Vitória muito importante, obtida no último sopro da partida, fora de portas, deixando em aberto a possibilidade de apuramento para a próxima fase da Champions de Andebol. Foi, apesar de tudo, uma vitória desnecessariamente sofrida face à evidente diferença de plantéis e de estilo de jogo. Quer isto dizer que o Presov é uma equipa fraca? Obviamente, não. Seria equipa para lutar pelos 3 lugares cimeiros da classificação em Portugal. Mas nesta Champions, o FC Porto já provou estar um ou dois degraus acima de equipas como o Presov ou o Vojvodina, por exemplo.
No jogo de hoje, defrontámos um adversário forte a defender, contactando os nossos jogadores no espaço entre os 10m e os 7m sempre no "limite" do permitido. Pelo menos, tanto no limite quanto uma equipa moldava de arbitragem poderia permitir a uma equipa eslovaca, if you know what I mean... Se já é difícil jogar no Leste da Europa, acreditem que fica bastante mais difícil com duplas daquela zona.
Já em termos ofensivos, trata-se duma formação que privilegia o remate exterior, com jogadores altos e "pesados", quase todos com pouca mobilidade e a denunciar muito as trajectórias para remate. Quero com isto dizer que, face às características físicas e técnicas dos laterais e do central, é fácil para uma defesa perceber quando vai ser o momento de finalização, porque os movimentos são semelhantes e mais fáceis de antecipar.
Para contrariar uma equipa deste género, é fundamental defender bem, obrigar os adversários a rematar de bastante longe - porque esses remates são, teoricamente, mais fáceis de parar pelo guarda-redes - e aproveitar alguma lentidão na recuperação defensiva adversária para "matar" o jogo em contra-ataque. Já em ataque organizado, é a velocidade na circulação de bola, e no ataque aos espaços que poderá ser mais eficaz. Se do outro lado temos 4 ou 5 "muros" que gostam de "bater", temos que tentar obrigá-los a fazer o que não gostam: mover-se.
Na 1ª parte, especialmente a partir dos 10 minutos, conseguimos fazer tudo isto relativamente bem. Houve algum desacerto na finalização (uma ou outra vez por mérito do bom guarda-redes adversário, mas também por algum demérito nosso), especialmente nos remates aos 6 metros, que podia ter acabado com o jogo logo na 1ª parte. Houve também alguma falta de agressividade defensiva nos primeiros 20 minutos, tendo os eslovacos conseguido rematar demasiadas vezes sem serem devidamente importunados (que é como quem diz, sem levarem uns socos valentes, como nos faziam quando éramos nós a atacar). Com o resultado em 13-8 a 4 minutos dos primeiros 30, era "obrigatório" termos chegado ao intervalo com maior vantagem no marcador. Faltou alguma paciência, e alguma inteligência na forma como o nosso ataque organizado decidiu trabalhar os últimos lances. Trabalhamos demasiado para o remate exterior (e com Kasal em campo, não se podia esperar outra coisa), quando devíamos ter tentado finalizações mais próximo da baliza, até mesmo para conseguir "sacar" alguma exclusão aos eslovacos.
A 2ª parte teve uns 10 minutos iniciais perfeitos, com um parcial de 4-1 a nosso favor, que colocou o resultado nuns - à partida - confortáveis 18-11. E depois... Bom, depois houve qualquer espécie de bebedeira colectiva, que nos poderia ter custado o jogo. Erros em barda, alguns pouco condizentes com jogadores do nível dos nossos. Muita sofreguidão no ataque organizado, que conduziu a falhas técnicas e, consecutivamente, perdas de bola perfeitamente escusadas, e muito desacerto defensivo - não só em termos de posicionamentos como de agressividade perante o adversário.
Podemos queixar-nos que, a partir dos 10 minutos, entrámos numa fase de "vale-tudo" na defensiva contrária, que tornou a tarefa de atacar de forma mais profunda praticamente impossível, mas penso que nos pusemos a jeito. Com 7 golos no bolso, é a equipa que tem a vantagem que tem de gerir os tempos de jogo e que tem de saber ter o controlo emocional. Não podemos estar a jogar com guarda-redes avançado, e "entregar" a bola ao adversário para duas finalizações fáceis (sem o guarda-redes na baliza), num espaço de menos de 2 minutos. Tudo bem que a opção por utilizar um guarda-redes avançado é discutível, principalmente se usada de forma insistente, mas isso não esconde as incríveis falhas consecutivas do nosso ataque. Neste período de desacerto, nota negativa para Gustavo Rodrigues, a conseguir cometer mais falhas graves em 20 minutos do que no resto da época.
Depois de termos conseguido acertar defensivamente, tenho de destacar 2 jogadores: Miguel Martins e Gustavo, por razões diferentes. Num final de jogo estonteante, foi o menino a colocar duas bolas "redondinhas" nas mãos de Alexis, que deveriam ter decidido o jogo, não fosse a segunda oportunidade ter esbarrado no braço do guarda-redes adversário. Gustavo merecia levar 3 chicotadas por ter perdido uma bola, num passe mal medido para Alexis, a pouco menos de 1 minuto para o fim, e com o resultado em 23-24 a nosso favor.
Contudo...
Quem tem Gilberto Duarte, tem o Mundo!
E, desta forma, pela enésima vez, Gilberto decidiu um jogo no último segundo, sacando um golo impossível da cartola.
Mais alguma concentração competitiva, mais acerto defensivo e um Dragão Caixa a rebentar pelas costuras serão importantes ingredientes para o decisivo encontro com os espanhóis do La Rioja. Porque apesar da derrota pesada da 1ª volta, acredito que temos uma equipa superior à deles. Esta equipa merece e tem qualidade para a próxima fase da Champions.
Um abraço,
Z