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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Ambivalências

Via We Are All FC Porto
 Confesso-me com um sabor agridoce na boca depois da entrevista de Nuno Espírito Santo a Júlio Magalhães.

Se por um lado este me surpreendeu muito, pelas perguntas pertinentes, concretas e importantes, que foram desde o jogo com os coisinhos, à perda de pontos em Tondela e em Setúbal, às opções técnicas ou mesmo à utilização de Adrián, Depoitre ou Brahimi, não deixei de achar as respostas de NES muito genéricas, politicamente correctas e insuficientes.

Nem tudo foi mau no discurso de NES. Deu para perceber que este é consciente dos erros em cada um dos jogos - gostei que ele tivesse a consciência (óbvia, uns dirão, com total razão) da intranquilidade da equipa no jogo com os coisinhos, fiquei feliz que reconhecesse que jogou mal contra o Tondela e que tentasse explicar, muito por alto, as opções técnicas contra o Setúbal.

Deu para perceber a sua ideia de sistema de jogo dinâmico e o que este significa. Deu para perceber que a equipa estará sensibilizada para reproduzir novamente a mesma atitude e empenho nos jogos seguinte do que a vista contra os coisinhos.

Mas, que fazer, estou habituado a ouvir podcasts da Premier League e a ouvir um Mourinho, um Guardiola ou um Klopp a falar de uma forma directa e desassombrada dos seus jogadores, da táctica e da arbitragem, e não neste tom ponderado e politicamente correcto do meu treinador.

Fica na memória a ideia de que a equipa vai em crescendo, que vai procurar jogar bem mas sempre com a vitória como prioridade e que a arbitragem não desculpa as responsabilidades próprias.

Esperemos, então, que NES - que, honra lhe seja feita, não privilegiou uma competição sobre todas as outras - consiga extrair dos seus jogadores o que é necessário para a sua "dinâmica infinita" e que seja claro e directo como não quis ser neste momento. 

Saúdo ainda Júlio Magalhães por passar vídeos das escandaleiras que nos fizeram perder pontos e por tentar extrair respostas concretas de NES. Não conseguiu, mas a vontade já é, no meu entender, um passo no bom caminho.

Esperemos que no fim do ano, com a taça do campeonato na mão, ele já passa ou queira individualizar. Porque ser magnânimo e políticamente correcto não é uma atitude à Porto. Ser directo e frontal, sim.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Antevisão CD Gafanha da Nazaré - FC Porto (3ª Eliminatória) E As Verdades De La Palice [ACTUALIZADO]

Sejamos francos. O mais difícil nestes jogos de equipas desproporcionadas - com todo o respeito que o Gafanha me merece - é o inimigo interno, a célula do adormecimento, da vitória "antecipada" porque absolutamente natural, mas também da descoordenação de uma equipa que será, previsivelmente, desrotinada. Será, no entanto, uma oportunidade para que aqueles que são considerados "segundas linhas" possam demonstrar inequivocamente que têm um lugar no plantel e conquistem o direito a tornar as opções de Nuno Espírito Santo o mais difíceis possível. Não é preciso dizer que a conquista da Taça de Portugal é vital. Por isso, a primeira verdade de La Palice é a de que não há jogos fáceis.


Helton disse que não sabia do seu fim de contrato senão pelos jornais. Depois, já disse que os valores não seriam os acordados. Uma questão de dinheiro, então? Que trapalhada! Afinal em que ficamos? É surpreendente para Helton que o FC Porto tenha rescindido o contrato com um jogador que não treina? A segunda verdade de La Palice é a de que mais vale cair em graça do que ser engraçado. Helton andou a fazer muitas gracinhas nos últimos anos, desde estar "eternamente grato" até a dar entrevistas confusas.. enfim, muitos tiros no pé. Apesar de tudo, será sempre um dos nossos, desejo-lhe todas as felicidades, pessoais e profissionais. Mas também que tenha a noção de que a mais curta distância entre dois pontos A e B é sempre uma linha recta. Ou seja, acredito que tenha o número do Presidente. Se o tem, para quê todo este alarido?

ADENDA: Se alguma coisa demostra este vídeo, é o principal problema de Helton no FC Porto - o problema político. Helton Arruda sempre procurou uma imagem de simpatia e de abrangência que não é lá muito compatível com a ideia de um lider que está na frente da batalha contra tudo e todos. Ora, ao agradecer aos adeptos todos do futebol - sim, lampiões e lagartos incluídos - Helton mostrou que sempre quis ser consensual. Essa consensualidade, querido amigo, não pode ser conseguida a capitanear um Clube odiado pela maioria sem que se sacrifique a raça e a garra que o caracterizam. Uma vez mais, Helton mostrou ser um homem que procurou ser consensual, acima de tomar um lado e uma posição que o comprometesse. Nada contra. Desejo muitas felicidades ao Helton. Mas desejo, acima de tudo, um Capitão que não tenha medo de escolher um lado. No FC Porto, ser bom rapaz é ser sempre comido. No FC Porto, o Capitão tem de morder a língua, ser agressivo, duro e impositivo. No FC Porto, o Capitão tem de impor respeito. Mesmo que seja odiado por todos os outros "adeptos do futebol". Capitães históricos como João Pinto, Jorge Costa ou Fernando "Bibota" Gomes não tinham nada de consensual! E isso faz parte daquilo que nos faz orgulhar neles!

Finalmente, last but not least, ao ver o Juca Magalhães a entrevistar o grande Herman José ontem - com uma classe extraordinária a fazer umas gentis piscadelas de olho à maravilha do Porto e umas alusões tangenciais ao nosso futebol - tive uma epifania: de repente, percebi que a ridícula publicidade feita ao filme de João Botelho (sim, esse mesmo!!!) sobre a vida e obra do, esse sim dos nossos, Mestre Manoel de Oliveira, não é senão um reflexo condicionado de um subconsciente que procura estar "acima" destas "mundanidades" do FC Porto, como se tentasse um exercício de automutilação da parte do seu canal que "conspurca" a megalómana ideia da "supra-regionalidade". Pena é que nada tenha percebido da fantástica conversa do seu interlocutor sobre as imitações baratas... A terceira verdade de La Palice, que Juquinha deveria conhecer, é a de que para se saber para onde se vai deve-se ter bem presente DE ONDE SE VEM.