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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Second Circulate Laundramat

Vamos para a Taça de Portugal num período de paragem em que se tem visto em todo o seu esplendor o serviço de lava-seca-passa da segunda circular! É tão lindo! Lavou-se um humilhante empate ao cair do pano para as papoilas - já depois de passar pelo serviço de limpeza "Branca" - lavou-se um historial de uma depressão-ai-afinal-não-é-é-mas-é-coiso e da enésima recaída de uma papoila no boletim clínico - isto enquanto se dava a entender que o nosso AS é que estava lesionado -  enquanto ao mesmo tempo se lava-e-enxagua esse número ridículo de adidos ao estaleiro com umas pirosices de que o BrancaLab monitoriza o sono dos meninos para que o Ruizinho possa saber quem é que fez um ganda ó-ó para poder escolher aqueles que estão fresquinhos como alfaces para nos poder maravilhar com o seu fantabulástico futebol, como vimos a semana passada. Continuem a iludir-se que a gente não se importa.

Na Alvaláxia Reino Corporation, o lacaio ratazana diverte a corte com a sua teoria do cuspe-fumo-que-afinal-é-culpa-do-cuspido. Diz o nosso entendido-mor que não é cuspe, é fumo, porque se vê bem no casaco do segurança ao lado. E daí, caramelo? Qual é a diferença? Atiras um projectil propositadamente à cara de outro, que interessa se é gosma ou incenso? É AGRESSÃO na mesma! Mas o mais giro é que a coisa mais grave é a "agressão de Carlos Pinho a um steward" ou, como se vê nas imagens, a tentativa de o afastar para dar o merecido soco ao Bruninho. Mas não, não! Vê-se perfeitamente é que o Arouca está a fazer parte de uma campanha sórdida e escondida para derrubar El Rei Fuminho, perdão, Bruninho! Continuem que a gente não se importa!



A nossa linda Casa faz hoje 13 anos! Já viu tanto, já todos fomos felizes lá! Tantas lágrimas de felicidade - tanta amargura também - mas, no seu início de adolescência, é inegável que já teve realizações que as suas rivais só poderão ter em sonhos! O Nosso Dragão, que me faz sorrir cada vez que faço a curva e o vejo imponente e intenso, que me faz tremer de ansiedade e de alegria por estar, de novo, de volta ao seu regaço! Aqui vamos voltar a ser felizes, durante muitos mais anos! Não há Casa mais bela do que esta!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

12 Anos


Saberão certamente todos os que frequentam este espaço que não sou saudosista. Tenho uma característica que considero positiva para mim: tenho uma memória de passarinho.

Eu sei, é péssimo em debates, horrível em testes escritos, mas a minha capacidade de reter informação que seja decorada e estatística é perto de zero.

Sei, por isso, que se viveu História já no Dragão de todos nós. Mas a memória que tenho sempre é da incontida alegria com as vitórias que já lá vivi, a comunhão que senti com as centenas de pessoas que descem a avenida para o seu carro, aquele êxtase de ter vivido uma inolvidável vitória... que terei esquecido, no específico, três dias depois.

Sempre será lembrada também a sensação de vazio, o sepulcral silêncio das bancadas e a anacrónica celebração das equipas contrárias, como se alguém colocasse no mute um espaço inteiro. É algo de tão raro que se torna estranho.

Viver celebrações de títulos, ali, é lindo. Viver o renovado esperançar de um novo ano também. Mas - confesso - a sensação que mais gosto, sempre, sempre, sempre, é aquele som, aquele misticismo do ar que me beija a face - às vezes gélido - antes da Porta onde tenho o meu Lugar Anual, antes do simpático e afável reencontrar dos meus amigos com quem tenho a Honra de partilhar os momentos de felicidade e alegria que terei ali, mais uma vez, com muitos ou poucos outros, às vezes ao gelo, às vezes à tosta, enquanto para isso tiver vida e saúde.

Doze anos. Que sejam doze décadas. Ou doze milénios. E que este que vos fala possa neles participar no seu grão de areia pelo Tempo concedido.

Viva o Estádio do Dragão! Viva o Futebol Clube do Porto!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Vã Glória De Definhar


Talvez seja porque eu tenho um trabalho que é virado para o futuro, talvez seja pela minha formação filosófica, que privilegia o presente sobre o passado na projecção de um futuro, faz-me sempre confusão demasiado tempo contemplativo.

É isso que temos assistido, depois de Vítor Pereira, no FC Porto. Desde a criação do Museu - que é lindíssimo e uma grande obra - que não pomos lá uma taça de futebol sénior. Mas acho já preocupante que só se dinamize o Museu. O Museu é que tem atracções, o Museu é que tem dias especiais, o Museu é que tem promoções e publicidade, o Museu é que tem o foco, enquanto, por exemplo, os bilhetes encarecem, é tudo sempre igual em campo e não há nenhum foco sobre o Presente.

Não é admissível que a televisão do Clube - sim, agora é mesmo do Clube - tenha apenas duas horas por dia dedicadas ao FC Porto em si, com blocos de "notícias" que se repetem de uma hora para a outra e com especiais que constantemente se repetem - e com muito mais abertura nas chamadas "modalidades" do que no futebol - e com as "notícias" diárias a serem exactamente as mesmas que qualquer outro jornal diário daria, com o mesmíssimo ênfase e cobertura. Nada para além disso. Nos dias de transmissões, talvez um pouco mais. Mas se uma transmissão cai em cima do 45 Minutos à Porto, este é, pura e simplesmente, anulado. Os cenários são de uma pobreza franciscana - até as mesas retiraram - os comentários, tirando os de Cândido Costa e de Bernardino Barros - quando lá está! - são chavões repetidos que acrescentam zero ao que se sabe.


Um exemplo da falta de cobertura do FC Porto pode ser exemplificado no caso do FC Porto - Belenenses. Tirando o pós jogo, não houve mais nenhuma análise ao encontro. Nada. Zero. Não há opiniões, vontades, posições a nada exterior ao FC Porto, nenhuma ligação entre plantel e adeptos! Como querem que haja vínculo com a equipa, se são eles os primeiros a aumentar o fosso entre uns e outros?

Tirando as peças fantásticas de Ricardo Amorim - e mesmo assim com demasiado ênfase nas "eras douradas" - tudo o resto é só a ultra-protecção dos atletas, como se não se pudesse mostrar nada mais além do que toda a gente vê. Valorizo muito as "Entrevistas de Carreira" de BB, mas, caramba, e a contemporaneidade? Não existe?

Acho natural que Pinto da Costa já não esteja para fazer combate público, acho bom que o FC Porto não tenha empregados a falar nas televisões. Mas não haver UMA voz do Clube a ripostar, não haver UMA iniciativa do Clube para contrariar toda esta lavagem cerebral, para equilibrar os pratos da balança, para proteger o bom nome da instituição?


O FC Porto, está bom de ver, é, neste momento, uma instituição anacrónica, nacionalmente escrita no particípio passado, com o foco virado para a Champions League, a única competição que a SAD parece valorizar. Há respostas na net ao site da UEFA por parte dos jogadores, há entrevistas, há exposição, sempre com o foco na sua valorização internacional. Vê-se no próprio ambiente, no cuidado na preparação dos eventos, na sua publicidade, no foco que se vê nos jogadores, até no sentido do apoio dos adeptos.

Por isso, impõe-se a pergunta: Se a estrutura directiva não valoriza o futebol nacionalmente, como poderão fazê-lo os jogadores?

Assim, corremos o risco de continuar a ficar em lugar elegível para a Champions e isso passar a ser a única coisa que importa. Lopetegui irá embora, vender-se-ão os jogadores e todos ficarão contentes. Menos o FC Porto enquanto Clube e os seus adeptos, definhando numa morte lenta, como areia descendo na ampulheta... até que algo mude ou tudo acabe.

Urge mudar. Já. Ontem. Não foi assim que nos valorizamos. Não é assim que poderemos acabar!