sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ser Porto


Repito-me sempre. Serei sempre tendencioso em relação a André André. É oriundo da minha "casa adoptiva", é forte e aguerrido, é Portista desde sempre e é filho daquela que sempre foi a minha referência de Portismo, o grande António André. Foi um evidente prazer vê-lo ao vivo. A equipa fica claramente a ganhar com ele em campo, especialmente no lugar de médio ofensivo. A sua inteligência na área é, para mim, bestial. E foi com um sorriso na cara e um evidente prazer que vi a entrevista dada por ele ao Porto Canal - aplaudo estas entrevistas, espero que não sejam excepções - e a forma como ele falou do "seu" FC Porto. Confirmou claramente a minha opinião sobre ele - que é um jogador de colectivo, que vai dar tudo em campo e que quer mesmo estar aqui. Aliás, André André, tal como Ruben Neves, insiste que chegar ao FC Porto era o seu sonho de criança. Destaco, aliás, a seguinte frase: "A minha prioridade era vir para cá". Isto, para mim, é absolutamente imprescindível num FC Porto de futuro. Voltar a ter nos seus quadros jogadores de qualidade cujo objectivo fundamental é a permanência no FC Porto. Para André André o pináculo não é o Chelsea, o Barça ou o Bayern. É o FC Porto. Bem hajas André. Futuro Capitão.

Já esta vem confirmar o que pensava. Que, ao contrário do que se veiculava por aí, Quaresma não saiu porque Lopetegui o dispensou, mas antes por "discordar da política". Digo sobre Quaresma o que disse de Vítor Pereira. O Futebol Clube do Porto projectou-o, o Futebol Clube do Porto resgatou-o quando estava praticamente morto para o futebol. Não sou capaz de compreender porque se multiplica em entrevistas críticas e acintosas, não sei o que tem a ganhar. Mas é lamentável. Não lhe fica bem.

Gosto de saber que Brahimi está convocado. A sua enigmática mensagem no Facebook, dizendo que espera o início da temporada com impaciência, dá a entender que será talvez possível a sua utilização. Assim esperamos.

E, para terminar, Quintero diz que só quer estar no FC Porto. Estou um pouco siderado com essas declarações. Vi sempre um Quintero triste, amorfo e apático no ano passado, em qualquer posição em que Lopetegui o pôs a jogar. Para mim, a sua falta de entrega ao jogo, especialmente sem bola, é um grande handicap. Veremos se terá outra oportunidade. Se tiver, espero que a aproveite. A qualidade ofensiva de Quintero é inegável. O seu potencial também. Desde que ele se entregue totalmente. Se for a tempo.

Já agora, satisfaçam-me uma curiosidade: o tom de Jorge Jesus ontem não foi arrogante nem presunçoso? Não foi agressivo e mal educado? É exclusivo de Lopetegui? Pois. Dois pesos e duas medidas. Como diz o Mister, é tudo "gasolina".

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Lá Vamos Nós Outra Vez


Assumo, fervo muito. Nesta altura, por isso, estou a deixar de fazer considerações imediatas. É prudente. É certo que, no caso da conferência de imprensa de Lopetegui, todos nós gostariamos que ele tivesse dito "Então, claro, 'tamos aqui p'ra ser campeões, carago!". Mas esse não é o discurso de Lopetegui. Nem tem de ser. Tem de ser o discurso para o balneário. Ele já percebeu ao que veio, o que tem pela frente e quem tem pela frente.

Na altura chocou-me. Lembrei-me de Mourinho, lembrei-me de Villas Boas. Mas a última coisa que Lopetegui precisa, a esta altura, é que digam que temos ele é arrogante e que se pensa o maior. Deixemos isso para quem, efectivamente, o é. E sim, estou a falar de Jorge Jesus. Já não chega passarem a vida a falar do plantel caríssimo? Já agora, quantos Portistas acreditam mesmo que se pagou 20M pelo Imbula? E se tiver sido bem menos? Lá se vai o plantel caríssimo, verdade? 

Por muito que irrite as pessoas, Lopetegui este ano está mais cauteloso. Já não vai dizer que os adversários são excelentes. Mas também não vai menospreza-los, nem ridicularizá-los, nem insulta-los, como o nosso amigo verde. Não vai andar a mandar SMSs nem enganar-se nos nomes. Aliás, eu vou-me rir quando essa estratégia de peito feito e "sou o maior" cair por terra. Mas, também, a verdade é que nunca cairá. A Europa do futebol não é com ele, as derrotas são da equipa, não dele. Lopetegui não é assim.

Não se enganem, se Lopetegui falhar, será ele o primeiro a pôr o lugar à disposição. Ele não tem de ser o maior da rua. Ele tem de ganhar os jogos todos, um de cada vez.

Querem maiores e chicletes de melancia? Comprem uma Gamebox. Lopetegui não vai fazer esse disparate. Mas vai puxar tudo de Aboubakar e companhia. No ano passado não fomos fracos, fizemos 82 pontos. Este ano não teremos Nacionais, nem Marítimos, nem Belenenses. Teremos luta, força, garra e intensidade. Ou temos obrigação de ter. Esse é o único caminho.

Outro caminho que seja, Bota Botilde e a porta da rua. Julen Lopetegui sabe disso. Não tem de o dizer. Mas, tal como ele, estou optimista. Sei da qualidade da equipa, acho que estamos mais equilibrados. Mas como diz o Capitão João Pinto, "prognósticos só no fim do jogo."

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Isto Começa Bem


Isto começa bem. Depois do Nosso Grande Presidente ter feito notar, e bem, que no V.Guimarães-FC Porto do ano passado o senhor Pereira dos Árbitros, também conhecido como Nomeações, tinha nomeado um árbitro incapaz para esse jogo, com as consequências que todos conhecemos, eis que, este ano, pese embora reiterado aviso do NGP - eu acho que como retaliação a este - sua excelsa pessoa decide nomear... um árbitro inexperiente. Com um track record fabuloso, este autêntico lunático desata a disparar cartões a torto e a direito, sem critério e sem pulso. Bravo. Bem escolhido.

O "Dragões Diário" não faz referência a nada disto. Ninguém contestou ou protestou esta nomeação por parte da SAD. Voltamos ao mesmo? Espero que não.

Contudo, não importa. O Futebol Clube do Porto tem de se habituar a esta ideia, fazer pressão dentro e fora do campo, mas tendo sempre convicta uma verdade insofismável:

Há que marcar 6 golos para ganhar por 2-0.

Não podemos mais ser anjinhos. Temos ser FC Porto. Desde que me lembro, especialmente desde o famigerado processo, o campo está completamente inclinado. O que não nos impediu de ganhar sete campeonatos em dez e muitos outros títulos. Julen Lopetegui já sabe ao que vai. Já sabe  para o que tem de preparar os jogadores. Não há desculpas. É vencer, convincentemente, inegavelmente, absolutamente. Desde sempre. Deixar tudo em campo. O resto, será mais fácil contestar, dizendo que mesmo assim não precisamos disso para ganhar.

Isto já é um começo. Um pequeno começo, um ridículo começo, mas um começo. A ver se há menos sem-vergonhice. Ainda não convence, mas dá alguma - pouca! - esperança.

E agora, com a licença do senhor José Miguel Costa, here it is, your moment of Zen (by Jornal de Notícias).

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Fim Da Armada Espanhola


Quando Julen Lopetegui chegou ao FC Porto, trouxe consigo algumas caras novas e, nomeadamente, alguns espanhóis. Contrariamente à opinião da maioria, não achei que fossem muitos, muito menos os de utilização regular. Continua a ser da minha profunda convicção que é natural que um treinador novo, de um país diferente, queira fazer-se acompanhar daquilo que conhece e daqueles cujo valor sabe ser seguro. Foi assim com Mourinho ou Van Gaal, por exemplo.

Andrés Fernandez provou ser desnecessário pela profusão de guarda redes no plantel, mas principalmente pelo heróico retorno de um super Helton, na Taça da Liga em Braga. Perdeu espaço, foi à vida dele. José Campaña veio porque Lopetegui é um homem consciente e não podia pôr a importante posição 6 nas mãos de um rapaz, por muito que nele apostasse. É claro que o nosso Rúben superou e continua a superar as expectativas e Campaña nunca chegou a contar. Ainda bem. Mesmo assim, não tenho senão boas impressões deste jogador. Apenas é excedentário. Veio por empréstimo e foi à vida dele. 

Adrián Lopez foi o caso mais problemático. Quem segue este blog sabe o quanto eu o defendi. Vi-o no Deportivo, vi-o no Atlético, é um jogador extraordinário. Não sei que lhe deu. Defendi-o todo o ano. Achei, honestamente, que tinha um problema psicológico e que um click o resolveria. Não podia andar mais longe  do que acabou por acontecer. Pese embora todas as inúmeras chances dadas por Lopetegui, este ano Adrián parece ter, pura e simplesmente, desistido. E isso eu não admito. Se está triste por sair do Atlético, saiba que o FC Porto tem duas Champions League, em nada fica atrás dos colchoneros. Não é um clube de bairro. Não quer, paciência. Sei que não custou nem vai custar o que pintam, mas confesso, até já me perdi nos contornos verdadeiros do negócio. É urgente coloca-lo. Como disse Lopetegui, falhamos todos. Eu incluo-me aí. Desistentes não moram no FC Porto.

O meu querido e adorado Óliver Torres vai ficar sempre na minha lembrança de uma forma calorosa. Não só pela componente pessoal, pela amabilidade que teve com a minha filha, mas principalmente por todo o seu imenso talento. Deixou a pele em campo, vibrou a cada golo, deu tudo de si. Óliver encarnou, na perfeição, o espírito de um Dragão que sei que sempre será. A vida dele, depois do FC Porto, também nunca mais será igual. Mas não é de todo surpreendente que esteja a deslumbrar em Madrid. O pequeno génio será, sem dúvida alguma, um dos melhores jogadores do Mundo, num futuro muito próximo. E convenhamos, é colchonero. Da mesma forma que nunca quereríamos o Rúben ou o André André noutro lado, temos de admitir que assim se sente Óliver no seu Atlético. Parece que Simeone se apercebeu da pérola que tem. Com pena minha, pois gostava muito de o ter por aqui. 

José Ángel não foi bom, não foi mau. Foi regular. E por ser regular, por ter feito jogos apenas assim-assim e outros mauzinhos, abriu a fresta para o regresso de Aly Cissokho. O valor não é comparável. Estará, então, também de saída.

Sobram, portanto, Ivan Marcano e Cristián Tello, aos quais se juntam, este ano, a custo zero, o avançado goleador Alberto Bueno e o fenomenal "San" Iker Casillas. 

Ivan Marcano entrou discreto, mas a sua segurança e a forma como consegue encaixar perfeitamente com Maicon, mas também, embora menos bem, por serem ambos esquerdinos, com Martins Indi, fez dele o nosso valor mais seguro e tornando a nossa defesa uma das mais seguras da Europa. Forte de cabeça, inteligente no posicionamento, sóbrio na análise, foi, para mim, a nossa melhor contratação do ano transacto. Absolutamente fundamental. Cristián Tello, que completa hoje 24 anos - parabéns Tello - é um extremo que foi absolutamente fundamental em vários jogos do FC Porto, e no qual acredito muito. Não está no seu pico de forma, veio de uma lesão séria, está ansioso e com isso lá se vai o critério, mas estou confiante no seu querer e garra. Aliás, já se demonstrou bem Portista e que leva este Clube a sério. Não estou assustado com a sua pré-época. Uns começam a carburar mais lentamente que outros. Tello deslumbrará cada vez mais, tenho a certeza.

Alberto Bueno é segundo avançado, mas pode fazer múltiplas posições. Tem um elevado sentido posicional e golo fácil. Já fez disso demonstração esta pré-época e parece-me muito intenso e aguerrido. Não se pode comparar com Adrián. Bueno já marcou um bom golo e já teve mais um bom par de remates e umas grandes tentativas de desmarcação de colegas. Num 4x2x3x1, conto com a sua sagacidade para muitos e bons golos. Num 4x3x3, pode adaptar-se a ser um dez. Ou não. Mas há margem para progressão. Casillas já mostrou a sua classe no jogo do Dragão, ouvi-lo a comandar a tropa é delicioso. Seguro, determinado, com uma boa defesa... epá, acho desnecessário estar a falar de Casillas. Quem não souber da mais valia que Casillas dá ao FC Porto não percebe nada disto.

Quatro espanhóis, três com mais que provas dadas, não fazem uma armada espanhola.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Cuidado Com O Que Pedem


Não vou ser longo. Em primeiro lugar, não gosto de meter a foice em seara alheia. Não é do meu feitio estar a comentar jogos que não têm ligação directa ou indirecta à nossa. E o da Supertaça não é excepção.

Mas tenho de fazer um sublinhado. Aquilo, para mim, não foi futebol. Para mim foi uma espécie de vertigem tola de ataque desenfreado, a expor a defesa - de parte e banda - e cheio de buracos e ausência de fio de jogo. Se aquilo é o futebol vertical que tanto apregoam, passo muito bem sem ele.

Falta-nos decisão no ataque, mas não nos falta apoio, bloco, reacção à perda de bola, recuperação de equilíbrios. Estou em crer, aliás, que só nos falta o eixo central da roda. Nem sei se é necessário novos jogadores ou meras adaptações posicionais. A verdade é que André André colocou muitas bolas bem, assim como Bueno. Provavelmente será uma questão de profundidade. Mas a verdade é que, mais uma vez, antes de mudarmos metade da equipa, reduzimos a nada o ataque napolitano. Não foi este vai-vem vertiginoso e partido a que assisti ontem.

Mas este jogo põe a nu a tristeza que é, no fundo, o futebol português. Na verdade o "futebol" apresentado ontem vai chegar para ganhar 2/3 do campeonato. É o "futebol" ideal para a Matemática do Pontinho. Descarregar o fogo todo tipo Uzi em cima da área. Pouco importa se expõe as costas - ninguém vai contra atacar. 

Mas quando se chega ao futebol europeu, em que não há "receios" , o desequilíbrio vai aleijar. E muito. E depois é um ver se te avias.

O nosso jogo está longe de estar perfeito. É preciso equilibrar a balança da defesa para o ataque. Mas é só. E estamos, a meu ver, a anos-luz "disto".

P.S.: Ontem Jonas teve a atitude de um jogador normal. E este trabalhou com Jesus durante um ano. E foi campeão com ele. Talvez coloque as coisas em perspectiva.

domingo, 9 de agosto de 2015

Os Jogos Não Se Ganham Não Perdendo



Se há uma palavra que define o Futebol Clube do Porto, essa palavra é muralha. O Futebol Clube do Porto está muito sólido defensivamente, muito coeso, com muito apoio e com solidariedade defensiva. Mas e o ataque? Há sempre mais uma finta, mais um passe, mais uma variação de flanco. Mesmo frente à baliza.


Se calhar os atacantes do FC Porto estão confundidos e pensam que estão a jogar Rugby. Não estão. Não têm de entrar dentro da baliza para marcar golos, apenas a bola. A preponderância ofensiva do FC Porto chega a ser paradoxal. Subidas rápidas, variação de jogo, passes bem executados, ascensão à baliza e depois.... remates desenquadrados, tentativas de tabelas que não existem, remates de puro desespero sem colocação nem mira.

Ficou-me na cabeça uma entrada isolada de Varela em que, de frente para a baliza, decide passar para um companheiro com 3 jogadores a marca-lo. Não pode ser. Ou subimos a produção ofensiva ou não vamos lá de todo.


Bem sei que jogamos contra uma equipa italiana, com a sua defesa tradicionalmente coesa, mas em jogos de Champions temos de estar preparados para ganhar este tipo de desafios.

Destaco positivamente Casillas seguríssimo, Indi a fazer pela vida muito bem, um Cissoko que entrou bem até se lesionar, mostrando que continua com a mesma força, um Danilo seguríssimo, um Imbula vertical e com elevado sentido de passe e controle de bola, Varela a dar o litro - embora sem acerto - Aboubakar cada vez mais forte e solidário e com uma capacidade de colocação boa.

Ricardo esteve bem melhor do que o costume, assim como Angel. Bueno ainda está a descobrir onde jogar, mas tenta muito e trabalha bem, não como o seu antecessor posicional que nem foi apresentado, e Hernâni fez tudo bem até aos cruzamentos. André André tem uma garra filha da mãe (melhor, do pai) e, daqui a nada, vai ser mortal. Gosto da forma como se aproxima da área com critério.


Mas destaco principalmente Rúben Neves e Maxi. O primeiro porque tem uma colocação de passe soberba, porque está cada vez mais sólido defensivamente, porque vai ser, em pouco tempo, um 6 de referência e o caminho que está a fazer é em passada larga. E Maxi, porque foi fantástico. Cheio de força, de garra, cruzou, rematou, serviu, ajudou, apoiou, defendeu, fez cortes e teve a agressividade que se quis, sem ser excessivamente faltoso, mas sabendo cortar os lances à saída para matar o perigo à nascença. Muita dessa maturidade faltou o ano passado.

Por outro lado, acho que Herrera não tem ainda ritmo, Sérgio Oliveira perde espaço, Brahimi teve uma infeliz lesão, assim como Cissokho, embora pareça não ser, felizmente, nada grave, contando o departamento médico ter os dois disponíveis para a recepção ao Guimarães.


Tello ainda não está em forma, mas caminha para lá, embora aquela falha naquele cruzamento para Osvaldo seja absolutamente imperdoável. Era um golo cantado. E quanto a este último, gostei muito. Pareceu-me agressivo sem ser descontrolado, solidário e, com tão pouco tempo de trabalho e sem estar em forma, já a mostrar que tem alma de ponta de lança.

Maicon esteve intermitente e senti Helton nervoso.

Resumindo, bons indicadores mas com um problema sério de ataque que tem de ser resolvido esta semana. É simples, na dúvida remata-se, de frente para a área remata-se, isolado remata-se. Qual é a dúvida?

Adrián López foi embora. Já vai tarde. Defendi-o, mas este ano mostrou que nem queria saber disto para nada. Que venha alguém que saiba preencher melhor a vaga. Não será difícil.


sábado, 8 de agosto de 2015

Seriedade e Concentração


Após leitura atenta da entrevista de Lopetegui, dá a ideia de que vamos ter um FC Porto mais sério e concentrado. Esta entrevista não trouxe novidades. O discurso foi cauteloso, mas sem se desculpar. Há a clara consciência em Lopetegui da dificuldade que encontra, há um assumir indirecto da sua impreparação no ano passado no que concerne à sua exposição mediática e ao lidar com uns media agressivos, dando claramente a entender - e quanto a mim muito bem - que este ano vai-se concentrar mais em fazer o seu trabalho e deixar que o Clube se defenda, sem deixar de assumir que o Presidente tinha razão no que toca a ter dado demasiado troco a quem não merece.

Interessante, no meu entender, foi também o ênfase dado a Aboubakar, que demonstra, e ainda bem, que pelo menos para já, este é a nossa principal referência atacante, dando ainda um aviso indirecto a Osvaldo para crescer. Gostei muito da forma como falou de Rúben Neves e a forma como deixou a porta entre-aberta em relação a Óliver. Sim, eu sei que Simeone disse que Óliver tem lugar no plantel, mas o FC Porto oferece-lhe um lugar no onze. E isso é completamente diferente. 

O discurso de Lopetegui demonstrou que a questão Quaresma existiu, deixando a enigmática frase "cada um sabe como gere a carreira". No meu entender, creio que estava a referir-se à entrevista do Expresso. Sim, era editada, mas a que surgiu no papel foi editada da forma que foi, e a verdade é que alguma coisa terá caído mal no balneário e, mesmo que demonstrado não ter sido exactamente o que ele queria dizer, pôs-se a jeito da edição que levou.

As questões sobre arbitragem, sobre mercado e lugares comuns quejandos, foram lidados com educação mas com alguma distância. Temos então um Lopetegui mais fechado e consciente do que tem na frente. Mesmo que seja O Jogo. Acho saudável e muito bem. Cada macaco no seu galho.

Não gostei de ler, já fora da entrevista, uma notícia d'O Jogo cujo título "Lucas Lima a fazer-se difícil". Digo e insisto, esta "novela" já cheira mal. Por mim já teria desistido. Frases como "com a expectativa que temos, porque não esperar pelo momento de fazer uma transferência directa para um clube de ponta da Europa" não são elegantes e a insistência neste jogador só deixa o FC Porto ficar mal, numa imagem de inferioridade que não se percebe. Entendo que há aqui qualquer questão com a Doyen, mas esta também tem de saber que estas frases são indignas. Acha-se Lucas Lima demais para o FC Porto? Ok, vamos ver se ele chega directamente ao Barcelona ou ao Bayern de Munique. Sim, porque este último foi o único que ganhou ao FC Porto - uma vez! - e o primeiro é o Campeão Europeu. 

Caro amigo, se este Clube chega para Iker Casillas, chega de certeza para um qualquer Lucas Lima desta vida. Tu é que podes não chegar.


Lá estarei. As minhas impressões amanhã. Espero ver-vos por lá. Viva o FC Porto!