terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Culpa é do Cavani - Mjölnir


Um episódio particularmente bem disposto do Cavani, como seria de esperar depois da badocha vitória frente aos Lenhadores de Ferreira. Incursões sobre os bons valores da B (já repararam que somos o único podcast no Mundo que cobre o FC Porto B? UM ORGULHO!), ainda o duo Sá/Casillas, o VAR, o Etebo, o trailer do Thor: Ragnarok e o potencial problema do Herrera com sotaques e com preservativos. Anteviu-se também o jogo contra o Leixões e regressou a rubrica fixa, desta vez com o “Worst Of” dos defesas direitos, com duas eleições de enorme nível para o mérdite (era zénite mas em merda. carry on.) do futebol portista. 

E inaugurou-se o trema nos nomes de episódios. Um trema. Só para verem a elite que aqui fala.

Quem quiser continuar a ouvir pelo site, tranquilo, é só usar o leitor que está embutido no post de cada episódio. Quem ouvir usando uma app, seja iTunes, Podcast Addict, Pocket Casts, Podcast Republic ou tantas outras que por aí andam, pode encontrar o Cavani aqui:

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domingo, 22 de outubro de 2017

Análise FC Porto 6-1 Paços de Ferreira - Ópera à Moda do FC Porto


Noite fresca no Dragão, 40 mil nas bancadas, expectativa após o desaire em Leipzig, saber se tinha ou não um FC Porto à moda antiga. Obviamente, sorri largamente quando me pareceu ver o fantasma de Bobby Robson, de polegar levantado, atrás da baliza, logo a seguir ao golo de Ricardo Pereira, felizmente regressado, com uma exibição soberba. Adivinhava-se, tão cedo era marcado o golo, que o FC Porto estava ali para demonstrar algo.

É certo que uma nuvem negra chegou a assombrar - Herrera fez um passe à queima e Whelton aproveita para marcar um golaço à Hulk, no meu entender, absolutamente indefensável para José Sá.
Notou-se, infelizmente, algum nervosismo nos minutos seguintes, só que o seu colega de sector Felipe resolveu dar-lhe um bom bálsamo, na forma de um excelente golo, e dar descanso ao seu guardião. Também é curioso que após essa altura, exorcisou-se o Herrera do corpo de Hector Miguel, que arrancou para uma boa exibição, estando em todo o lado do campo e imprimindo a velocidade demolidora para que os seus colegas da frente se exibissem em todo o seu fulgor.

Assim foi. Brahimi e Marega pegaram no testemunho e partiram a loiça toda com golos e oportunidades, jogadas e combinações de encher o olho. 4-1 no fim da primeira parte, goleada das antigas, um jogo brilhante e muito bem conseguido de toda a equipa, a lavar-se do desnorte alemão com classe e imposição, à qual um Paços que até tentou, nada conseguiu fazer para contrariar. Pelo meio, ainda houve alguma esperança pacence, mas Sá fez uma excelente defesa em voo e desviou para canto, socando o dito para lá de Bagdade. 

A segunda parte trouxe, ao contrário do que se faria supor, mais da mesma toada agressiva e dominadora que se tinha visto na primeira parte, desta vez com Jesus Corona a fazer as delícias e as honras da casa. Felipe ainda viu um golo (bem) anulado, mas nada iria estragar a festa de golos do Dragão. Estava restabelecida a ordem natural das coisas e a distância devida para os nossos adversários. Em estilo, com classe. E também um recorde. 5 goleadas em 5 jornadas no Dragão. Que mais se pode querer?


Não deixa nunca de ser normal nunca é o daltonismo inverso que sofrem os árbitros em relação ao FC Porto. Fábio VARíssimo não viu esta mão ostensiva - um enésimo penalti - que retirou o merecido golo a Yacine Brahimi. Normal, diriam uns. Anormal, digo eu. Até quando? Sim, é certo, cumprimos a máxima de que fomos muito melhores e assim ultrapassamos os "erros" da arbitragem, mas é por estas e por outras que o nosso campeonato é uma anedota, e há quem muito se esforce para manter o status quo. Escavando e escavando até que a nossa liga chegue às últimas da Europa. Desde que se salve o regime...

Por mim, porque os elefantes matam e eu não quero morrer hoje, achei a exibição de Sá normal para as circunstâncias. É o guarda-redes do meu Clube. É quem o treinador escolheu, é quem eu defendo. Acho que Casillas é muito melhor e experiente. Sim. Critico a decisão do treinador, que considero errada? Sim. Deixo de apoiar a equipa, jogadores e treinador? Nem pensar. O treinador faz as suas escolhas, é responsável por elas. Reconheço em Sá talento. Não tem experiência? Não. Poderíamos jogar com essa enquanto por cá a temos? Claro. Está na hora de mudar de Clube? Nem pensar! Quem decidiu, está decidido. A partir daí é com o treinador e equipa. Eu só vim aqui ver a bola! E que feliz que eu estou com isso!


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Análise RB Leipzig 3-2 FC Porto - Das Opções Técnicas


Tenho lido as análises daqueles que se antecipam sempre a mim nas suas crónicas ao jogo, e muito me espanta que não comecem pelo principal. A análise à substituição de Casillas não se pode cingir à capacidade técnica, embora também possa. Deve ser vista de uma forma profunda, porque pode - embora não deva! - ser um triste ponto de inflexão nesta equipa.

Ponto primeiro. José Sá é o menos culpado de tudo isto. Nem sequer vou analisar o seu jogo. Era, lamentavelmente, o esperado. Sá não tinha feito qualquer jogo na primeira liga e foi lançado contra a mais mortal equipa do nosso grupo. José Sá cometeu um erro?  Estava nervoso, estava sem ritmo. Era o mais provável.  Sérgio arriscou com Sérgio Oliveira e venceu. Contra as probabilidades. Desta vez perdeu.

Não vou destacar as qualidades técnicas de Casillas - é um dos melhores guarda-redes entre os postes DA HISTÓRIA DO FUTEBOL. E isso tem de bastar.  Falo do principal, daquilo que é o mais complicado. Iker Casillas é o de facto líder deste grupo. Já aqui falei várias vezes da braçadeira. Mas uma coisa é certa, com e sem ela, é evidente que se nota e muito as suas orientações, a sua voz de comando, o seu gravitas que dá confiança e rumo à equipa.

Sérgio Conceição resolveu retirar isso à equipa por opção técnica! Os jogadores pareciam umas baratas tontas, sem saber o que fazer? Pois, naturalmente! Sem liderato, qualquer equipa se torna banal! A única coisa que justificaria a saída de Casillas seria uma lesão! E digo já, não acredito que Casillas tenha desrespeitado SC, uma vez que a experiência assim o dita. Se não é lesão, é uma jogada tosca de poder que saiu completamente furada.

Vai Sérgio a tempo de a rectificar? Sem sombra de dúvida! Sábado, Casillas na baliza. E pronto, siga. Qualquer outra coisa, é teimosia. 

Mas nem só dessa opção surge a perplexidade. A substituição de Ricardo Pereira por Layún foi outra furada. Layún fez um jogo pavoroso e nervoso. Continuo sem perceber a opção.

Naturalmente, não basta estes erros para justificar a derrota. O Leipzig é uma equipa forte, rápida e bem trabalhada que engoliu literalmente o nosso meio campo - e não, não é no meio de um jogo frenético que Óliver iria fazer grande coisa, embora se tenha notado naturalmente uma melhoria, ainda que ligeira - e fez do ataque aquilo que quis.  E depois, porquê tirar um Brahimi que estava a lutar bravamente com tudo o que tinha,  por Corona,  e deixar em campo Marega que, claramente, não estava fresco? Estas opções técnicas! Difícil de entender!

Se o nosso plantel não é vasto, chega de golpes de asa! Os melhores têm de jogar, e cada coisa a seu tempo. Esta saiu mal, Sérgio. Vais a tempo de a rectificar. Nada está perdido neste grupo de doidos, onde um Besiktas poderoso - quem diria! - foi o único a ganhar sempre. Ganhar grupo? Sem dúvida. Powerplays? Esquece!

domingo, 15 de outubro de 2017

Lavagem de Regime


"M'espanto às vezes, outras m'avergonho.", dizia Sá de Miranda no seu poema Quando Eu, Senhora, Em Vós os Olhos Ponho. E é assim que eu me sinto, algures entre o riso e, confesso, algum embaraço, quando neste regime papoilar me vejo. Ontem o benfas parece que fez um jogo pavoroso contra o Olhanense, honroso terceiro classificado do Grupo E do Campeonato de Portugal, onde venceu por um macérrimo 1-0. Diz quem viu que o Olhanense se bateu muito bem e esteve várias vezes para empatar. 

Curiosamente, ontem já houve relato na rádio pública deste extraordinário jogo, uma vez que ficou clara a óbvia utilidade pública do mesmo. Sim, porque não houve no caso do nosso jogo, uma vez que por simples critério editorial a Antena 1 resolveu não relatar o jogo. Não se pode dizer que seja surpreendente. Quem tem estômago para ouvir os Grandes Adeptos  - só tenho quando o benfas perde, Telmo Correia é insuportável - consegue facilmente perceber o dito "critério": dar primazia ao benfas e sempre, mas sempre, tratar de o agigantar. 


Não funciona grande coisa, porque a realidade não se agiganta com a lavagem, como bem comprova o GIF em cima. No entanto, nunca poderemos deixar de comendar o esforço dos cartilheiros, que sabem que a memória é uma coisa volátil e que não há nada melhor para a confundir do que a substituir por outra. As capas dos jornais do regime falam por si próprias. No entanto, são apenas um Placebo com um efeito secundário ainda mais perverso - o de poder criar a ilusão de que as coisas são como parecem. Assim, fica-se contente com este estilo de coisas, e esbarra-se contra a parede.

"Só erra verdadeiramente quem erra pela segunda vez", dizia Confúcio. Não há dúvida quem esteja a aprimorar o errar como uma verdadeira arte. Pois que assim continuem!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Goleada Natural de Um FC Porto Respeitador


Foi um FC Porto a respeitar o adversário, este que hoje jogou no Estádio do Restelo. Nada de facilitismos, nada de desacelerações. Foi um FC Porto embuído do mesmo espírito dominador e agressivo, aquele que começou o jogo. Bem movido e orientado pelo maestrinho Óliver - embora continue a enorme pecha de falhar golos feitos! - foi um FC Porto a atacar de todos os modos e cambiantes, o que se exibiu por uma massa Portista bem composta de 4000 e os eborenses possíveis.

Esta imagem de cima ilustra bem o quanto Sérgio soube sentir para que servem estes jogos. Diogo Dalot realizou um sonho e vestiu a pele que sempre quis. desde criança. Mas não sem mérito! Dalot mostrou que está aqui para ser facilmente integrado na equipa principal, teve pormenores de imensa classe e a garra e capacidade física para poder ser opção. Além deste, também Galeno mostrou toda a sua classe e técnica e o quanto pode dar a esta equipa. Há muito futebol naqueles pés, e até Hernâni marcou um golo "puskeiro".

Principalmente, foi bom de ver que, de facto, ninguém fica para trás nesta equipa, que todos têm o seu espaço e oportunidades, mas principalmente que todos querem mostrar-se ao treinador. Do outro lado, o Lusitano até foi uma equipa intensa e forte, com alguns bons pormenores e até com alguns jogadores com boa técnica. 


Não poderia terminar este post, sem abordar o ridículo que são os média tugas! Esta imagem serve apenas de corolário para aquilo que foi o funeral feito pela SportTV durante todo o jogo. O desalento nas vozes destes senhores era patético. Eu sei, o nacional-ficabenismo está de feridas expostas, com a nega da providência cautelar, com a demonstração cabal da sua fragilidade quando não protegidos, mas o que é demais é moléstia!

A Antena 1 não difundiu o jogo, a TVI aponta lances falhados mas esquece-se dos golos, todo um festival. Meus caros, hão de ter muito que penar. Este FC Porto abrangente e profissional veio para ficat!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Meu Coração Volta a Bater


Estamos de volta à bola rolando sobre a relva, e volta a minha vontade de fazer posts. Desde já, começo por agradecer a quem visita este espaço, mas estou cada vez com mais vontade de falar dos meus e menos vontade de fazer dos outros. Certamente que os assuntos são graves, mas há muitas frentes de batalha - como o excelente Batalha 1893, no qual me revejo completamente - e blogs de indefectíveis amigos, como o caso do Vila Pouca, que nunca deixam de, fervorosamente, comentar todos os assuntos extra FC Porto com a mesma cadência e discurso que eu teria, por isso, ao lê-los, subscrevendo-os, sobra pouco espaço - e relevância - para fazer o mesmo de maneira aproximada.

Estou, sim, cheio de vontade de ver os meus miúdos de volta com o Lusitano de Évora. Em mais uma excelente conferência de imprensa, bem ao seu estilo, Sérgio Conceição também já disse tudo, mas aqui não me importo de repetir: a única forma de respeitar um adversário é tratá-lo como qualquer outro. Para os eborenses será, sem dúvida, o jogo da sua vida, e vão dar tudo o que têm para seguir em frente, e qualquer atitude que não seja a de encarar o jogo de igual competente forma poderá ser um desastre. A Taça de Portugal tem um contexto histórico importante, seria um título muito relevante no nosso palmarés, e deve ser encarada da forma séria com que todos os Portistas a vêem. Não duvido que assim seja.

Dadas as circunstâncias da chegada tardia das selecções por parte dos mexicanos - ver a conferência de imprensa - e de Maxi só ter chegado de tarde, avistam-se muitas alterações, mas acredito que jogarão aqueles que, fazendo parte das opções regulares, estão parados há quinze dias e precisam de rodagem. Uma péssima notícia é a de nova lesão de Soares, que nos retira novamente opções cruciais numa posição onde já não abundavam. No entanto, a renovação de Aboubakar, ainda para mais nos moldes em que ocorre, só pode encher um coração Portista de esperança e felicidade. Abou comprometido e motivado é uma máquina goleadora. 


Fernando Gomes confirmou-o hoje - cumprimos o fair play financeiro. Fizemo-lo, naturalmente, aproveitando toda a latitude dada pela UEFA. Soubemos preservar o grupo de trabalho e vender mais ou menos cirurgicamente - a venda de Rúben, ainda mais neste contexto agora vigente, seria cada vez mais discutível, mas no entanto é Totoloto à segunda feira - soubemos ainda mostrar que conseguimos ficar abaixo da linha. Não resolveu os problemas, longe disso, mas ajuda a melhorar a questão.

Onde eu não gostei do discurso, foi na parte em que Fernando Gomes parecia estar a apontar uma qualquer responsabilidade exógena inexistente para o estado a que as contas do FC Porto chegaram. Se Fernando Gomes foi o último a chegar, o Presidente do FC Porto está lá há tempo que chegue e sobre para que este discurso não faça sentido. Estar aqui no passa a culpa não ajuda nada, mas um pouco de assunção da responsabilidade própria não ficava mal. Fica a nota. Sigamos no bom caminho! 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sporting 0-0 FC Porto - Um Travo Agridoce Num Excelente Jogo

Há muito tempo que não sentia o meu coração bater com esta ansiedade positiva antes de um Clássico. Afinal, o Estádio de Alvalade (ou Alvalade XXI ou Alvaláxia ou whatever) é sempre uma espécie de um triângulo das bermudas Portista, onde quase tudo acontecia. Roubos de igreja, banhos de bola, banhos de táctica, tudo a um cento.

Foi, portanto, com muita alegria que vi a primeira parte Portista naquele estádio, dominadora, mandona, sufocante e açambarcadora. O jogo era nosso e as oportunidades também. Brahimi estava um ás, Aboubakar arranjava espaço onde não havia, Marega, como sempre, levava tudo na frente. Mas, ainda mais do que isso, Herrera estava muito, muito bem, na luta, na pressão, na intensidade, na verticalidade, a criar e a fazer crescer a equipa.

Lá atrás, Alex, Marcano e Felipe faziam aquilo que é costume, ou seja, travar tudo que viesse por água, terra e mar, com a ajuda de um surpreendentemente entregue Miguel Layún. Casillas era, a esta altura, um mero espectador, tendo apenas que repor bolas em jogo e fazer defesas simples e gritar "fuera!" em tudo o que era cantos.

Do outro lado, o Sporting fazia aquilo que podia com o - muito! - que tinha. Só que esteve completamente manietado, castrado, fechado. Sérgio fazia uma chave de braços a Jorge Jesus. Apenas e só a sorte nos impedia de dar uma goleada aos verdes.

A sorte e São Patrício, qual Iker no galinheiro. Impressionante, deveriam impedir imanes nas luvas, carago! Não me parece justo! 


Chegava a segunda parte e a energia e a intensidade monegasca batiam à porta. Aqui Jesus esteve melhor do que Sérgio. Falharam as pernas a Herrera, a Brahimi, a Aboubakar e a Marega. Sérgio tardou a substituir os três primeiros. Jesus tirou um incipiente Bruno Fernandes e pôs um aguerrido Bruno César, trocou as voltas às extremidades e foi rodando a posição de um William - que deveria ter visto um vermelho que abriria espaço para a justiça no marcador. Sérgio pôs Otávio - que acabo, hoje, por perceber, mas que uma vez mais não aproveitou a oportunidade para adequar o seu imenso talento à equipa, perdendo-se em iniciativas individuais que não ajudaram nada. Mas o maior erro foi deixar Abou tempo demais e ter o Tiquinho pouco tempo em campo. 

No entanto, quero deixar bem claro no ar uma pergunta para os meus leitores: qual de nós, em bom rigor, diria há três meses que isto seria possível? Sair de Alvalade com aquele amargo de "ah, se aquela bola entrasse..." em vez de "uau, saímos vivos"? Sobretudo contra uma equipa que investiu da forma que eles investiram, que ataca o campeonato da forma que se conhece?

Saímos da jornada à distância que entramos - obrigado papoilas! -  mas com a convicção cada vez maior de que somos melhores e de que podemos ser campeões. Estamos no bom caminho. E tudo graças a Sérgio Conceição.Ainda há muita estrada para andar, mas a atitude já é outra. O Dragão está de volta!