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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Vã Glória De Definhar


Talvez seja porque eu tenho um trabalho que é virado para o futuro, talvez seja pela minha formação filosófica, que privilegia o presente sobre o passado na projecção de um futuro, faz-me sempre confusão demasiado tempo contemplativo.

É isso que temos assistido, depois de Vítor Pereira, no FC Porto. Desde a criação do Museu - que é lindíssimo e uma grande obra - que não pomos lá uma taça de futebol sénior. Mas acho já preocupante que só se dinamize o Museu. O Museu é que tem atracções, o Museu é que tem dias especiais, o Museu é que tem promoções e publicidade, o Museu é que tem o foco, enquanto, por exemplo, os bilhetes encarecem, é tudo sempre igual em campo e não há nenhum foco sobre o Presente.

Não é admissível que a televisão do Clube - sim, agora é mesmo do Clube - tenha apenas duas horas por dia dedicadas ao FC Porto em si, com blocos de "notícias" que se repetem de uma hora para a outra e com especiais que constantemente se repetem - e com muito mais abertura nas chamadas "modalidades" do que no futebol - e com as "notícias" diárias a serem exactamente as mesmas que qualquer outro jornal diário daria, com o mesmíssimo ênfase e cobertura. Nada para além disso. Nos dias de transmissões, talvez um pouco mais. Mas se uma transmissão cai em cima do 45 Minutos à Porto, este é, pura e simplesmente, anulado. Os cenários são de uma pobreza franciscana - até as mesas retiraram - os comentários, tirando os de Cândido Costa e de Bernardino Barros - quando lá está! - são chavões repetidos que acrescentam zero ao que se sabe.


Um exemplo da falta de cobertura do FC Porto pode ser exemplificado no caso do FC Porto - Belenenses. Tirando o pós jogo, não houve mais nenhuma análise ao encontro. Nada. Zero. Não há opiniões, vontades, posições a nada exterior ao FC Porto, nenhuma ligação entre plantel e adeptos! Como querem que haja vínculo com a equipa, se são eles os primeiros a aumentar o fosso entre uns e outros?

Tirando as peças fantásticas de Ricardo Amorim - e mesmo assim com demasiado ênfase nas "eras douradas" - tudo o resto é só a ultra-protecção dos atletas, como se não se pudesse mostrar nada mais além do que toda a gente vê. Valorizo muito as "Entrevistas de Carreira" de BB, mas, caramba, e a contemporaneidade? Não existe?

Acho natural que Pinto da Costa já não esteja para fazer combate público, acho bom que o FC Porto não tenha empregados a falar nas televisões. Mas não haver UMA voz do Clube a ripostar, não haver UMA iniciativa do Clube para contrariar toda esta lavagem cerebral, para equilibrar os pratos da balança, para proteger o bom nome da instituição?


O FC Porto, está bom de ver, é, neste momento, uma instituição anacrónica, nacionalmente escrita no particípio passado, com o foco virado para a Champions League, a única competição que a SAD parece valorizar. Há respostas na net ao site da UEFA por parte dos jogadores, há entrevistas, há exposição, sempre com o foco na sua valorização internacional. Vê-se no próprio ambiente, no cuidado na preparação dos eventos, na sua publicidade, no foco que se vê nos jogadores, até no sentido do apoio dos adeptos.

Por isso, impõe-se a pergunta: Se a estrutura directiva não valoriza o futebol nacionalmente, como poderão fazê-lo os jogadores?

Assim, corremos o risco de continuar a ficar em lugar elegível para a Champions e isso passar a ser a única coisa que importa. Lopetegui irá embora, vender-se-ão os jogadores e todos ficarão contentes. Menos o FC Porto enquanto Clube e os seus adeptos, definhando numa morte lenta, como areia descendo na ampulheta... até que algo mude ou tudo acabe.

Urge mudar. Já. Ontem. Não foi assim que nos valorizamos. Não é assim que poderemos acabar!