quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vendas Para Tótós (Ou O Epílogo de 14/15) [ACTUALIZADO CONF. IMPRENSA E CMVM]

Creio que, a esta altura, muitos daqueles que preconizavam a hecatombe Portista já perceberam que esta não aconteceu. Os mui propalados zero titoli não tiveram nenhum efeito no estilo de jogo, na dinâmica, no treinador, na direcção, nos jogadores. E isto porquê? Por causa da magnífica campanha que fizemos na Champions League.

Deixemo-nos de tretas - essa era a prioridade. De uma vez por todas, convençamo-nos disso. A notícia de ontem d'O Jogo põe, definitivamente, o ponto final nesse assunto. A vitória contra o Bilbao, na terça feira seguinte, rendeu 1M. A Taça de Portugal renderia, no final, 300 mil, a Taça da Liga 850 mil e o Campeonato pouco mais de 1,5M. Essa é a realidade.

O FC Porto ganhou mais de 27M na Champions League, fora o market pool que ainda há-de vir. As mais valias financeiras decorrentes da boa campanha - sim, a nossa derrota com o Bayern não esmoreceu em nada a credibilidade do FC Porto, hoje nos oito primeiros da Europa - estão à vista: valorizamos o nosso ponta de lança para uns estratosféricos 35M e os nossos laterais para a linda quantia de 57,5 a 62M. E ainda conseguimos potenciar Casemiro ao ponto de ter rendido 7,5M, embora nos tenha sido emprestado. Junto com as vendas de valor menos significativo mas também interessante, ultrapassamos largamente a fasquia dos 100M. Uns falam em 103, outros em 111, outros em 120. O R&C o esclarecerá. No entanto, some-se a receita da Champions e ter-se-á um receituário absolutamente recorde. E o mercado ainda não fechou! Julen Lopetegui consegui o feito de dar este milagre ao FC Porto, após alguns anos de miséria europeia da nossa parte. Mesmo assim, nada parecido sequer remotamente com o Apocalipse benfiquista do predestinado.

As nossas prioridades, o ano transacto, foram os jogos da Champions, e tiveram um retorno ímpar. É claro que os invejosos media tratam de fazer comparações absurdas e previsões oraculares sinistras por forma a menorizar este feito. Rui Pedro Braz, no MaisTransferências de ontem, comparou este ano de vendas com o do benfica no ano anterior, como se os 100M do benfica fossem verdadeiros ou sequer confirmados pela instituição ou a CMVM. Uma mentira propalada muitas vezes não se torna verdade. E Pedro Sousa, ex-director do sporting, fala nos custos operacionais de mais de 50M anuais - 500! 1000! 2 mil milhões! - que fazem com que "isto não seja tudo lucro e seja insustentável a prazo", e a "elevada massa salarial" passa a vida na boca desta gente. Certo que não teremos 100M de lucro, certo que não faríamos as vendas se não precisássemos delas, mas esta sempre foi a gestão do FC Porto.

No entanto, este ano mostra uma inversão de paradigma. André André, Danilo Pereira, Sérgio Oliveira, Varela, Maxi, Cissokho, Maicon, Marcano, Casillas e Rúben Neves não deverão ser para vender, a não ser que haja alguma proposta galáctica por qualquer um deles. E assim, é criado um eixo, novamente como nos anos anteriores à Derrocada Fonsequista, que será a base do jogo do FC Porto. A venda de 2 ou 3 titulares por época faz parte da gestão Portista desde sempre, e não vai mudar. Ainda bem.

Actualizarei o artigo depois da conferência de imprensa de Lopetegui, se alguma nota digna de registo se propuser. E já agora, este insurrecto está farto de partir tudo no balneário, como bem se vê:


ADENDA: Ainda estou abismado com a conferência de imprensa magnífica de Lopetegui. Cada dia se supera mais.Ter os cojones de começar a conferência de imprensa a falar de Alex Sandro e a dizer que sim, está em Turim, é muito bom. Parece muito mais confortável na sala de imprensa também, não fugiu às perguntas, disse que não ia ficar a chorar, disse que queria que o mercado fechasse, mas que, enquanto aberto, está aberto para os dois lados e deixou bem claro que os jogadores tem que fazer por merecer ficar, mas que está contente com o que tem. E que não se sente mais fraco. E que as circunstâncias são diferentes. E que vai para a Madeira sem medos. Muito bem.

Espero que traga de lá os 3 pontos. Bem os merece. E disse, para mim, a verdade mais importante: a que está exposta em cima - que a nossa qualidade é tanta que os clubes desejam os nossos jogadores. E, acrescento eu, outros há que querem colocar as joias da coroa noutro sítio e que ninguém lhes pega.

Bravo, Mister. Bravo.

ADENDA 2: ""A Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo com a Juventus Football Club para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Alex Sandro, pelo valor de 26.000.000 euro (vinte e seis milhões de euros). ".

Nós comunicamos as nossas transferências à CMVM.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Insustentável Leveza Evolutiva [ACTUALIZADO MT]

Parece facto consumado. Alex Sandro vai mesmo embora. Por 25M mais objectivos, podendo chegar aos 30. A confirmar-se, é uma excelente venda, e acima das minhas melhores expectativas. Passo a explicar porquê.

Em primeiro lugar, sei que o NGP disse que recusara uma proposta do Atlético de Madrid de 30M por ele. Mas, a essa altura, quereria o jogador sair? Estaria inclinado para a renovação? Estaria à espera da melhor proposta da SAD? Muitas variáveis podem ter acontecido. Outra, e esta muito provável, é que se poderia passar outro "caso Falcao", como quase aconteceu com Jackson Martinez, não fosse o NGP ter batido o pé. Francamente, não sou crente de que Óliver alguma vez pudesse estar num negócio, tendo em conta a forma como Simeone tem - para mim, infelizmente - percebido com Óliver é um excelente jogador e uma grande mais valia para o plantel. Por isso, ou seria bluff ou um mau negócio.

Em segundo lugar, já ontem o disse, não gosto de jogadores que não querem estar aqui. Estão a desestabilizar, são erráticos e, no caso do Sandro, o "fantasma do Soneca" está sempre à espreita. Sim, vendê-lo por 6M a menos que Danilo, titular da lateral direita brasileira, lateral com tendências interiores, maior capacidade atlética e faro de golo, é uma grande venda. Certo que o Alex Sandro temporiza bem as jogadas, tem boa condução de jogo, mas também perde muitas bolas nas suas costas e é lento nas recuperações. Dependendo dos dias. Mas é irregular.

Aly Cissokho pode colmatar a falta, acho que se mostrou bem contra o Nápoles, há Jose Ángel, fala-se em Siqueira (duvido) e há ainda Indi, que faz a lateral da selecção holandesa. Dir-me-ão que comprometeu com o Bayern, mas quem não comprometeu? Contra o Basileia esteve muito bem, por exemplo! E eram os Oitavos de Final da Champions League, não eram nenhuma brincadeira! Por isso creio que estamos salvaguardados.


Mas uma palavra para Julen Lopetegui, que acredito que vai dar a volta a este problema, como já deu a outros anteriormente. Não são desculpas para perder outro campeonato, essas não existem. São, sim, sublinhados importantes para aquilo que mais tarde ganharemos e a insistência em que, de facto, somos a equipa que mais mudou, e muda, todos os anos.

Mesmo assim O Jogo fala em 103,2M de vendas neste defeso. As compras não chegam a um terço deste valor. A gestão financeira é excelente. Lopetegui mostrará que, no seu modelo, as peças entram e encaixam confortavelmente. Esse é o projecto. Essa é a evolução. Essa é a grande mais valia de Lopetegui. Estou confiante.

Por outro lado, as nomeações da próxima jornada mostram o afastamento de Carlos Xistra, Tiago Martins e Fábio Veríssimo da convocatória. E mostram já uma batalha ganha pelo Dragões Diário. Que teve um eco também nos telejornais sobre a exigência de demissão de Vítor Pereira. Ora, esta pressão é extremamente positiva. Se Hugo Miguel - tudo menos nosso amigo, eu sei - se esticar, voltará a estar no centro da análise e será um ponto maior de pressão sobre Vítor Pereira. Convenhamos, este afastamento dos árbitros já mostra que este está mais agarrado à sua, essa sim, cadeira de sonho, do que interessado em defender a sua corporação. Não é a batalha ganha, não podemos ficar descansados, temos de continuar a contar com o campo inclinado e que teremos de ser muito melhores que os outros para vencer, mas é um passo no bom caminho.

ADENDA: No MaisTransferências das 12:20, Rui Pedro Braz - vale o que vale, atenção - confirmou as minhas suspeitas. O Atlético queria trocas e baldrocas sem Óliver. O FC Porto não troca cromos, vende jogadores. Obrigado e bom dia.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Disgrice! Disgrace! Disgruce! (*) [ACTUALIZADO APAF]

Ah, disgrice! Disgrace! Disgruce! Que se vai o Alex Sandro! Já vamos perder o campeonato! É a hecatombe, o fim, o desespero!

Não, não é. É sim, a confirmar-se o que diz O Jogo, 30M, um excelente negócio. Vender os dois laterais por 60M é qualquer coisa de extraordinário e catapulta os nossos ganhos neste defeso para valores surrealistas. Quero relembrar que Danilo e Alex Sandro também já foram, outrora, inexperientes e a crescer na sombra de outros, não eram nenhuns laterais absolutos. E Aly Cissokho não é nenhuma nódoa! É um excelente lateral que me pareceu estar em boa forma no jogo com o Nápoles. Não estará ainda ao seu melhor nível, mas isso é algo que vem com o tempo.

Muito me custa, primeiro, que não se tenha percebido que o FC Porto está a fazer tudo para garantir a renovação de Alex Sandro, dando-lhe um contrato Martinez, e, segundo, se o jogador ficar contrariado será um grande problema. Neste sentido, esta solução parece-me longe de ser má, aliás. bastante boa para as duas partes.

Cresci a ouvir uma frase associada ao meu Clube, dita pelo Nosso Grande Presidente: "Quem não quer estar no Futebol Clube do Porto, pode seguir. Se não tiver a cabeça aqui, não faz cá falta". E eu subscrevo e sublinho essa afirmação. Nada desestabiliza mais do que um titular amorfo, a jogar a passo e na Lua. Convenhamos, Alex Sandro também não foi, no ano passado, como o companheiro da outra ala. No jogo do Nacional foi, aliás, a sua displicência que comprometeu o resultado.

Resumindo, se quer ficar renove, senão 30M é uma oferta interessante. Não é o valor, no fundo. É onde está a cabeça do jogador. Não será o fim do mundo, Aly Cissokho pareceu-me bem capaz de tomar conta da ala.

Saúdo a Dragões Diário pela sua incisiva nota sobre a arbitragem deste fim de semana, mostrando que o FC Porto está atento. Mas desconfio que alguém também os terá espicaçado para o evidente. A ambos, os meus parabéns.

No sentido inverso, este nosso amigo aqui em baixo. Parece que o internacional Martins tem um padrinho ou dois. Por muito má que me tenha parecido a arbitragem de Veríssimo, acho que as notas estão trocadas. E atenção à nota de Carlos Xistra. Uma surpresa! Coroado ainda não acordou da pedrada. Porque não ver o evidente, só em estados alterados de consciência.

(Nota: O título vem de uma expressão da peça "Romeu & Julieta", da Companhia de Teatro do Chapitô, magnificamente encenada e representada por José Carlos Garcia e Ricardo Peres, que tive o prazer de ver.  Aqui na sua versão integral.)

ADENDA: Fica então provado agora com isto que estas notas do Coroado se calhar não serão da APAF. Mas escreverei mais sobre isto amanhã. No então a não inclusão de qualquer árbitro dos 3 grandes jogos é um bom corolário da nossa pressão positiva.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O Colinho Nunca Desilude


Curto e grosso: é muito complicado jogar a batalha dos justos quando os outros trapaceiam. O que aconteceu ontem é muito grave. Ontem o benfica - sim, vou continuar a chamar os bois pelos nomes, para que não haja dúvidas - beneficiou de uma grande penalidade contra não assinalada e de uma grande penalidade a favor que ninguém consegue, no seu perfeito juízo, ajuizar como intencional. O que não dá, de certeza, para escamotear é o seguinte:

- O penalty do Luisão sobre o jogador do Estoril poria um benfica frágil a perder por 1-0 em casa praticamente no início do jogo. Este penalty não está em margem de discussão, a não ser para Jorge Coroado, que acha o contacto normalíssimo! benfiquistas que conheço também o admitem, dizem, tal como António Simões, no Play-Off, que o árbitro pode não ter visto, e blá blá blá Whiskas saquetas. Este penalty poria o Luisão na rua ou, pelo menos, com um amarelo a abrir.

- O penalty atribuido ao jogador do Estoril é absurdo. Recebam um projéctil a 100 km/h. Quero ver se a reacção natural do vosso corpo não é encolher-se e proteger-se. As leis do jogo falam em mão na bola quando a mão é ostensivamente usada para controlar a bola dentro da área. Não se passou nada disso. O "golo da tranquilidade" nasce de um lance que, curiosamente, não tem mais do que UMA câmara de costas a filma-lo. 

- O Estoril decidiu, na segunda parte, tal como a Académica no ano passado, jogar apenas com 3 defesas. Hum.... 

- O técnico do Estoril decidiu, contrariamente ao normal, não valorizar o penalty a favor não assinalado, nem o contra assinalado, dizendo, tão somente "o benfica é o benfica".

Estou muito curioso para ver o Estoril no Dragão, como será. É o #colinho em pleno full-throtle, meus amigos, mostrando que não é preciso jogar bem ou sequer aceitavelmente. Basta ter tudo controlado. Mais do mesmo.

Como mais do mesmo foi o Play-Off. Mais do mesmo com Rodolfo Reis a ser mais crítico com os seus do que com os outros, com frases como "O Porto jogou bem, com intensidade, prometendo muito. Vamos ver se o Loptegue não estraga tudo, não pára aquilo", fazendo o gesto de paragem, como se não tivesse sido o "Loptegue" a treina-los e a mudar-lhes o foco. Homem, pelo menos, pelo menos, não seja você o primeiro crítico! E também adorei os 4 minutos no total que falaram do melhor jogo da jornada.

D'O Tribunal do Jogo já falei, falo agora desta vergonha. Nem uma só referência a este escândalo! Nem sequer n'O Jogo! Nada!

E hoje, aguardei pelo Dragões Diário, esperando que, pelo menos esses, fizessem menção a esta realidade, como lhes compete fazer. Nada! Estão mais preocupados em rectificar o número de espectadores atribuídos. Meus amigos, para que serve esta newsletter senão para denunciar este tipo de coisas?! Afinal continua tudo igual! Ainda não perceberam que falar no fim não conta para nada!?

Vamos ter, pois, o mesmo campo inclinado, a mesma conivência dos media e a mesma apatia na SAD. Continuo a dizer, temos um melhor FC Porto. E temos os outros a ter de jogar na Europa. Isso pode fazer a diferença. O resto continua, infelizmente, tudo igual.

domingo, 16 de agosto de 2015

Análise FC Porto 3-0 Vitória Guimarães (1ª Jornada)


Foi um Dragão intenso e um Dragão seguro, esta equipa do FC Porto, nesta jornada inaugural. Sim, é verdade, eu sei o que escrevi. Nós não temos a vertigem de corre-corre de outros, não fazemos jogos de piscinas frenéticas. Nós temos controle quase absoluto do jogo e fazemos por ter as variações de flanco, de velocidade e de soluções que ganham jogos. Tanto que, num jogo em que, como sempre, se ouve adeptos a refilar por entradas "moles" - não são moles, é jogo controlado - aos 8 minutos já estamos a ganhar, tendo ai já desperdiçado um bom par de ocasiões.

Algumas diferenças vêem-se do meio campo do ano passado para este. A começar, a falta cirúrgica a matar o contra-ataque, coisa que no ano passado parecia não fazer parte das armas dos intervenientes. Tanto Maxi como Danilo Pereira deram o corpo ao manifesto, este último quase a abalroar os adversários com o seu imponente físico, uma espécie de parede quase intransponível. Depois, já fazemos jogo no corredor central. Não é o corredor mais disponível, as defesas vão ter tendência a mostrá-lo, mas dá já uma noção de incerteza total sobre onde irá o FC Porto tentar o ataque.E isso é fantástico.

O que eu não gostei foi da entrada do Vitória de Guimarães na segunda parte. Fomos surpreendidos com a reacção - não podemos ser! - mas também demonstra o valor do nosso adversário. Verão que o Vitória não vai fazer assim tão má figura este campeonato, se entrar nos jogos seguintes com a força que entrou na segunda parte. No entanto, mesmo aí, tivemos uma defesa sólida com Casillas a mostrar a sua classe em duas boas defesas e os nossos M&Ms em grande forma a cortar as bolas paradas com classe e determinação. Um aviso a mostrar que não jogamos sozinhos.


E, por falar em bolas paradas, que bom é saber que já há trabalho nesse departamento. Tivemos uma série de tentativas estudadas, ainda frustradas é certo, mas que indiciam um bom caminho. E tivemos contra-ataques! Não fosse ainda não estarem bem afinadas, as tabelas que foram tentadas também teriam sido mortais. Mostra que ainda não estamos lá, claro, mas que há grande potencial para um maior crescimento ofensivo. No entanto, a diferença nesse capítulo, quando comparada com o ano passado, é enorme!

Além dos destaques a seguir, quero dizer que já vimos um Tello melhor - a lesão afectou-o claramente - e que sei de fonte segura que Hernâni esteve no Dragão e está no Porto. Quanto ao nosso menino Rúben, espero que nenhuma oferta irrecusável o leve. Mas ele tem de jogar, com regularidade. Vamos ver o que a época nos reserva. A profusão de soluções de meio campo de qualidade é uma dor de cabeça para Lopetegui. Mas estou em crer que ela pode ser aliviada nos próximos dias.


Aboubakar - Aboubakar é fantástico. Estou cansado de ouvir a conversa de "não é Jackson, mas ninguém é". Este também não era Falcao, e Falcao não era Jardel e por aí em diante. São sabores diferentes, cambiantes da mesma qualidade. Ontem o nosso camaronês teve um Poker nos pés, e seria bem merecido. Mas não só. Bons pormenores de controle de bola, solidariedade nas tarefas defensivas, passes acutilantes e, no geral, uma entrega ao jogo absolutamente incrível. Lopetegui disse, com razão, que ter Osvaldo no banco não é um problema mas sim uma bênção. Temos a qualidade ofensiva que precisávamos e não me canso de me repetir: Gosto MUITO do Aboubakar.

Maxi - Fui dos primeiros a rejeitar a ideia de Maxi no FC Porto, mas também disse que haveria de me render às evidências se as houvesse. Maxi entregou-se a tudo. Ao ataque - duas assistências para golo! - à defesa, à organização, às tabelas, a ser um quarto homem no meio campo quando isso exigia e a travar o contra-ataque quando ele tentava dar mostras de acontecer. Muito bem. Esta feita a constatação, Maxi é um grande jogador raçudo. E ainda bem que está do nosso lado. É uma grande mais valia. Levou o seu baptismo de fogo com o amarelo da praxe. Bem-vindo, Maximiliano. O azul e branco puxa o amarelo e o vermelho dos cartões.

Meio Campo - Com a excepção de Herrera, o meio campo do FC Porto é, este ano, a sua fortaleza. Tínhamos Óliver no ano passado, mas agora temos Imbula e Danilo como muralha e retoma atacante - o primeiro ainda não na sua melhor forma - Evandro a baralhar as contas dos defesas adversários e André André como uma Formiga Atómica em rápida procura da bola, defensivamente e no ataque. A diferença de qualidade com este último em campo faz-me pensar que, em pouco tempo, a titularidade poderá ser sua. A ovação que teve à entrada também indica que ninguém dirá que não.

M&Ms - Maicon com a braçadeira é completamente diferente. Os seus chutões de desmarcação e de variação de flanco são cada vez mais importantes. Ainda que não saia com a bola controlada, passa por ele muita da surpresa ofensiva do FC Porto. E teve menos paragens cerebrais. Marcano é absolutamente imperial. Caramba! A forma como ele recuperou a bola depois do seu erro estúpido - vá lá, não aprendas isso com o teu companheiro! - foi absolutamente fantástica! Está com uma velocidade de pique geniais, chega às bolas todas e não há lance de cabeça que ele não corte. Temos uma defesa de betão!

Varela - Trinta e quê? Pois! O Drogba da Caparica está de volta! Nos seus melhores momentos, uma máquina. E solidário defensivamente também. Tem umas vareladas de vez em quando mas, quem não tem? Varela voltou com tudo e mostrou que aprendeu a lição. Bem coroado com um golo antes de ser substituído. Parabéns Silvestre e obrigado!

Lopetegui - Excelente leitura dos tempos do jogo, sempre interventivo e com a sabedoria costumeira nas substituições. Palavras para quê. Por muito que o insultem, é um treinador superior.


Herrera - Alguns poderão dizer que ele veio cansado da Gold Cup. Mentira. Só se foi do calor, porque Herrera foi muito pouco utilizado. O que se passar é que o verbo Herrar (cheers Jorge!) já não cabe no meio campo deste ano. A colocar urgentemente noutro sítio. Se é para galgar terreno, Imbula faz tão bem ou melhor. Teve dois ou três pormenores bons, mas os passes errados e as falhas de marcação foram qualquer coisa de absurdo. Meu caro amigo, se não atinas, vais de vela e não deixas saudades.

Fábio Veríssimo - Tanta falta de qualidade, minha nossa! Este caro amigo não marca penalties, não acerta nos amarelos, o desnorte é tal que nem sabe o que é a lei da vantagem. Mais do que #colinho, incompetência.

Entrada na segunda parte - Vamos acordar, povo! A entrada da segunda parte não pode voltar a acontecer. Dez minutos lentos e amorfos que poderiam ter dado consequências nefastas. A não repetir! Entrar na segunda parte como na primeira, ó faixabore!

E, já agora, é por isto que nos invejam: 

sábado, 15 de agosto de 2015

Antevisão FC Porto x V. Guimarães (1ª Jornada)


Eis-nos pois, de novo, na parte que interessa - quando a bola rola. E temos casa cheia no Dragão. Gosto muito de casas cheias, acho sempre que mudam tudo. A pressão positiva sobre os nossos, as deles, os árbitros. O espectáculo como ele deve ser vivido.

Estou com um nervoso miudinho. Estou curioso para ver o onze, o sistema táctico. A bem da verdade, creio que ninguém o conhece mesmo. Está mais que visto, foi bem debatido e tenho a certeza que chegou aos ouvidos de Lopetegui, a necessidade que temos em ter um bom ataque. Mas não sacrificando tudo. Desculpem falar disto mas, se alguma coisa o jogo de ontem entre o Tondela e o zbordem mostrou, foi que ataque à maluca não ganha jogos, se o sector defensivo for uma nódoa, se não houver solidariedade e espírito de equipa coesa. Isso o FC Porto tem, de sobra. Mas vamos ver se a balança tomba um pouco mais para o ataque.

Para aqueles que estão desesperados, e com todo o respeito que o Vitória merece, a nossa pré-época teve adversários de Champions e das melhores ligas europeias, inclusive de Champions League. Não estou à espera que haja no Vitória a ligação simbiótica do Valência, a potência do Mönchengladbach ou a solidez defensiva do Nápoles. Há que saber aproveitar as transições com velocidade, fazer boas tabelas e surpreender um adversário que, tenho a certeza, não virá ao Dragão jogar de igual para igual. Com a nossa identidade, vencer e convencer. Porque alguns gostam de embandeirar em arco e depois levam choques com a realidade que doem. Outros gostam de ser realistas, treinar contra o 10 para saber vencer o 7.

E, já agora, vamos lá ver então o "grupo fácil" do FC Porto na Champions League do ano passado. Últimos resultados das equipas, excluindo o BATE: Shakthar Donetsk 3 - 0 Fenerbahçe, Atlético de Blibao 4 - 0 Barcelona. Claro. Não só básico. Banal. Trivial. Haja vergonha.

E por falar em falta de vergonha, onde estão as virgens ofendidas a bramir com a forma como o Jesus tratou os jornalistas na conferência de imprensa, ontem, ein? Só faltou bater-lhes! Ah, é o Jesus. Esse pode. Tão ridículo como o jogo. Continuem assim que vão bem. É tudo gasolina para nós.

Helton e Iker Casillas (guarda-redes); Maxi, Martins Indi, Maicon, Marcano, Rúben Neves, Varela, Brahimi, Aboubakar, Dani Osvaldo, Tello, Evandro, Herrera, Hernâni, André André, Danilo, Bueno, Imbula e Alex Sandro.

(4x3x3): Casillas; Maxi, Maicon, Marcano, Alex Sandro; Rúben, Imbula, André André; Tello, Aboubakar, Varela

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ser Porto


Repito-me sempre. Serei sempre tendencioso em relação a André André. É oriundo da minha "casa adoptiva", é forte e aguerrido, é Portista desde sempre e é filho daquela que sempre foi a minha referência de Portismo, o grande António André. Foi um evidente prazer vê-lo ao vivo. A equipa fica claramente a ganhar com ele em campo, especialmente no lugar de médio ofensivo. A sua inteligência na área é, para mim, bestial. E foi com um sorriso na cara e um evidente prazer que vi a entrevista dada por ele ao Porto Canal - aplaudo estas entrevistas, espero que não sejam excepções - e a forma como ele falou do "seu" FC Porto. Confirmou claramente a minha opinião sobre ele - que é um jogador de colectivo, que vai dar tudo em campo e que quer mesmo estar aqui. Aliás, André André, tal como Ruben Neves, insiste que chegar ao FC Porto era o seu sonho de criança. Destaco, aliás, a seguinte frase: "A minha prioridade era vir para cá". Isto, para mim, é absolutamente imprescindível num FC Porto de futuro. Voltar a ter nos seus quadros jogadores de qualidade cujo objectivo fundamental é a permanência no FC Porto. Para André André o pináculo não é o Chelsea, o Barça ou o Bayern. É o FC Porto. Bem hajas André. Futuro Capitão.

Já esta vem confirmar o que pensava. Que, ao contrário do que se veiculava por aí, Quaresma não saiu porque Lopetegui o dispensou, mas antes por "discordar da política". Digo sobre Quaresma o que disse de Vítor Pereira. O Futebol Clube do Porto projectou-o, o Futebol Clube do Porto resgatou-o quando estava praticamente morto para o futebol. Não sou capaz de compreender porque se multiplica em entrevistas críticas e acintosas, não sei o que tem a ganhar. Mas é lamentável. Não lhe fica bem.

Gosto de saber que Brahimi está convocado. A sua enigmática mensagem no Facebook, dizendo que espera o início da temporada com impaciência, dá a entender que será talvez possível a sua utilização. Assim esperamos.

E, para terminar, Quintero diz que só quer estar no FC Porto. Estou um pouco siderado com essas declarações. Vi sempre um Quintero triste, amorfo e apático no ano passado, em qualquer posição em que Lopetegui o pôs a jogar. Para mim, a sua falta de entrega ao jogo, especialmente sem bola, é um grande handicap. Veremos se terá outra oportunidade. Se tiver, espero que a aproveite. A qualidade ofensiva de Quintero é inegável. O seu potencial também. Desde que ele se entregue totalmente. Se for a tempo.

Já agora, satisfaçam-me uma curiosidade: o tom de Jorge Jesus ontem não foi arrogante nem presunçoso? Não foi agressivo e mal educado? É exclusivo de Lopetegui? Pois. Dois pesos e duas medidas. Como diz o Mister, é tudo "gasolina".