jogo absolutamente incrível. Lopetegui disse, com razão, que ter Osvaldo no banco não é um problema mas sim uma bênção. Temos a qualidade ofensiva que precisávamos e não me canso de me repetir: Gosto MUITO do Aboubakar.

Maxi - Fui dos primeiros a rejeitar a ideia de Maxi no FC Porto, mas também disse que haveria de me render às evidências se as houvesse. Maxi entregou-se a tudo. Ao ataque - duas assistências para golo! - à defesa, à organização, às tabelas, a ser um quarto homem no meio campo quando isso exigia e a travar o contra-ataque quando ele tentava dar mostras de acontecer. Muito bem. Esta feita a constatação, Maxi é um grande jogador raçudo. E ainda bem que está do nosso lado. É uma grande mais valia. Levou o seu baptismo de fogo com o amarelo da praxe. Bem-vindo, Maximiliano. O azul e branco puxa o amarelo e o vermelho dos cartões.

Meio Campo - Com a excepção de Herrera, o meio campo do FC Porto é, este ano, a sua fortaleza. Tínhamos Óliver no ano passado, mas agora temos Imbula e Danilo como muralha e retoma atacante - o primeiro ainda não na sua melhor forma - Evandro a baralhar as contas dos defesas adversários e André André como uma Formiga Atómica em rápida procura da bola, defensivamente e no ataque. A diferença de qualidade com este último em campo faz-me pensar que, em pouco tempo, a titularidade poderá ser sua. A ovação que teve à entrada também indica que ninguém dirá que não.

M&Ms - Maicon com a braçadeira é completamente diferente. Os seus chutões de desmarcação e de variação de flanco são cada vez mais importantes. Ainda que não saia com a bola controlada, passa por ele muita da surpresa ofensiva do FC Porto. E teve menos paragens cerebrais. Marcano é absolutamente imperial. Caramba! A forma como ele recuperou a bola depois do seu erro estúpido - vá lá, não aprendas isso com o teu companheiro! - foi absolutamente fantástica! Está com uma velocidade de pique geniais, chega às bolas todas e não há lance de cabeça que ele não corte. Temos uma defesa de betão!

Varela - Trinta e quê? Pois! O Drogba da Caparica está de volta! Nos seus melhores momentos, uma máquina. E solidário defensivamente também. Tem umas vareladas de vez em quando mas, quem não tem? Varela voltou com tudo e mostrou que aprendeu a lição. Bem coroado com um golo antes de ser substituído. Parabéns Silvestre e obrigado!

Lopetegui - Excelente leitura dos tempos do jogo, sempre interventivo e com a sabedoria costumeira nas substituições. Palavras para quê. Por muito que o insultem, é um treinador superior.


Herrera - Alguns poderão dizer que ele veio cansado da Gold Cup. Mentira. Só se foi do calor, porque Herrera foi muito pouco utilizado. O que se passar é que o verbo Herrar (cheers Jorge!) já não cabe no meio campo deste ano. A colocar urgentemente noutro sítio. Se é para galgar terreno, Imbula faz tão bem ou melhor. Teve dois ou três pormenores bons, mas os passes errados e as falhas de marcação foram qualquer coisa de absurdo. Meu caro amigo, se não atinas, vais de vela e não deixas saudades.

Fábio Veríssimo - Tanta falta de qualidade, minha nossa! Este caro amigo não marca penalties, não acerta nos amarelos, o desnorte é tal que nem sabe o que é a lei da vantagem. Mais do que #colinho, incompetência.

Entrada na segunda parte - Vamos acordar, povo! A entrada da segunda parte não pode voltar a acontecer. Dez minutos lentos e amorfos que poderiam ter dado consequências nefastas. A não repetir! Entrar na segunda parte como na primeira, ó faixabore!

E, já agora, é por isto que nos invejam: